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A carruagem da polémica não é utilizada pela família real holandesa desde 2005 e, de agora, em diante está mesmo excluída da equação das deslocações oficiais do rei Willem-Alexander, avança o The Guardian.

Conhecida como De Gouden Koets – em português Tributo às Colónias – a carruagem dourada, que tem estado exposta em Amesterdão está no centro do debate que o país começou a travar sobre as memórias coloniais e a escravatura. “Não podemos reescrever o passado, mas podemos tentar aceitá-lo juntos e isso também se aplica ao passado colonial”, disse o monarca num vídeo oficial da própria casa real.

“O Gouden Koets só pode ser usado quando a Holanda estiver pronta para isso. E esse não é o caso no momento. Enquanto houver pessoas na Holanda que sintam a dor da discriminação diariamente, o passado ainda lançará sua sombra sobre o nosso tempo”, assumiu ainda o rei, em jeito de mea culpa.

Além do que o nome de baptismo da carrugagem, o painel com a imagem de homens negros ajoelhados diante de seus senhores brancos, entregando-lhes cacau e cana de açucar, ajudam a emoldurar a época histórica que, à semelhança de outros países europeus, a Holanda decidiu começar a reanalisar, desde o surgimento do movimento Black Lives Matter nos Estados Unidos. Entendida como uma ode à civilização, pelo pintor Nicolaas van der Waay, a gravura ainda mostra um jovem branco a dar um livro a um negro.

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