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A Conferência Episcopal espanhola vai investigar os 251 casos de alegados abusos sexuais que foram revelados em dezembro pelo El País. Como noticiou o jornal, após uma reunião esta sexta-feira com o Papa Francisco, ​​​​o cardeal Juan José Omella afirmou que as entidades católicas do país vão avançar com investigações internas. Contudo, diz que não vai ser aberta uma comissão independente — como, por exemplo, a Igreja em Portugal criou para averiguar a mesma situação.

De acordo com as declarações do clérigo, as várias dioceses em Espanha estão a responder “aos poucos” às alegações do relatório do El País — cinco destas 31 entidades administrativas eclesiásticas já responderam, avançou. “A nível da Conferência Episcopal existe um serviço de ajuda às pequenas dioceses que não têm pessoas que o possam ajudar”, adiantou o Cardeal Omella, que disse também: “Parece-nos mais humano e próximo que cada diocese tenha o seu próprio corpo e isso foi bem recebido pela Santa Sé”, disse o líder católico.

Não obstante, Omella diz que “não é necessária” a criação de uma comissão independente. “Em cada diocese existe a parte dos tribunais e o serviço de atenção às vítimas”, justifica. “Portugal, Alemanha e França [que criaram este tipo de comissão] fazem o que bem entendem”, aponta, dizendo a Igreja em Espanha agiu “sempre de acordo com os protocolos da Santa Sé”.

Questionado quanto ao motivo de as vítimas terem confiando mais na imprensa do que na própria Igreja para denunciar os abusos, o Cardeal respondeu que “por vezes” houve falhas de comunicação por parte do departamento eclesiástico que lidaria com este tipo de situações.

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Em dezembro, o El País publico um dossier 385 páginas, que entregou ao Vaticano. De acordo com o diário, há mais de 1.200 vítimas. O caso mais antigo do relatório data de 1943. O mais recente é de 2018.

Explicador. Como vai funcionar a comissão independente para investigar os abusos sexuais na Igreja desde 1950?

Em Portugal, a decisão de lançar uma comissão independente para investigar a dimensão histórica da crise dos abusos sexuais de menores na Igreja Católica foi anunciada em novembro de 2021 pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o bispo de Setúbal, D. José Ornelas.

Abusos sexuais. Igreja portuguesa escondeu pelo menos três casos nos últimos 15 anos

Em países como os Estados Unidos, Austrália, Irlanda, Alemanha ou França já foram realizados estudos independentes, promovidos pela própria Igreja ou pelas autoridades do Estado, que permitiram clarificar a dimensão histórica dos abusos.