O antigo consultor de comunicação do primeiro-ministro António Costa, Luís Paixão Martins, considera que as declarações do Presidente da República sobre o caso das gémeas luso-brasileiras foram um “bocadinho insatisfatórias” e Marcelo Rebelo de Sousa estava “embaraçado com ele próprio”. 

Em declarações esta segunda-feira no habitual espaço de comentário na CNN Portugal, Paixão Martins, que mantém uma relação próxima com o primeiro-ministro demissionário, defendeu que Marcelo Rebelo de Sousa “tentou sacudir a água de capote”, sublinhando que o Chefe de Estado deveria ter “pedido desculpa aos portugueses”. Por isso, o consultor de comunicação defendeu que o discurso do Presidente da República não foi totalmente “satisfatório”.

Isto porque, explicou Luís Paixão Martins, o Chefe de Estado deixou algumas “pontas soltas” de interesse jornalístico e não apresentou o seu ponto de vista de forma “completa e extensa”: “O que ele fez foi aumentar a curiosidade jornalística.”

Para além disso, Luís Paixão Martins disse que a Procuradoria-Geral da República inicialmente abriu um inquérito contra desconhecidos, mas que essa ideia agora caiu, visto que várias pessoas foram enunciadas no discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. Aludindo ao parágrafo que acabou por originar a queda do Governo, o antigo consultor do primeiro-ministro sinalizou que deveria haver um igual sobre este caso. “Entregou o filho, entregou o chefe da casa civil, entregou a assessora”, enumerou Luís Paixão Martins, para quem o caso deveria ser chamado “caso Belém” e não caso “gémeas luso-brasileiras”.

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