Paris Hilton, a conhecida herdeira norte-americana, assina um artigo de opinião no jornal britânico Telegraph, no qual fala sobre os seus esforços para que o Congresso norte-americano aprove legislação bipartidária para impedir o abuso infantil em instituições.

“Fui abusada quando era adolescente. Nenhuma criança deve sofrer o que eu sofri”, diz Hilton no título do artigo de opinião. Já é conhecido há vários anos que a norte-americana foi vítima de abuso físico, verbal, mental e também sexual quando esteve num internato durante dois anos.

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No artigo, relata a experiência na primeira pessoa. “Aos 16 anos, a meio da noite, dois homens entraram à força no meu quarto e perguntaram se eu queria ‘ir da forma fácil ou da forma difícil’”, recorda Paris Hilton. “Por uma fração de segundo pensei que estava a dar os meus últimos suspiros. Pensei que ia morrer.” Mas, afinal, tudo não passou de uma ação a pedido dos pais.

“Gritei por ajuda mas, quando me levavam, vi a minha mãe e o meu pai à porta de casa, a soluçar. Tinham orquestrado tudo com a promessa de que o ‘amor duro’ me ajudaria a enveredar por um caminho melhor.” Paris Hilton descreve que era vista como uma “adolescente problemática” e que, num internato, poderia ‘endireitar’.

Mas, durante os dois anos em que esteve na Provo Canyon School, no estado do Utah, Paris Hilton foi vítima de violência, física e psicológica, forçada a tomar medicação sem qualquer tipo de recomendação médica, “privada de sono, espreitada enquanto estava o chuveiro, enviada para a solitária e alvo de gritos constantes”.

Relata ainda que foi acordada várias vezes a meio da noite e sujeita a abusos físicos com o pretexto de que se tratava de uma “avaliação médica”. Diz que sofreu durante duas décadas com o trauma, mas que “agora está a transformar a dor em propósito” ao tentar que o Congresso aprove esta legislação, chamada “Stop Institutional Child Abuse Act”.

Paris Hilton diz que só nos EUA existem 200 mil menores que são enviados anualmente para instituições como internatos, escolas distritais, casas de acolhimento temporário ou instituições juvenis, onde são sujeitas a abusos, sejam eles “físicos, químicos, de trabalhos forçados ou negligência médica”.

A socialite argumenta que “esta história nunca fez parte da sua marca”, mas que, contá-la e fazer com que os legisladores ouçam, “é a coisa mais importante que alguma vez vai fazer”.

Paris Hilton é agora mãe de duas crianças – Phoenix e London, uma menina cujo nascimento foi anunciado recentemente – e tem o objetivo de fazer com que, quando os dois chegarem à adolescência, “nenhuma criança seja abusada em nome de ‘tratamento’ a nível global”.

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