O Presidente da República foi esta quinta-feira criticado por alunos pertencentes ao Movimento pelo Fim ao Fóssil na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, a quem Marcelo Rebelo de Sousa entregou o microfone e para os quais no fim pediu uma salva de palmas.

“Eu peço uma salva de palmas para aqueles que falaram, porque isto é o 25 de Abril. Na ditadura eles teriam sido presos, levados para a cadeia, proibidos de falar e o Presidente da República não pediria uma salva de palmas para eles. É a diferença entre a democracia e a ditadura”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Os alunos manifestaram-se quando o chefe de Estado, no início da sua intervenção nesta palestra sobre o 25 de Abril de 1974, elogiou o Liceu Camões “pelo ativismo dos seus professores e dos seus estudantes”, incluindo “o ativismo em matéria ambiental”.

Ouvindo os protestos, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se de imediato à parte do pavilhão onde estavam esses alunos e entregou-lhes o microfone para que fossem ouvidos.

Três jovens falaram ao microfone, um por um, declarando que não se sentem representados por este Presidente da República. Perante Marcelo Rebelo de Sousa, consideraram estar a falhar no combate às alterações climáticas, mas também na defesa dos jovens transexuais e condenaram afirmações que fez perante o representante diplomático da Autoridade Palestiniana.

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Um dos jovens pediu “a toda a gente que não se sente representada por este Presidente da República para se levantar num protesto silencioso” e cerca de 20 alunos entre cerca de 800 levantaram-se. Depois, propôs ainda a esse grupo de alunos que abandonassem o pavilhão, o que não se verificou. Logo de seguida, o chefe de Estado retomou a palavra e pediu uma salva de palmas para os que falaram.

Estudantes pelo Fim do fóssil prometem voltar “com onda de ações”

Após esta ação, os Estudantes pelo Fim do Fóssil emitiram um comunicado a reiterar que não se sentem representados pelo Presidente da República, que lhes “nega um futuro, quando ignora as crises” que os “rodeiam”. Este grupo critica ainda o sistema — que conta com o “consentimento” de Marcelo Rebelo de Sousa  — que “cria guerras, genocídios, crises e o colapso climático”. “Tudo isto em nome do lucro.”

No documento enviado às redações, o grupo de estudantes lembra que o Liceu Camões “já foi anteriormente fechado por estudantes pelo fim ao fóssil, que continuam a reivindicar o fim ao fóssil até 2030 e eletricidade 100% renovável e gratuita até 2025”.

Além disso, os estudantes assinalam no comunicado que “prometem voltar com uma onda de ações”, dizendo que “vão interromper as instituições de poder que os estão a condenar em nome do lucro, até que estas lhes garantam um futuro”.