Com grande dose de culpa própria à mistura, o Al Nassr colocou-se naquela complicada situação na fase final do Campeonato em que sabe que tem de ganhar porque é melhor do que os adversários mas sente cada ronda que passa sem conseguir diminuir a distância para o primeiro lugar do Al Hilal de Jorge Jesus. Além do jogo em si e das dificuldades que o próprio acarreta, há sempre esse “peso” para encontrar motivação em seguir a série de triunfos sabendo que no final não vai ter resultados práticos. Para Cristiano Ronaldo, isso acaba por ser o “menos” apesar da necessidade intrínseca de ganhar títulos. E se os mesmos não poderão chegar a nível coletivo (além da Taça dos Campeões Árabes, o conjunto de Riade pode apenas ganhar mais a Taça do Rei, tendo pela frente o Al Hilal na final que se realiza no final de maio), há sempre marcas individuais.

Ronaldo bisa, chega aos 44 golos na época e fica a 13 da fasquia dos 900: Al Nassr vence Al Khaleej e está na final da Taça do Rei saudita

Depois da expulsão quase por “frustração” frente ao Al Hilal, na meia-final perdida da Supertaça, o avançado português teve um regresso discreto à competição após castigo mas voltou a aparecer a meio da semana nas meias-finais da Taça do Rei, marcando dois golos no triunfo frente ao Al Khaleej de Pedro Emanuel por 3-1. Seguia-se o Al-Wehda para o Campeonato, seguiu-se a confirmação dessa retoma do número 7.

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A história não demorou a ser escrita. Logo no quinto minuto, Ronaldo aproveitou uma zona de pressão alta do Al Nassr a condicionar a saída do adversário a partir de trás para recuperar a bola em posição de remate e fazer o 1-0 apesar de ter escorregado no momento em que ia fazer a tentativa à baliza de Munir Mohamedi. Pouco depois, 2-0 e com um bis do português: Brozovic cruzou ao segundo poste na esquerda e Ronaldo, de cabeça, só teve de desviar perante a oposição de dois adversários (12′). A superioridade do Al Nassr era inequívoca, com o intervalo a chegar com 4-0 depois dos golos de Otávio (18′) e Sadio Mané (45′) e com o avançado português a fechar o hat-trick nos minutos iniciais do segundo tempo, recebendo um passe na profundidade para rematar de pé esquerdo sem hipóteses (52′). Mohammed Al-Fatil fez o 6-0 final (88′).

Contas feitas, Ronaldo passou a ter mais golos (47′) do que jogos (46) na presente temporada pelo Al Nassr, levando 52 golos em 52 partidas juntando a Seleção. Com isso, tem um recorde “garantido”, outro ainda por alcançar e outro ainda que será uma questão de tempo: com 32 golos a quatro jornadas do final, mais nove do que Mitrovic, o português será o primeiro da história a ser o melhor marcador em quatro Ligas diferentes, juntando Arábia Saudita a Inglaterra, Espanha e Itália; em paralelo, também com esses 32 golos, o número 7 está apenas a dois de igualar Abderrazak Hamdallah, que tem o registo máximo de golos numa só época na Arábia Saudita; por fim, o português está apenas a dez dos 900 golos na carreira.

“Digo sempre que os números chegam naturalmente, por isso não me agarro aos mesmos, eles chegam. Vou tentar chegar aos 900 golos, esta época ou na próxima, não importa. Espero que terminemos a época com o troféu da Taça do Rei. Fico feliz por o público estar contente e não me importo mais com marcar hat-tricks do que com a equipa. Começámos a época a ganhar a Liga dos Campeões Árabe e queremos terminá-la agora a conquistar a Taça do Rei”, comentou Cristiano Ronaldo após a goleada com o Al-Wehda.