Rui Tavares afirmou que o almoço de aniversário do PSD, que reúne antigos líderes sociais-democratas, mostra “as várias facetas que compõem a face da direita”, que alterna entre a austeridade, a arrogância e as forças de bloqueio.
Considerando que a direita está a mostrar “uma face de uma certa arrogância” ao “contar com uma vitória quando os eleitores não se pronunciaram” ainda, o porta-voz do Livre disse, em declarações transmitidas pela RTP, que a presença de figuras como Pedro Passos Coelho e Aníbal Cavaco Silva na campanha “mostra o legado da direita”.
À margem de uma visita à AICEP Global Parques Sines, no distrito de Setúbal, Rui Tavares teve como primeiro alvo social-democrata o ex-primeiro-ministro Passos Coelho, que acusou de ter imposto a austeridade e ter ido para além da troika. Já Cavaco Silva foi lembrado pelos “seus conhecidos discursos das forças de bloqueio”.
Também o ex-presidente do PSD Rui Rio não escapou às críticas de Rui Tavares, que o recordou como tendo “um lado de preponderância do executivo sobre o poder judicial”. “Nós temos que chamar a atenção ao eleitorado que, nos últimos anos, tem havido uma radicalização da direita não só em Portugal, mas no estrangeiro também. Não podemos achar que ela só existe na Argentina com o Milei [Presidente da Argentina], nos Estados Unidos com o Trump [Presidente dos EUA] ou na Hungria com o Orbán [primeiro-ministro da Hungria]”, ressalvou.
Sem baixar o tom das críticas à direita, Rui Tavares referiu que, em Portugal, esta está em competição interna entre o “Montenegrismo” do PSD, o “motosserismo” da IL e as “políticas do medo” do Chega. “Estamos aqui com uma extremização que não tem comparação com uma política de progresso, de moderação, da ecologia e de defesa da democracia”, afirmou.
O porta-voz disse também que a direita “já se sente com o rei na barriga” e deixou claro que o Livre será “parte da oposição” se o país for governado por forças políticas de direita. “Se a direita tiver maioria, se a direita estiver no Governo, somos parte da oposição. E não só parte da oposição, como parte liderante da oposição porque vai ser preciso alguém nesse caso que faça um combate para defender adquiridos da nossa democracia”, como o “direito do consumidor” ou o “direito ambiental”.
Defendendo que o Livre não tem “ambiguidades” e que faz parte da “solução”, Rui Tavares salientou que o partido está “do lado do ambiente, da qualidade de vida, do projeto europeu e dos direitos humanos” e contra “os ataques de fúria privatizadora”.
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Livre considera que maioria entre AD e IL é para ir além da troika
Rui Tavares defendeu também que uma maioria entre o “montenegrismo” da Aliança Democrática e o “motosserismo” da Iniciativa Liberal seria para ir mais longe do que a troika. “É bom que nos acautelemos com todos os cenários possíveis. Se um cenário possível é a AD e a IL próximas da maioria absoluta é para ir mais longe do que a troika, é muito claro que é isso que a AD e a IL desejam. Isso ainda é, de certa forma, a matriz do seu projeto”, afirmou.
Na opinião de Rui Tavares, o cenário piora se à AD e IL se juntar a extrema-direita: “Se a isso acrescentarmos uma extrema-direita que, no fundo, lhes diz que está lá para chumbar qualquer Governo da esquerda, mesmo que a esquerda tenha mais deputados do que a direita democrática, nós percebemos que, afinal, o ‘não é não’ e o ‘nunca é nunca’ são uma verdadeira farsa.”
Sem baixar a toada de críticas à direita, algo que tem sido diário no seu discurso, Rui Tavares considerou que há, entre eles, uma divisão de tarefas. Uns assumem a tarefa da austeridade com “uma face mais fofinha”, enquanto outros vão fazendo a “política da extrema-direita, do medo, do preconceito e do discurso do ódio”, especificou. “E, juntos, há uma coisa em que eles estão de acordo. André Ventura tem apresentado em cada legislatura um projeto de revisão constitucional e a Iniciativa Liberal apresenta o seu. E, se não tiverem uma maioria constitucional, procurarão fazê-lo através da via legislativa, essa vai ser a moeda de troca de darem uma maioria a Luís Montenegro”, defendeu o porta-voz do Livre.
Dizendo que a direita e a extrema-direita “não são só perigosas fora das nossas fronteiras”, Rui Tavares ressalvou que em Portugal a direita também tem algumas ideias “bastante esquisitas e extremistas”.
