Já foi o duelo entre os dois candidatos ao título, também já foi o duelo entre um candidato ao título e um gigante à procura de soluções, é agora o duelo entre duas equipas que tentam contornar o poderio do Liverpool. Em Londres, Arsenal e Manchester City cruzavam-se numa fase ainda muito embrionária da temporada e onde os objetivos de lado a lado estão ainda totalmente cristalizados.

Do lado dos gunners, o Arsenal recebia o Manchester City vindo de uma vitória importante na Liga dos Campeões, contra o Athl. Bilbao e em pleno San Mamés, e com apenas uma derrota e um golo sofrido na Premier League — precisamente contra o Liverpool. “Temos de ganhar outra vez e criar outro bom momento para nós. Mostrar consistência a competir contra uma das melhores equipas do mundo, é um bom teste para nós, para percebermos em que nível estamos”, explicou Mikel Arteta, que na época passada não perdeu com o City e até goleou na segunda volta, na antevisão da partida.

Do lado dos citizens, o Manchester City visitava o Arsenal também vindo de uma vitória importante na Liga dos Campeões, contra o Nápoles e no Etihad, mas com duas derrotas e duas vitórias em quatro jornadas disputadas na Premier League. “É um dos adversários mais difíceis da atualidade na Europa. Passo a passo, mercado a mercado, o Arsenal está a melhorar. Deram um incrível passo em frente na Europa no ano passado. Para mim, são a equipa mais sólida, não cometem erros”, indicou Pep Guardiola, que voltou a aproveitar para elogiar o homólogo, que foi seu adjunto durante várias temporadas.

Assim, no Emirates e ainda sem o lesionado Odegaard, Arteta lançava Mikel Merino, Zubimendi e Declan Rice no meio-campo, com Saliba a recuperar a titularidade ao lado de Gabriel Magalhães no eixo defensivo e Leandro Trossard a aparecer no apoio a Gyökeres, em detrimento de Eze. No banco, depois de várias semanas de ausência, já estava Bukayo Saka. Já Guardiola repetia o onze pelo terceiro jogo consecutivo e apostava em Jérémy Doku e Phil Foden mais perto dos corredores, com Reijnders e Bernardo junto a Haaland e Rodri numa zona mais recuada do setor intermédio.

O Arsenal começou melhor e procurou desde logo mandar no jogo, com muita posse de bola e completamente inserido no meio-campo contrário, ainda que sem criar oportunidades ou situações de maior perigo. Ainda dentro dos dez minutos iniciais, porém, o Manchester City deixou bem claro que seria o pragmatismo a decidir o encontro: na primeira vez em que se aproximou da baliza de David Raya, através de uma transição muito rápida, Reijnders deixou em Haaland e o avançado atirou cruzado e rasteiro para abrir o marcador (9′). 

A equipa de Mikel Arteta sentiu claramente o golo sofrido, demonstrando muitas dificuldades para voltar a assentar o jogo e encontrar o caminho da baliza de Donnarumma, numa fase em que Reijnders até assustou Raya com um remate de fora de área que o espanhol encaixou (20′). O City defendia com muita gente, numa espécie de 6x2x2 sem bola que procurava o erro do adversário para soltar o contra-ataque e aumentar a vantagem. O Arsenal recuperou algum discernimento com o passar do tempo, voltando a dominar o encontro por inteiro, mas de forma inofensiva e até inconsequente, já que não conseguia criar situações de finalização.

Madueke acabou por revelar-se o principal inconformado da ponta final da primeira parte e ainda ficou perto do golo em duas ocasiões, com um cabeceamento na área que passou ao lado (33′) e um remate com pouco ângulo que Donnarumma travou (45+1′). Ao intervalo, contudo, o Manchester City estava mesmo a vencer o Arsenal em pleno Emirates pela margem mínima.

Mikel Arteta mexeu logo ao intervalo e lançou Eze e Bukayo Saka, que já tinham estado a realizar exercícios de aquecimento durante a primeira parte, para as saídas de Mikel Merino e Madueke. Já Pep Guardiola decidiu alterar o dono da direita da defesa, colocando Matheus Nunes em detrimento de Khusanov. Zubimendi teve a primeira oportunidade do segundo tempo com um remate por cima (48′), Eze obrigou Donnarumma a uma defesa apertada (50′) e ficava a ideia de que o Arsenal tinha voltado com outra inspiração.

Ainda assim, a estratégia do Manchester City mantinha-se e Haaland ficou muito perto de bisar novamente num contra-ataque, recebendo de Doku e atirando rasteiro para a defesa de Raya (57′). O sufoco implementado pelo Arsenal prolongava-se, os citizens defendiam com praticamente todos os elementos dentro da grande área e Guardiola intensificou ainda mais essa ideia ao abdicar de Phil Foden e Haaland para fazer entrar Nathan Aké e Nico González.

Calafiori ficou perto do empate com um cabeceamento por cima da trave (75′) e Arteta só voltou a mexer já dentro dos últimos dez minutos, com Gabriel Martinelli e Ethan Nwaneri. Numa altura em que os gunners já pareciam perder a esperança, Eze descobriu espaço nas costas da defesa contrária e Martinelli, aproveitando o adiantamento de Donnarumma, desenhou um chapéu perfeito para empatar (90+3′). Já nada mudou até ao fim e Arsenal e Manchester City empataram no Emirates, dividindo os pontos na primeira igualdade da temporada para cada uma das equipas.