O secretário-geral da ONU, António Guterres, admitiu esta quinta-feira “profunda preocupação” com o aumento da violência em Myanmar (antiga Birmânia), condenando os recentes ataques que mataram dezenas de civis, incluindo no estado de Rakhine e na região de Sagaing.

Em comunicado, Stéphane Dujarric, porta-voz de António Guterres, considerou que o último incidente que visou a etnia Rakhine, no oeste de Myanmar, assim como a perseguição da minoria muçulmana Rohingya, são mais exemplos da necessidade de proteção de todas as comunidades no país asiático.

“Bombardeamentos aéreos indiscriminados e violações dos direitos humanos continuam a ser relatados em muitas partes do país. Os autores devem ser responsabilizados”, instou.

O líder das Nações Unidas apelou a todas as partes em conflito para que exerçam a máxima contenção, priorizem a proteção dos civis de acordo com o direito humanitário internacional e evitem um maior incitamento à tensão e à violência comunitária.

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“O secretário-geral está profundamente preocupado com as crescentes ramificações regionais da deterioração da situação em Myanmar e reitera o seu apelo a uma abordagem unificada”, disse ainda Dujarric.

Tendo em conta a situação no país, Guterres instou os “Estados-Membros e todas as partes interessadas” a envolverem-se e apoiarem a sua enviada Especial para Myanmar, Julie Bishop, nos esforços para “aliviar o sofrimento e ajudar a construir um processo inclusivo liderado por Myanmar para uma paz sustentável”, nomeadamente através de uma estreita cooperação com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e países vizinhos.

Um porta-voz do Governo militar de Myanmar negou as acusações de que tropas do exército e seus aliados locais mataram 76 pessoas quando entraram numa vila na semana passada no estado de Rakhine, no oeste do país, noticiou na quarta-feira a imprensa estatal.

Rakhine tornou-se um foco da guerra civil nacional de Myanmar, na qual guerrilheiros pró-democracia e forças armadas de minorias étnicas lutam contra os governantes militares do país, que assumiram o poder em 2021 depois de o exército derrubar o Governo eleito de Aung San Suu Kyi.

Esses combates também suscitaram receios de um ressurgimento da violência organizada contra membros da minoria muçulmana Rohingya, semelhante à que levou pelo menos 740 mil membros da comunidade a fugir para o vizinho Bangladesh em busca de segurança em 2017.

As acusações de massacre na aldeia de Byine Phyu, no norte de Rakhine, foram feitas pelo Exército Arakan, uma organização étnica armada que está na ofensiva contra postos avançados do exército em Rakhine desde novembro passado.

O Exército Arakan é o braço militar treinado e armado do movimento político da minoria budista Rakhine, que procura autonomia do Governo central de Myanmar.