A Comissão Europeia destacou esta terça-feira “o apreço” pelo trabalho com o até agora diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), António Vitorino, que esteve no cargo desde 2018, felicitando e esperando cooperação com a nova diretora-geral.

“Felicitamos Amy Pope, que foi eleita diretora-geral da OIM. Aguardamos com grande expectativa a oportunidade de trabalhar com ela, [dado que] a OIM é um parceiro crucial para a União Europeia”, indica a porta-voz da Comissão Europeia para os Assuntos Internos, Anitta Hipper, numa resposta enviada esta terça-feira à agência Lusa.

Na nota, a porta-voz assinala que a comissária europeia da tutela, Ylva Johansson, já veio a público mostrar “o seu apreço a António Vitorino pela sua liderança no domínio das migrações nos últimos anos”, sendo que era esta a candidatura que a União Europeia (UE) apoiava.

Na passada sexta-feira, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, revelou então que a UE iria apoiar a recandidatura de António Vitorino para diretor-geral da OIM, falando numa “prova de união”, já que todos os Estados-membros concordavam com tal apoio.

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Porém, esta segunda-feira, o português António Vitorino retirou a recandidatura à liderança da OIM, após ter perdido a primeira votação para Amy Pope, a até agora vice-diretora-geral, revelou à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Hoje [terça-feira], durante a primeira volta, o resultado apontou para um apoio maior para a candidata americana e senhor António Vitorino tomou a decisão de retirar a sua candidatura”, disse João Gomes Cravinho na segunda-feira, em declarações por telefone a partir de Genebra, onde se encontrava a acompanhar a votação para a OIM.

“Pensamos que ele teria sido, de facto, o melhor candidato para os próximos cinco anos, mas respeitamos [a decisão], é a democracia a funcionar no sistema multilateral“, adiantou João Gomes Cravinho, deixando elogios ao trabalho de António Vitorino no seu mandato, iniciado em 2018, em tempos “extremamente difíceis, com grandes crises internacionais, incluindo a pandemia” de Covid-19.

Amy Pope tornou-se na aposta de Washington para liderar a OIM, com o governo de Joe Biden a destacar, durante a campanha para estas eleições, o dinamismo da candidata para reformar o órgão das Nações Unidas.

Washington descreveu-a como uma “líder dinâmica com experiência em conceitualizar e supervisionar mudanças transformadoras em organizações, incluindo na própria OIM”, organização que tem sido liderada maioritariamente por norte-americanos e que nunca havia tido uma mulher no comando.

O percurso profissional de Amy Pope levou-a ao cargo de vice-conselheira de segurança interna do ex-presidente norte-americano Barack Obama, além de ter sido — por um curto período de tempo — assessora do atual executivo para as migrações.

Na Casa Branca, lidou com crises migratórias, tráfico de pessoas, surtos de zika e ébola e preparação de comunidades para reagir às crises climáticas.

Em 2021, foi nomeada vice-diretora-geral da OIM, com foco na gestão e reforma.

Os principais objetivos do mandato da norte-americana são construir relacionamentos mais profundos com os membros da OIM, usar big data das comunidades para prever os efeitos das mudanças climáticas e identificar as comunidades mais resilientes, além de procurar aliados no setor privado para trabalhar de forma integral.