Em atualização

A polícia belga fez buscas no casa e no escritório de um funcionário do Parlamento Europeu, em Bruxelas, por suspeitas de ingerência russa, avança a Associated Press. Segundo a Euronews, o eurodeputado Marcel de Graaff já confirmou, através da rede social X, que se trata do seu assistente parlamentar, Guillaume Pradoura, mas distanciou-se das acusações. “Não podemos comentar investigações em curso” disse o Parlamento Europeu quanto questionado pelo meio europeu sobre os desenvolvimentos desta quarta-feira.

Marcel de Graaf, do partido de extrema direita dos Países Baixos Forum for Democracy, escreveu numa publicação que tomou conhecimento das buscas através da comunicação social. “As autoridades não me contactaram, nem a ele. Para mim, tudo isto é uma completa surpresa”, acrescentou ainda. “A propósito, não tenho qualquer envolvimento em qualquer operação de desinformação russa. Tenho as minhas próprias convicções políticas e proclamo-as. É esse o meu trabalho enquanto deputado europeu.”

A procuradoria federal belga disse em comunicado que o gabinete da pessoa em questão em Estrasburgo, onde está a sede do Parlamento Europeu em França, também foi revistado numa parceria com a agência de cooperação judicial Eurojust e com as autoridades francesas.

“As buscas fazem parte de um caso de ingerência, corrupção passiva e participação numa organização criminosa e estão relacionadas com ingerência russa, em que deputados do Parlamento Europeu foram abordados e pagos para promoverem propaganda russa através do site de notícias Voice of Europe”, explicaram os procuradores, citados na AP. Acrescentaram ainda que acreditam que o funcionário em questão terá tido “um papel significativo nisto”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em abril, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução em que alertava para as tentativas de ingerência e desinformação da Rússia e apela a que os suspeitos de receberem subornos do Kremlin divulguem as suas contas. E apelava ao Conselho da UE que incluísse meios de comunicação social patrocinados por Moscovo e indivíduos responsáveis por campanha de desinformação e propaganda no próximo (o 14.º) pacote de sanções à Rússia.

Já este mês a União Europeia tinha impedido o Voice of Europe e outros três meios de comunicação russos de transmitirem para os 27 países do bloco, sob o argumento de estarem sob o controlo do Kremlin e terem como alvo “partidos europeus, especialmente durante períodos eleitorais”, cita a Associated Press.

No passado mês de abril o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, anunciou uma investigação depois de os serviços secretos terem confirmado a existência de uma rede que tinha como objetivo minar o apoio à Ucrânia e promover propaganda russa. “O objetivo é ajudar a eleger mais candidatos pro-Rússia para o Parlamento Europeu e para reforçar uma certa narrativa pro-russa na instituição”, disse o líder do governo belga.

As buscas acontecem cerca de duas semanas antes das eleições para o Parlamento Europeu. Em Portugal estão marcadas para o próximo dia 9 de junho. Veja aqui o liveblog com as mais recentes atualizações sobre a campanha nacional para as eleições europeias.

Parlamento Europeu aprova resolução contra ingerência estrangeira e pede transparência nas contas