Um bilhete para o primeiro treino da Seleção Nacional na Alemanha poderá ter custado 300 euros. Ou 500. Ou até 1.000. Tudo porque muitos dos bilhetes distribuídos gratuitamente para o treino aberto desta sexta-feira no Heidewaldstadion, em Gütersloh, foram vendidos no mercado negro a valores muito elevados.

A notícia começou por ser divulgada pela própria autarquia de Gütersloh, ainda no final de maio e quando decorreu o processo de distribuição dos bilhetes, com o comunicado oficial a indicar que a procura tinha sido muito superior à oferta. “Entendemos a frustração dos adeptos que não conseguiram o bilhete. E lamentamos imenso que algumas das pessoas que têm bilhete estejam agora a vendê-los a preços horrendos. É algo que contradiz o desportivismo e a justiça que tentámos procurar. Infelizmente, é algo que não pudemos prevenir, porque os bilhetes distribuídos pela UEFA  não estão personalizados”, indicou Henning Matthes, o autarca da cidade alemã.

Um informação confirmada pela comunidade portuguesa em Gütersloh. Em declarações ao Observador, o filho do presidente da Associação Portuguesa de Gütersloh explicou que a elevada procura face à limitada oferta levou à entrada no mercado negro – e à prática de valores muito acima do normal. “No total, existiam 8.200 bilhetes, a lotação do Heidewaldstadion. Desses 8.200 bilhetes, 70% foram para a cidade de Gütersloh, cerca de seis mil bilhetes”, começou por dizer Daniel Romano.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

[Já saiu o quinto episódio de “Matar o Papa”, o novo podcast Plus do Observador que recua a 1982 para contar a história da tentativa de assassinato de João Paulo II em Fátima por um padre conservador espanhol. Ouça aqui o primeiro episódio, aqui o segundo episódio, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio]

“Desses seis mil bilhetes, 350 foram para a Associação Portuguesa. Outros foram para escolas e outros foram para alguns clubes desportivos. Os últimos, que creio que eram uns quatro mil, foram distribuídos online. Cada pessoa tinha de se inscrever num site tipo Ticketline e numa sexta-feira, há três semanas, os bilhetes foram disponibilizados gratuitamente. Depois há quem diga que foi em cinco segundos, outros dizem que foi em 13 segundos, outros dizem que foi um minuto… Mas esgotaram todos”, acrescenta o português, que tem uma loja de produtos nacionais em Gütersloh.

Ao todo, e também de acordo com o comunicado oficial da autarquia da cidade, 50 mil pessoas inscreveram-se para tentar ter bilhete para o primeiro treino da Seleção Nacional na Alemanha. Uma procura muito elevada que acabou por culminar na entrada em circulação dos tais ingressos no mercado negro. “Existe um site que pertence ao eBay, tipo um OLX, onde estão bilhetes a 150, 500 euros, mil euros. Conheço pessoas que pagaram 150 pessoas por um bilhete”, acrescentou Daniel Romano, que por estar a trabalhar garantia que era “o único português” da localidade que não estaria presente no treino desta sexta-feira.

Certo é que, de acordo com dados oficiais da Federação Portuguesa de Futebol, 8.210 pessoas entraram no Heidewaldstadion para assistir ao treino aberto da Seleção Nacional, que começou às 17h (hora portuguesa). A Federação também ficou responsável pela distribuição de cerca de 1.600 bilhetes, mas fê-lo pessoalmente e somente a adeptos subscritores da aplicação “Portugal+” na região da Renânia do Norte-Vestefália, todos previamente identificados, para impedir novas situações de entrada no mercado negro.

Ainda esta quinta-feira, as autoridades locais indicaram que dois adeptos foram detidos por terem invadido o centro desportivo do hotel em que a Seleção Nacional está instalada, em Marienfeld. Dois jovens entraram no hotel por volta das 22h40 locais, dirigindo-se para a zona reservada à comitiva portuguesa, e vão agora responder por invasão de propriedade privada.