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Crianças drogadas e “marcadas” no corpo com tubos de escape, uma jovem ferida que foi operada por um veterinário e uma mãe que foi mantida em cativeiro durante um mês sem saber se a filha de três anos estava viva ou morta. Os relatos de familiares dos 110 reféns libertados pelo Hamas começam a ser partilhados e revelam pormenores perturbadores que levantam a ponta do véu sobre o que se passou na Faixa de Gaza após o ataque da organização terrorista em Israel a 7 de outubro, quando foram levados à força para Gaza mais de 200 cidadãos israelitas e estrangeiros.

Haaretz revela esta sexta-feira algumas das experiências vividas pelos reféns até à sua libertação, depois de um conjunto de familiares prestar declarações em conjunto aos meios de comunicação social israelitas na quinta-feira. O tio de Yagil e Or Yaakov, dois reféns menores de 12 e 16 anos, relatou que o Hamas pegava na perna de cada criança e a encostava ao cano de escape quente de uma mota com a intenção de marcar e identificar os reféns mais tarde. Além disso, assinalou os maus tratos que as crianças sofreram, bem como o facto de terem sido drogadas.

Mia Schem, uma refém libertada na quinta-feira, foi atingida por tiros dos terroristas no festival de música que foi um dos palcos para o massacre de 7 de outubro e foi levada para Gaza. A sua tia, Vivian Hadar, contou aos jornalistas que a sobrinha foi operada a uma mão por um veterinário enquanto esteve presa e garante que o ferimento de bala não foi devidamente tratado. Segundo a tia, Mia “sabia que precisava de fazer fisioterapia” para não perder a função da mão e tentou fazê-lo sozinha. Revelou ainda que a jovem ainda não consegue falar muito sobre o que passou durante as últimas semanas, mas que, perante a sua reação às perguntas que lhe são feitas, mostra sinais de estar muito abalada e traumatizada com tudo o que viu e experienciou.

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Gili Roman, o irmão de Yarden Roman, que foi libertada na quarta-feira, revelou que a irmã foi mantida sem informações sobre a sua filha de três anos durante a maior parte do tempo que esteve em cativeiro na Faixa de Gaza. Não sabia se a criança estava viva ou morta. Gili descreve o estado psicológico da irmã como debilitado, depois de estar sob “uma nuvem muito negra”, perante a incerteza sobre o destino da filha e dos restantes familiares, após o ataque de 7 de outubro. Os relatos de subnutrição, maus tratos físicos e psicológicos, bem como a exposição de crianças a combates intensos à superfície quando os terroristas as movimentavam entre locais de cativeiro são comuns entre as dezenas de reféns que partilharam o seu testemunho através dos familiares.

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