Os principais responsáveis europeus quiseram aproximar a União Europeia da Ucrânia com uma cimeira em Kyiv em que apresentaram alguns “paliativos” ao Presidente ucraniano, que anseia pela integração o quanto antes. Com a intensificação da ofensiva russa e a exigência por parte de Kyiv de sinais claros de que a União Europeia (UE) quer integrar a Ucrânia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, deslocaram-se à capital do país que foi invadido há quase um ano para impedir a frustração das aspirações ucranianas e, em simultâneo, resfriar as ambições de Volodymyr Zelensky.

Fazer o “criminoso pagar e ser responsabilizado” foi a expressão que Ursula von der Leyen mais utilizou entre quinta e sexta-feira em Kiev — um eco daquilo que é a postura da presidente da Comissão desde o início da guerra.

Com a Federação Russa a optar pela destruição de infraestruturas críticas da Ucrânia, von der Leyen insistiu na necessidade de obrigar o Kremlin a pagar de duas maneiras: nos tribunais, pelos eventuais crimes de guerra cometidos, e na reconstrução do país que invadiu em 24 de fevereiro.

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Na quinta-feira, durante uma conferência de imprensa conjunta com Zelensky depois das reuniões entre o colégio de comissários europeus e o Governo ucraniano, von der Leyen apresentou um rol de cidades da UE que têm protocolos com localidades ucranianas, mas, pelo meio, tropeçou no nome de algumas e foi corrigida pelo Presidente da Ucrânia, protagonizando um breve momento de gargalhada.

Entre reuniões e visitas, os representantes do bloco comunitário de que a Ucrânia quer fazer parte em 2026 (prazo que para os Estados-membros é incomportável) deixaram “paliativos” para segurar as aspirações de Kiev: a renovação dos protocolos estabelecidos há um ano que facilitam o comércio entre a Ucrânia e os 27, avanços na inclusão no Mercado Interno da UE e a promessa de um apoio contínuo em todas as frentes (militar, financeira, humanitária e até energética — von der Leyen anunciou que agora era a vez de a União fornecer eletricidade ao país).

Se do lado de von der Leyen vieram os anúncios, do lado do presidente do Conselho Europeu chegou a garantia de que a Ucrânia vai fazer parte da UE e os avanços, em particular na área do combate à corrupção, estão a trilhar esse caminho.

Zelensky agradeceu o apoio e insistiu na necessidade de fazer com que a Ucrânia esteja mais bem preparada para a grande ofensiva que Moscovo estará a preparar para o início da primavera.

Com o fim do inverno e o gelo a deixar de ser obstáculo, vários analistas estão a prever uma intensificação da ação militar russa. Por isso, Zelensky quis transmitir que a Ucrânia está a correr contra o tempo para estar pronta para o que vier.

No final da cimeira desta sexta-feira surgiu uma deliberação, dividida em 32 pontos, que reforça a cooperação estabelecida há um ano e avança em outras matérias, nomeadamente no próximo pacote de sanções da UE contra a Rússia, que quer cortar a possibilidade de Moscovo reparar o armamento danificado em combate e de poder adquiri-lo por outros canais, uma prioridade da UE desde o início da guerra.

Entre a promessa de escrever o futuro do país na União Europeia, o pedido de mais apoio e a vontade de transmitir uma mensagem ao Kremlin com firmeza, Ursula von der Leyen, Charles Michel e Volodymyr Zelensky quiseram passar uma ideia de unidade sobre um processo e um conflito que continuam a gerar discórdia dentro da União.