“Há algumas equipas que são modas, que têm fases, que podem surpreender uma temporada. Mas este clube es la puta rehostia!! Parabéns Real Madrid, parabéns madridistas!”. Iker Casillas não cabia em si de contente nas redes sociais após o final do encontro com o Liverpool. Há símbolos que podem estar mais ou menos presentes na vida de um clube mas vivem-no como ninguém. O guarda-redes, a par do avançado Raúl González que estava em Paris, são dois bons exemplos disso mesmo. Mas no meio da euforia versão tecnológica, o antigo capitão não se esqueceu também daquele que foi de longe o MVP do encontro.

Carletto mostrou que não é para quem quer, é para quem pode (a crónica do Liverpool-Real Madrid)

Não me recordo de ver um guarda-redes ser tão determinante numa final da Liga dos Campeões como o Thibaut Courtois”, destacou Casillas, que curiosamente tem uma das defesas mais recordadas de sempre em decisões no triunfo do Real Madrid em 2002.

Faz sentido. Todo o sentido. Foram nove defesas conseguidas, sete em remates feitos dentro da área (quase todos de Salah), duas perto da baliza. Com as mãos, com o pé esquerdo na versão recurso, com o braço direito no momento de maior importante quase por instinto. Com isso, chegou a nota 10 que muitos pensavam que seria de um médio ou de um avançado. Na verdade, foi: cada parada foi como um golo.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Aos 30 anos, Courtois já não tem propriamente um currículo pequeno. Formado no Genk, onde se estreou como sénior e ganhou uma Liga belga, o guarda-redes assinou pelo Chelsea em 2011 mas esteve cedido por empréstimo três anos ao Atl. Madrid ganhando uma Liga espanhola, uma Taça do Rei, uma Liga Europa e uma Supertaça Europeia. Afirmou-se depois em Londres, com duas Ligas inglesas, uma Taça e uma Taça da Liga, e foi vendido ao Real Madrid em 2018, somando até agora duas Ligas espanholas, duas Supertaças e um Mundial de Clubes. Faltava apenas uma Champions, após a derrota de 2014 em Lisboa.

“Precisava de ganhar uma final para a minha carreira, para colocar algum respeito no meu nome. Estou muito feliz e orgulhoso do desempenho da equipa. É incrível, tantos anos e tanto trabalho. Vim para o clube da minha vida. Vi muita gente a criticar-me. Hoje mostrámos quem é o rei da Europa. Senti-me bem nas últimas semanas”, começou por destacar o belga que em 2018 foi terceiro no Mundial de seleções.

“Assim que fazes a primeira defesa… Ninguém poderia tirar-me o desejo de ganhar a Liga dos Campeões. Lamento pelo meu irmão, que vai casar-se amanhã [domingo] e eu não posso estar lá. Na segunda-feira há outro casamento pelo civil e eu estarei lá. Vencemos as melhores equipas do mundo. O Manchester City e o Liverpool estiveram a um nível fantástico esta temporada, o Liverpool fez um grande jogo na final mas tivemos uma oportunidade e marcámos”, concluiu o guarda-redes considerado o MVP do jogo.