O Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, aprovou esta segunda-feira emendas que restringem os poderes do seu antecessor, responsabilizado pelas manifestações e motins fatais que abalaram o país da Ásia central em janeiro, noticiou a imprensa local.

A ira dos manifestantes durante a agitação foi dirigida ao ex-Presidente Nursultan Nazarbayev, de 81 anos, que governou o Cazaquistão de 1990 a 2019 antes de entregar o poder a Tokayev, um dos seus fiéis.

No entanto, Nazarbayev tinha retido alguma influência ao reivindicar o título de “Chefe da Nação” e mantendo a liderança do poderoso Conselho de Segurança, de acordo com os meios de comunicação locais.

As emendas adotadas eliminam a obrigação de coordenar iniciativas de política interna e externa com Nazarbayev, de acordo com a agência de notícias pró-governo Tengrinews.

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Já por parte da agência estatal Khabar, as emendas também revogam o direito de Nazarbayev a ser presidente “vitalício” do Conselho de Segurança e de uma assembleia consultiva encarregada de promover a harmonia entre etnias no país.

Após os motins, Tokayev reforçou a sua própria influência ao assumir a presidência do Conselho de Segurança e a liderança do partido do poder, Nur Otan, tendo ainda afastado algumas pessoas próximas de Nazarbayev.

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As manifestações, que eclodiram após protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, levaram Tokayev a destacar cerca de 2.000 soldados de uma força militar liderada pela Rússia.

De acordo com as autoridades, a violência matou pelo menos 225 pessoas e levou à detenção de cerca de 10.000 pessoas.

Os manifestantes acusaram Nazarbayev de permitir que a corrupção florescesse na antiga república soviética, que liderou durante três décadas.

Por sua vez, Tokayev acusou pessoas próximas do antigo chefe de Estado de terem enriquecido indevidamente no país rico em hidrocarbonetos e minerais.

Num vídeo publicado em meados de janeiro, Nazarbayev declarou-se “reformado” e negou qualquer conflito com Tokayev.