A taxa de inflação atingiu os 10% na Alemanha, em setembro, o primeiro registo de dois dígitos nos últimos 70 anos. É um valor que, pelo simbolismo, irá agravar a pressão pública sobre as autoridades alemãs e sobre o BCE para que mantenha a trajetória de subida dos juros.

Os dados revelados esta quinta-feira mostram que os preços da energia e dos bens alimentares continuam a ser as áreas onde a inflação se está a sentir de forma mais intensa. Porém, a subida de preços também já se alastrou a outros segmentos dos bens e serviços.

“Não há fim à vista” na pressão sobre os preços, nota Ralph Solveen, economista do alemão Commerzbank. “No próximo ano a taxa de inflação só deverá cair porque os preços da energia não devem subir de forma tão rápida [na comparação homóloga] como este ano, em parte devido à intervenção dos governos”. “As pressões subjacentes sobre os preços devem continuar a ser elevadas”, remata o economista.

No mês anterior, agosto, a inflação homóloga tinha-se fixado em 7,9%, o que significa que entre agosto e setembro a inflação homóloga saltou mais de dois pontos percentuais. “A inflação está a ferver”, dizem os economistas do ING, em nota de análise, onde mostram acreditar que “a inflação vai continuar a subir” e só na próxima primavera é que o ritmo de aumento dos preços poderá atenuar-se devido ao efeito-base (ou seja, pelo facto de se estar a comparar, em termos homólogos, com a primavera de 2022, altura em que os preços já tinham atingido um patamar mais elevado).

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR