A dois dias do arranque da 46.ª edição da Festa do Avante, comunistas e simpatizantes finalizam os preparativos na Quinta da Atalaia e a organização quer fazer do certame político-cultural um “espaço de paz”.

“A minha resposta é muito simples: a Festa do Avante é um espaço de paz — era, continua a ser e sempre será um espaço de paz —, o nosso posicionamento é este”, sustentou à Lusa Madalena Santos, responsável pela organização da “Festa”.

Nos últimos dois anos, em plena pandemia, a rentrée comunista foi alvo de críticas por ter-se realizado com um número de pessoas acima do permitido para outros eventos, mas o PCP justificou-se sempre com a índole política deste certame. O partido considera que as edições em tempo de pandemia falam por si e que passou na prova de fogo.

No entanto, o posicionamento em relação à guerra na Ucrânia pode ser novo teste a um evento que tem estado envolto em polémica, algo que Madalena Santos, responsável pela organização da rentrée do PCP, disse estar acautelado.

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Membro da Organização Regional de Lisboa do PCP, Madalena Santos explicou que o partido pretende demonstrar ao público que se bate pela paz em qualquer circunstância e que não se posiciona ao lado da guerra, apesar de vários comentadores e figuras políticas terem ‘apontado o dedo’ aos comunistas por um alegado alinhamento com o Kremlin.

A manhã desta quarta-feira foi de poucas movimentações na Quinta da Atalaia. Aqui e ali montavam-se os últimos palcos — nomeadamente aquele em que o secretário-geral do PCP se vai dirigir aos militantes e o do Avanteatro —, aparafusava-se o que estava em falta e colocavam-se as últimas tábuas para robustecer as bancas e as zonas dos comes e bebes.

No recinto desportivo que vai acolher os torneios de futsal, rugby em cadeira de rodas, entre outros, um militante prende ao chão uma bandeira gigante com um cravo vermelho e as palavras “liberdade, democracia e socialismo” escritas a amarelo.

Vários artistas que compõem o cartaz, como Dino D’Santiago e a banda Mão Morta, também foram criticados por aceitarem fazer parte da Festa do Avante.

A responsável pela organização respondeu às críticas propaladas nas redes sociais: “os artistas são todos bem-vindos e o posicionamento aqui é o de fazerem o seu trabalho”.

O certame político-cultural também é, na opinião de Madalena Santos, “um espaço de liberdade” quanto ao modo como os artistas “trabalham a sua arte”.

As restrições e cuidados acrescidos a que pandemia obrigou nos últimos anos são coisa do passado e este ano a Festa do Avante faz-se como no período pré-pandemia, mas com modificações das duas últimas edições que “pegaram”, nomeadamente, os lugares sentados para assistir ao concerto de música clássica, na sexta-feira, e o pagamento “contactless”

A Lusa constatou que este ano havia muito mais pessoas a ajudar nos preparativos do certame político-cultural do que em anos anteriores. Madalena Santos disse que nas últimas semanas “muitas centenas” de pessoas passaram por este recinto na freguesia da Amora, concelho do Seixal, para “construir a ‘Festa'”.

E nem todos eram comunistas: “Há muitos amigos que trabalham connosco, há muitos democratas que vêm ao fim de semana dar o seu contributo, julgo que este ano há mais gente”.

A habitual música de intervenção que sai pelos altifalantes preenchia todos os espaços da Quinta da Atalaia, enquanto camiões circulavam de um lado para o outro. Uns carregar barris de cerveja, outros, mais velhos e enferrujados, a levar “camaradas” de uma ponta para a outra do recinto.

Os comunistas costumam dizer que “não há festa como esta”, mas até à abertura de portas às 18h00 de sexta-feira ainda há detalhes a afinar, bandeiras para colocar, cravos para pintar nas paredes e jantaradas para preparar.