O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte de uma mulher devido às inundações na região de Lisboa, destacando a necessidade de serem realizadas “obras estruturais” para o escoamento de águas. “Estava fora de Lisboa e fiquei surpreendido. O problema é mais vasto do que Lisboa, mas em Lisboa, ao final da tarde, início da noite, percebi que a situação estava mais grave”, sublinhou o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas na zona de Alcântara na madrugada desta quarta-feira.

Marcelo Rebelo de Sousa endereçou os sentimentos à família da mulher que morreu na noite de quarta-feira na zona de Algés, Oeiras, devido à inundação da sua habitação. O chefe de Estado sublinhou também que as inundações devido às chuvas fortes que atingiram a capital portuguesa mostram a necessidade de serem realizadas “obras estruturais”.

Também presente em Alcântara, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, salientou que foi aprovada esta quarta-feira em Assembleia Municipal de Lisboa a “obra dos túneis de drenagem”. “Fala-se desta obra há 20 anos. Vai começar em março e vamos evitar estas cheias de uma vez por todas. Estará pronta em 2025 e são dois túneis, um de Campolide até Santa Apolónia e outro entre Chelas e o Beato”, explicou Carlos Moedas, em declarações aos jornalistas.

De Alcântara, Marcelo e Moedas seguiram pela Praça de Espanha e Campo Pequeno até ao Campo Grande, testemunhando várias zonas inundadas e desvios de trânsito. “A situação é muito difícil e realmente ter 10% da precipitação anual numa noite é muito complicado, mas temos todas as pessoas na rua e estamos a resolver as situações”, reforçou o presidente da câmara de Lisboa. “Temos estruturalmente de mudar as coisas”; sublinhou.

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Os dois seguem ainda esta noite para a zona ribeirinha e o Presidente Marcelo seguirá para Belém e depois para Algés.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou o estado de alerta para laranja nos distritos de Lisboa, Setúbal, Faro e Santarém até às 14h00 devido às chuvas fortes que se fazem sentir no continente. O comandante nacional de Emergência e Proteção Civil, André Fernandes, disse ainda que Leiria, Beja, Évora e Portalegre encontram-se em alerta amarelo.

Falando na sede da ANEPC em Carnaxide, em Oeiras, André Fernandes indicou que no distrito de Lisboa e Setúbal há várias estradas e linhas de comboio cortadas. “Temos as vias cortadas no IC 20. No acesso à Costa da Caparica, no distrito de Setúbal, temos a radial de Benfica, em Lisboa, cortada em ambos os sentidos por inundação e temos a circulação [ferroviária] interdita na Linha do Norte, entre Oriente e Alverca”, adiantou.

Também o acesso às estações de comboio, nomeadamente na Linha de Cascais, em Algés, está cortado. “A Linha de Sintra, na estação da Amadora, também está cortada por inundação”, sublinhou. André Fernandes acrescentou que os acessos às estações de Alcântara e Campolide, em Lisboa, estão interditos devido a inundação.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que prevê chuva forte e trovoada até às 02h30, havia colocado durante a noite os distritos de Lisboa, Faro e Santarém em aviso vermelho. De acordo com o IPMA, o aviso vermelho, o mais grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação meteorológica de risco extremo. Setúbal, Leiria e Beja foram colocados em aviso laranja e os restantes distritos em amarelo.

O aviso laranja indica situação meteorológica de risco moderado a elevado e o amarelo é emitido pelo IPMA sempre que existe uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.