A Netflix anunciou nesta terça-feira que perdeu 200 mil assinantes no primeiro trimestre face ao anterior, uma novidade em mais de 10 anos, e as suas ações recuavam mais de 24% nas transações eletrónicas posteriores ao fecho de Wall Street.

Esta forte queda da cotação penalizou aquele anúncio de baixa de assinantes dos seus serviços à escala mundial, bem como o conjunto do seu desempenho no trimestre terminado em março.

Com efeito, a Netflix faturou 7,9 mil milhões de dólares (7,3 mil milhões de euros), mais de 10% em relação ao período homólogo de 2021, graças ao aumento do número de assinantes (6,7%) e à subida dos preços, mas os seus lucros de 1,6 mil milhões de dólares foram inferiores aos homólogos, que tinham sido de 1,7 mil milhões de dólares.

A baixa trimestral dos assinantes foi atribuída à dificuldade de conseguir novos assinantes em todas as regiões do mundo e à suspensão do serviço na Federação Russa.

Esta empresa teve números que beneficiaram da pandemia do novo coronavirus, pelo eu os investidores esperavam agora uma correção, mas não tão forte como a apresentada.

A Netflix esperava aumentar o seu número de assinantes em 2,5 milhões, e os analistas esperavam ainda mais, mas perdeu, o que reduziu o total a 221,64 milhões.

“A suspensão do nosso serviço na Federação Russa e a diminuição progressiva do número de assinaturas pagas russas provocou uma baixa líquida de 700 mil subscritores. Sem este impacto, teríamos tido 500 mil novos assinantes” em relação ao último trimestre, detalhou a empresa californiana, no seu comunicado com os resultados.

“A perda de assinantes da Netflix é muito reveladora para uma sociedade que não parou de ganhar assinantes durante uma década inteira”, reagiu Ross Benes, analista da eMarketer.

“Com as assinaturas em baixa e perspetivas de crescimento fracas, a Netflix vai ter de se reorientar para segmentos secundários, como os videojogos ou os produtos derivados para procurar fazer crescer os seus lucros”, acrescentou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR