Enviado especial do Observador em Doha, no Qatar

Nem chegou a ser preciso perguntar, o próprio Fernando Santos acabou por falar sobre isso durante a sua parte da conferência de imprensa. Recuando quatro anos até ao Mundial de 2018, casos como aquele que tem marcado a atualidade em relação a Cristiano Ronaldo, mesmo não sendo tão mediáticos, existiam e não estavam apenas resumidos a um jogador. Porque existia elementos em vias de trocar de clube, outros que tinham estado emprestados e não sabiam o seu futuro, outros ainda que tinham acabado de rescindir de forma unilateral os seus contratos. Era aqui que estava Bruno Fernandes. Uma espécie de versão I, que mantém o mesmo espírito de liderança mas mudou de forma radical a carreira para passar de jogador sem clube para jogador com um novo contrato com o Sporting e a assumir funções de capitão antes daquela que continua a ser a maior transferência do clube leonino para o Manchester United. Hoje, é uma versão II.

Líder do conjunto de Old Trafford, integrante do lote de capitães do histórico clube da Premier League e com um peso diferente em relação ao que tinha quando estava no passado Mundial, o médio foi o escolhido para falar na primeira conferência de imprensa de antevisão de um encontro, frente ao Gana. E até pelo clube onde joga atualmente, a escolha não poderia ter sido mais perfeita para encher a sala (o facto de a FIFA ter revelado mais cedo quem falava também ajudou) e, em paralelo, colocar pedras sobre alguns assuntos que estavam diretamente relacionados com o inevitável Cristiano Ronaldo, também ele um jogador livre.

“Se Ronaldo falou comigo antes da rescisão? O Cris não falou comigo, é uma decisão pessoal, que lhe diz respeito só a ele e à família. Não falámos sobre isso e é ponto assente que todos estão focados na Seleção e no Mundial. Todos sabem o valor que damos ao facto de representar o país, todos querem estar numa competição como o Mundial e toda a gente está ciente do que tem de fazer. Desconfortável por ter de escolher um lado? Não tenho de escolher lado… Jogar com ele no United depois de termos estado já aqui na Seleção foi o concretizar de um sonho foi sempre um dos meus ídolos mas nada dura para sempre. Para mim foi ótimo, mas foi bom enquanto durou. Ele tomou outra decisão para a sua carreira e há que respeitar, só nós como jogadores e pais de família sabemos que decisões necessitam de ser tomadas”, referiu o médio que pode chegar às 50 internacionalizações frente ao Gana, antes de abordar as imagens na chegada à Seleção.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.