Milhares de britânicos saíram este sábado às ruas de Londres em protesto contra o aumento do custo de vida, após uma semana de caos nos mercados financeiros.

“O novo Governo conservador de Liz Truss havia prometido ação imediata para lidar com a crise, mas o anúncio na semana passada de cortes de impostos destinados aos mais ricos, provocou mais raiva e incompreensão do que qualquer outra coisa”, escreve a agência France-Presse.

Os manifestantes que este sábado convergiram para Westminster, no centro de Londres, que responderam ao apelo de várias organizações, exibiram cartazes com mensagens como “Apoie as greves”, “Congelem os preços, não as pessoas” ou mesmo “Impostos para os ricos”.

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Lily Holder, uma manifestante de 29 anos, disse que “as pessoas estão fartas” e “o inverno – que promete ser rigoroso para muitas famílias que lutam para pagar suas contas – vai mostrar a real crueldade” do Governo.

“Não posso pagar, não vou pagar”, gritavam manifestantes do lado de fora da estação de King’s Cross, enquanto queimavam reproduções de contas de energia.

Ativistas climáticos do grupo “Just Stop Oil”, que participaram no protesto, bloquearam várias pontes de Londres, pedindo ao Governo conservador que “resolva a crise do custo de vida e a crise climática, interrompendo novos investimentos em petróleo e gás”.

Os conservadores reúnem-se a partir de domingo, em Birmingham, para o seu congresso anual e, de acordo com a imprensa britânica, já estão a chegar cartas contra Liz Truss.

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“Alguns conservadores ficaram surpresos com os anúncios orçamentários imprecisos que ela fez, enquanto outros já sentem falta do ex-primeiro-ministro Boris Johnson, apesar das suas travessuras e mentiras”, refere a France-Presse.

De acordo com a agência noticiosa francesa, a maioria dos britânicos saudou friamente o “mini-orçamento” apresentado pelo Governo na semana passada.

Os anúncios também deixaram os mercados em pânico e levaram a libra esterlina a uma baixa histórica, levando à intervenção do Fundo Monetário Internacional e do banco central inglês (Bank of England).

O ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, disse, na sexta-feira, para justificar os cortes maciços de impostos, que “não fazer nada não era uma opção”. “Imagine o custo para a economia do Reino Unido o desemprego em massa, um colapso no consumo e as empresas a fechar”, afirmou.

Kwarteng prometeu um plano para reduzir a dívida no médio prazo, mas a agência de classificação Standard & Poor’s foi cética, revendo para baixo a sua previsão para a sustentabilidade da dívida soberana britânica.

As mobilizações de protesto, que se multiplicaram desde junho em todos os setores, foram retomadas após uma trégua observada após a morte de Isabel II, em 8 de setembro.

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