Pela primeira vez na história as mulheres estão em superioridade na Filarmónica de Nova Iorque. A orquestra, que durante grande parte dos seus 180 anos de história foi composta exclusivamente por elementos do sexo masculino, tem agora 45 mulheres para 44 homens.

Fundada em 1842 — num altura em que as mulheres não só eram desencorajadas de perseguir carreiras musicais, como raramente sequer assistiam a concertos, a menos que estivessem acompanhadas por homens — foi apenas em 1922 que a orquestra contratou a sua primeira mulher (a harpista Stephanie Goldner). De lá para cá passaram 100 anos, até ao momento em que, pela primeira vez, o sexo feminino é o “sexo forte” na conceituada Filarmónica.

“Esta foi — e continua a ser — uma batalha longa e árdua, que estamos a vencer”, afirmou ao New Y0rk Times a presidente executiva do conjunto, Deborah Borda, referência na gestão de orquestras. “É um sinal de avanços tremendos”, sustenta.

Architect Frank Gehry at Harvard

Deborah Borda é atualmente a presidente executiva da Filarmónica de Nova Iorque.

Atualmente nos Estados Unidos, a paridade entre homens e mulheres em orquestras musicais já ronda os 50/50. No caso específico de Nova Iorque, das últimas 12 contratações, 10 foram mulheres, dado que espelha a cada vez maior preponderância do sexo feminino no meio musical. Borda não tem dúvidas: “As mulheres estão a conquistar estas posições com toda a justiça”.

O progresso tem sido lento: após a saída de Stephanie Goldner da Filarmónica, em 1932, passaram 34 anos até à segunda contratação feminina. No início da década de 1970, havia apenas cinco mulheres entre dezenas de músicos. Foi nessa altura que, numa tentativa de tornar o processo mais justo e inclusivo, a seleção passou a ser feita “às cegas”, com músicos a fazerem os castings atrás de vidros — o seu talento musical a única coisa a ser avaliada.

O progresso não deverá ficar por aqui. Atualmente, apenas um terço das posições de liderança na orquestra são ocupadas por mulheres, e há ainda muito poucos músicos pertencentes a minorias étnicas. Além disso, ainda é possível identificar disparidades em diferentes secções do conjunto (a título de exemplo, em 30 violoncelistas na Filarmónica de Nova Iorque, 27 são mulheres).

Contudo, músicos como Deborah Borda reconhecem as mudanças que já foram efetuadas e mostram-se confiantes quanto ao futuro: “tudo o que queremos é paridade”, afirma, “porque a sociedade é 50/50”.

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