A campanha dos Bancos Alimentares contra a Fome, que no fim de semana angariou mais de duas mil toneladas de alimentos, “superou todas as expectativas mais favoráveis”, admitiu a presidente da organização, para quem a solidariedade dos portugueses “não abranda”.

Os Bancos Alimentares contra a Fome (BA) recolheram 2.086 toneladas de alimentos, durante campanha nacional que decorreu no fim de semana, um valor que representa um aumento de 24% em relação à campanha realizada em igual período de 2021, de acordo com dados da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome enviados à Lusa.

Campanha dos Bancos Alimentares contra a Fome recolhe 2.086 toneladas de alimentos

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Em declarações esta segunda-feira à agência Lusa, a presidente da instituição admitiu que a mais recente campanha “superou todas as expectativas”, apontando que, tendo em conta os valores atuais da inflação, seria difícil de prever que fosse possível superar os valores de campanhas anteriores.

“É talvez aquela em que se conseguiu o maior valor de doações. Em quantidade, o valor é muito próximo de campanhas de 2017, que foi quando se registaram os números mais elevados”, adiantou Isabel Jonet.

Para a responsável, “os portugueses aderiram de forma entusiasta” e o nível de adesão demonstra a “atenção dos portugueses para com as famílias mais vulneráveis e que enfrentam situações mais difíceis”.

“Hoje todos nós conhecemos famílias que estão a passar dificuldades”, apontou a responsável, admitindo que essa seja uma das razões para tanta gente ter contribuído.

Isabel Jonet lembrou que a conjuntura atual é “totalmente diferente” da de 2017, uma vez que o país enfrenta um cenário inflacionista e muita insegurança sobre o futuro por causa da guerra na Ucrânia, aos quais se junta a expectativa de que as taxas de juro não diminuam no curto prazo.

“Poderíamos prever muito menos doações e o que verificámos foi que os sacos vinham um pouco menos cheios, mas houve muito mais pessoas a doar e voluntários a ajudar”, sublinhou.

Isabel Jonet admitiu mesmo que nunca imaginou alcançar semelhante resultado: “É incrível. Esta adesão é sinal de uma solidariedade que não abranda”.

A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares lembrou ainda que quem não teve oportunidade de ir ao supermercado durante o fim de semana, mas quiser contribuir para a campanha pode fazê-lo através do canal online (www.alimentestaideia.pt) ou através da compra de vales, disponíveis em supermercados de todo o país, até ao dia 04 de dezembro.

Esta foi a segunda campanha de recolha de alimentos depois do confinamento imposto pela pandemia da Covid-19, tendo decorrido junto de dois mil supermercados, com a ajuda de cerca de 40 mil voluntários dos 21 Bancos Alimentares espalhados pelo país.

Os alimentos recolhidos vão começar a ser distribuídos já a partir da próxima semana, contribuindo para ajudar a suprir as necessidades alimentares de cerca de 400 mil pessoas, apoiadas por 2.600 instituições, quer através de cabazes de alimentos, quer através de refeições confecionadas, indicou a federação.

No ano passado, os 21 Bancos Alimentares em atividade em Portugal distribuíram 34.551 toneladas de alimentos (com o valor estimado de 48 milhões de euros), num movimento médio de 105 toneladas por dia útil.

Em 2020, quase dois milhões de portugueses estavam em risco de pobreza, mais 200 mil pessoas do que no anterior, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em janeiro.