O chanceler alemão, Olaf Scholz, classificou hoje como “grave” a presença da ex-deputada da extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) na alegada organização terrorista desmantelada na quarta-feira e que planeava tomar o parlamento (Bundestag).

“É obviamente um caso mais do que notável e gravíssimo”, afirmou Scholz, num encontro com os chefes dos governos regionais, a propósito das operações realizadas na quarta-feira em 11 Estados federados, em que foram detidas 25 pessoas.

A operação policial mostrou “a capacidade de atuação da nossa democracia” e a determinação de atuar “com toda a firmeza” contra esses grupos, acrescentou.

Entre os 25 envolvidos, 23 dos quais só foram detidos hoje, está a juíza e ex-deputada da AfD Birgit Malsack-Winkemann.

De acordo com a investigação aberta pela Procuradoria-Geral, o grupo está ligado aos “Reichsbürger” ou “Cidadãos do Reich”, movimento radical que não reconhece as atuais fronteiras da Alemanha, bem a ordem constitucional ou autoridades.

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A organização era constituída por uma espécie de conselho consultivo e um braço armado, disse o procurador-geral, Peter Frank, e o seu objetivo era “destruir a ordem democrática constitucional na Alemanha através da violência e meios militares”.

O líder do grupo é alegadamente um aristocrata, identificado como Heinrich K.R. e que se autodenomina de Heinrich XIII ou príncipe de Reuss.

Trata-se de um empresário de 71 anos, radicado em Frankfurt, ativo no setor imobiliário e conhecido por espalhar teorias da conspiração.

Entre os detidos estava um cidadão russo, cuja tarefa era supostamente estabelecer negociações com a Rússia após o ataque ao parlamento.

Ao todo, 3.000 agentes participaram da operação policial e foram revistadas 150 casas ou escritórios, distribuídos em 11 Estados federados.

Segundo noticiou na quarta-feira o jornal alemão Die Welt, a juíza alemã Birgit Malsack-Winkemann demitiu-se do cargo.