A Moody’s considera que a perspetiva de crédito para os países da zona euro é negativa este ano, devido a uma recessão projetada para 60% destes países e à crise energética, foi divulgado esta segunda-feira.

Num relatório de análise, que não constitui uma ação de ‘rating’, a agência de notação financeira prevê que 60% dos países da zona euro estarão em recessão este ano, com a contração das economias na Alemanha, em Itália e Eslováquia a cortar o PIB destes países abaixo dos níveis pré-pandemia.

“As medidas de apoio a nível nacional e da União Europeia e a redução da interrupção nas cadeias de abastecimentos globais irão atenuar alguns desses efeitos, mas ainda prevemos que 60% dos soberanos da zona euro irá estar em recessão em 2023″, disse Heiko Peters, analista na Moody’s.

A Moody’s explica assim que a perspetiva para a qualidade de crédito soberana na zona euro em 2023 é negativa, já que a crise energética, o aumento das taxas de juros e a desaceleração do crescimento global irão desencadear uma leve recessão.

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Para a agência, a acrescentar a este cenário, caso se concretize, a estagflação poderá ter “graves consequências” para a avaliação de alguns soberanos do sul da Europa.

A longo prazo, os preços elevados da energia “também podem enfraquecer a competitividade de preços da região e levar a um declínio estrutural nas bases industriais na ausência de uma ação efetiva dos governos”.

Realçando que embora não seja o cenário base da Moody’s, a agência assinala que uma escalada do conflito Rússia-Ucrânia que envolva os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) ou da União Europeia teria implicações negativas de crédito.