O ministro chileno do Desenvolvimento Social renunciou ao cargo na sexta-feira após semanas de pressão da oposição e ameaça de um processo de destituição por supostas irregularidades na transferência de subsídios públicos para fundações privadas.

“Depois de uma reunião com o Presidente, gostaria de anunciar que tomei a decisão de apresentar a minha demissão”, disse Giorgio Jackson numa conferência de imprensa.

A saída de Jackson é um golpe para o Presidente, Gabriel Boric, já que os dois são amigos próximos desde os protestos estudantis que lideraram em 2011 e foram fundadores da Frente Ampla, a coligação que governa o país desde março de 2022, juntamente com o Partido Comunista e as forças de centro-esquerda.

“Estou a afastar-me depois de perceber que a minha presença no Governo foi usada pela oposição como desculpa para não avançar nos acordos que o Chile exige”, disse Jackson, referindo-se ao bloqueio das principais reformas (fiscal e das pensões).

A demissão surge em vésperas de um processo de destituição promovido pelo Partido Republicano, ao qual se juntou o resto da oposição, no âmbito do chamado “Caso dos Convénios”, em que estão envolvidos ativistas e autoridades do partido da coligação governamental Revolução Democrática (RD), fundado pelo próprio Jackson.

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O “Caso dos Convénios” teve início em junho na região norte de Antofagasta, quando foram descobertas alegadas irregularidades em acordos milionários assinados entre a delegação regional do Ministério da Habitação e a fundação Democracia Viva, ligada à RD.

Pelo menos cinco responsáveis já se demitiram, incluindo os antigos subsecretários da Habitação e da Cultura, Tatiana Rojas e Andrea Gutiérrez, respetivamente.

“Vou tomar todas as medidas necessárias para desmascarar essas mentiras, injúrias e calúnias e revelá-las como tal”, concluiu Jackson, que será substituído por Paula Poblete, até agora subsecretária de Avaliação Social.