Dark Mode 133kWh poupados com o Asset 1
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Hoje é um bom dia para mudar os seus hábitos. Saiba mais

Logótipo da MEO Energia

100 dias depois, onde estão as promessas de Donald Trump?

Donald Trump cumpre 100 dias à frente da Casa Branca este sábado — mas será que já cumpriu as suas promessas? Recordamos o que ele disse no discurso de tomada de posse e o que fez agora.

    Índice

    Índice

De 20 de janeiro a 29 de abril vão 100 dias — e não foram uns 100 dias quaisquer. Numa manhã chuvosa, em Washington D.C., Donald Trump discursou perante uma multidão grande — mas não tão grande quanto ele gostaria que ela tivesse sido — e, durante 15 minutos, divulgou as linhas orientadoras do seu mandato. Garantiu estar atento aos “homens e mulheres que foram esquecidos”, prometeu mais “prosperidade” com maior proteccionismo, garantiu que ia controlar as fronteiras, sublinhou que o trabalho nos EUA iria ser feito “com mãos americanas” e, com os olhos do mundo em cima, prometeu manter alianças antigas e formas novas.

Uma a uma, analisamos as promessas que Donald Trump fez naquela manhã de janeiro — e dizemos quais foram cumpridas, quais estão em andamento e também aquelas que, apenas 100 dias depois, resultaram no seu contrário.

Proximidade. “Agora, toda a gente está a ouvir-vos”

"Os homens e as mulheres que foram esquecidos neste país nunca mais serão esquecidos. Agora, toda a gente está a ouvir-vos."

Uma das primeiras promessas de Donald Trump no seu discurso de tomada de posse podia resumir-se a uma palavra: confiança. Isto é, confiança do povo nas duas principais fontes de poder nos EUA: o Presidente e o Congresso.

Passados 100 dias, a relação dos norte-americanos com o seu Presidente ou com o Congresso são negativas.

No que diz respeito a Donald Trump, os números são inequívocos: segundo a Gallup, o 45º Presidente dos EUA é o menos popular de sempre ao cabo dos seus primeiros 100 dias. Segundo aquela empresa de sondagens, que faz este cálculo desde a presidência de Dwight Einsenhower (1953-61), a taxa de aprovação do Donald Trump é de apenas 41%. Em termos comparativos, o pior resultado até agora pertencia a Bill Clinton, com 55%.

Quanto ao Congresso, onde os republicanos estão em maioria, os números são ainda piores. Na mais recente avaliação da Gallup, feita entre 5 e 9 de abril, a taxa de aprovação do Congresso era de apenas 20% — isto depois de uma subida ligeira, que chegou a bater nos 28%, no início de fevereiro.

Este, porém, está longe de ser um problema que possa ser atribuído apenas a Donald Trump, ou àqueles que atualmente compõem o Congresso. Na História recente dos EUA, esta é uma das instituições mais desprezadas pelo público norte-americano. A última vez que a taxa de aprovação deste órgão foi positiva — com 58% — foi em abril de 2003, em plena invasão do Iraque.

(Joe Raedle/Getty Images)

(Joe Raedle/Getty Images)

O fim do comércio livre. “A proteção vai levar a uma maior prosperidade”

"Temos de proteger as nossas fronteiras da devastação dos outros países fabricarem os nossos produtos, roubarem as nossas empresas e destruírem os nossos empregos. A proteção vai levar a uma maior prosperidade e força."

Poucas siglas foram tão repetidas durante a campanha de Donald Trump como TPP (Trans-Pacific Partnership) e NAFTA (North American Free Trade Agreement). Trata-se de dois acordos comerciais.

O primeiro, o TPP, que não chegou a sair do papel, congregava 12 países entre o continente americano, a Ásia e a Oceânia. Depois de ter feito campanha contra este projeto — que fora idealizado por Barack Obama, que o defendeu até ao fim dos seus dias na Casa Branca, e que Hillary Clinton acabou por criticar também já durante a campanha — Donald Trump retirou os EUA das negociações do tratado no seu quarto dia em frente à Casa Branca. Bastou uma assinatura. “Toda a gente sabe o que isto significa, certo? Já falamos disto há muito tempo”, disse Donald Trump no momento de rubricar a ordem executiva.

O segundo, o NAFTA, tem já vários anos. As suas origens remontam a 1993, ano em que três países firmaram um acordo de comércio livre: o México, o Canadá e os EUA. Da parte de Washington D.C., o acordo tem dois co-autores: George H. W. Bush, que negociou o acordo; e Bill Clinton, que o colocou em vigor, qunado já era Presidente. Durante a campanha, Donald Trump disse que o NAFTA era “o pior acordo comercial da História”.

Nesta fase, os EUA de Donald Trump preparam-se para renegociar o NAFTA com os outros dois países. Depois de rumores de uma saída abrupta dos EUA através de uma ordem executiva do Presidente, o próprio Donald Trump esclareceu que esse não seria, para já, o caminho a seguir. “Recebi chamadas do Presidente do México e do primeiro-ministro do Canadá a pedirem-me para renegociar o NAFTA em vez de eliminá-lo”, escreveu Donald Trump no Twitter. “Eu concordei… Mas está sujeito ao facto de que se nós não conseguirmos um acordo justo para todos, então vamos eliminar o NAFTA”, continou. Depois, já em linguagem telegráfica, concluiu: “As relações estão boas — acordo [é] muito possível!”.

Mais tarde, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente da Argentina, Mauricio Macri, Donald Trump disse que eliminar o NAFTA seria “uma grande choque para o sistema”. Há muitos políticos norte-americanos que concordam com esta avaliação de Donald Trump, que parece mais cauteloso em matérias do NAFTA do que outrora. A oposição a uma saída abrupta estende-se ao seu próprio partido. Por exemplo, John McCain, senador do Arizona e ex-candidato presidencial, disse que o NAFTA é um “acordo comercial essencial” e que sair dele seria uma “ideia desastrada e má”.

O passo seguinte será dar um início formal às negociações. Para isso acontecer, Donald Trump tem de comunicar essa intenção ao Congresso — coisa que ainda não fez. Depois, segue-se um período de consulta junto daquele órgão durante 90 dias. Só depois é que os EUA podem iniciar as negociações — esperando que o México e o Canadá também já estejam em condições para fazê-lo.

(Alex Wong/Getty Images)

(Alex Wong/Getty Images)

Um muro erguido e uma porta fechada. “Vamos voltar a ter as nossas fronteiras”

"Vamos voltar a ter as nossas fronteiras."

Eis outro tema basilar da caminhada vitoriosa de Donald Trump para a Casa Branca: o controlo das fronteiras. Foi praticamente assim que ela começou, com uma promessa feita logo no discurso de anúncio da sua campanha, em junho de 2015.

“Eu vou construir um grande muro, ninguém é melhor a construir muros do que eu, acreditem em mim, e eu vou construí-los sem ser caro, eu vou construir um grande, grande muro na nossa fronteira a sul”, disse, de uma folgada. “E o México vai pagar esse muro.”

Logo no seu sexto dia no poder, Donald Trump assinou uma ordem executiva para construir o muro na fronteira com o México. Mas essa assinatura não significou o início da construção — tanto que ela ainda não avançou. Para ir para a frente, será preciso haver fundos destinados para esse fim. Ou seja, o Congresso precisa de autorizar essa despesa — que Donald Trump diz ser de “10 mil milhões de dólares ou menos” mas que, de acordo com um documento oficial confidencial obtido pela Reuters seria antes de 21,6 mil milhões de dólares. A oposição do Congresso pode cortar esta pretensão pela raiz. Ainda assim, Donald Trump garante que a construção do muro será finalizada ainda neste mandato.

Mas houve outra promessa de Donald Trump, feita em dezembro de 2015, que veio a marcar os seus primeiros 100 dias: a proibição de entrada de cidadãos de alguns países de maior muçulmana. Numa ordem executiva assinada no seu sétimo dia como Presidente, Donald Trump barrou a entrada a cidadãos dos seguintes sete países: Irão, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iémen. Paralelamente, fechou totalmente a porta a refugiados sírios — e fechou-a, com algumas exceções, a refugiados em geral. A medida, que levou a uma onda de protestos em vários aeroportos dos EUA, acabou por ser revogada depois de vários tribunais colocarem providências cautelares à sua aplicação.

(SAUL LOEB/AFP/Getty Images)

SAUL LOEB/AFP/Getty Images

Obras públicas. “Vamos construir estradas novas”

"Vamos construir estradas novas, auto-estradas, pontes, aeroportos, túneis e linhas ferroviárias ao longo desta grande nação."

Não é preciso ouvir Donald Trump muitas vezes para perceber que o Presidente dos EUA tem uma fixação com “buracos nas estradas”. Era esta a expressão que ele usava (potholes, em inglês), para introduzir o tema da infrastrutura e das obras públicas. Essa retórica continuou já com Donald Trump no poder. “Gastamos 6 biliões no Médio Oriente e temos buracos nas estradas e nas auto-estradas”, disse. “Eu tenho um amigo que está no ramo da camionagem e que me diz: ‘Os meus camiões ficam destruídos a ir de Nova Iorque para Los Angeles’.”

Donald Trump tem referido, tanto antes como depois de ser eleito, que iria, durante um período de 10 anos, investir 1 bilião de dólares em parceiras público-privadas e incentivos fiscais para as obras públicas. Porém, a proposta orçamental da Casa Branca, cuja aprovação caberá ao Congresso, não reflete totalmente essa intenção. A maior prova disso é o corte de 12,7% do Departamento de Transportes, que afetará diretamente programas que permitem a populações mais pequenas terem acessos ferroviários ou transporte aéreo.

Ainda assim, Donald Trump vai promover um programa anual de 900 milhões de dólares, até 2020, para a construção e manutenção de autoestradas e transportes multimodais de transporte de carga. Mas há um pormenor, que não é de somenos — esta medida deriva do FAST Act, que foi criado em 2015. Ou seja, sob a administração de Barack Obama.

A promessa de revitalizar estradas, aeroportos e outras estruturas públicas foi um dos pontos essenciais do discurso de vitória a 8 de novembro do ano passado. Mas pouco demorou até começar a deixar cair esse compromisso. Numa entrevista ao The New York Times a 23 de novembro, disse que apesar de as insfrastruturas públicas serem “um fator importante”, estas afinal não seriam o “núcleo” da sua política.

(Alex Wong/Getty Images)

(Alex Wong/Getty Images)

Emprego. “Mãos americanas e trabalho americano”

"Vamos tirar as nossas pessoas dos subsídios e devolvê-las ao trabalho — reconstruindo o nosso país com mãos americanas e trabalho americano."

Este foi um dos grandes temas da campanha de Donald Trump — recuperar os empregos perdidos nos EUA e devolvê-los a cidadãos americanos. A mensagem é simples: mais empregos para americanos (e não para imigrantes) e menos gastos com a Segurança Social.

Os números demonstram um sucesso a meio-gás para Donald Trump, que beneficiou da queda do número do desemprego já antes registada, um legado de Barack Obama. Em janeiro de 2017, a taxa de desemprego fixava-se nos 4,8%. Agora, passados 100 dias, os números para março de 2017 apontam uma quebra para 4,5%. Mas estas mãos que passaram a trabalhar são americanas, como Donald Trump prometeu?

Há, segundo os números do Bureau of Labor Statistics, mais americanos empregados e menos estrangeiros a trabalhar. No caso daqueles que nasceram fora de território norte-americano, há menos 193 mil pessoas a trabalhar, o que significa que em março estavam a trabalhar 41.204.000 estrangeiros nos EUA. Já entre aqueles que nasceram nos EUA há mais 507 mil empregados — num universo total de 213.210.000 trabalhadores em março.

Ainda assim, os números daqueles que beneficiam da Segurança Social não refletem totalmente a promessa de Donald Trump. De uma forma geral, entre janeiro e março, mais 215 mil cidadãos passaram a receber este tipo de ajudas — perfazendo um total de 66.366.000 de pessoas. Se olharmos para aqueles a quem não foram diagnosticados problemas de saúde e que têm menos de 65 anos, o número também sobe em 48 mil, batendo nos 6.639.000 em março.

(Alex Wong/Getty Images)

Alex Wong/Getty Images

Balança comercial. “Comprar na América e contratar na América”

"Vamos seguir duas regras simples: comprar na América e contratar na América."

Quanto ao “comprar na América”, os números oficiais demonstram que em 100 dias Donald Trump reduziu o défice da balança comercial norte-americana — mas ainda está muito longe de anulá-lo. Em janeiro, o défice comercial era de quase 68,6 mil milhões de dólares. Em fevereiro, caiu bruscamente para 63,9 mil milhões de dólares. Porém, em março tornou a subir para 64,8 mil milhões de dólares.

No que diz respeito ao “contratar na América”, a resposta pode ser encontrada no ponto anterior, onde é demonstrado que nos primeiros 100 dias de Donald Trump na Casa Branca houve alterações no mundo do emprego — com menos estrangeiros a trabalhar e mais norte-americanos com emprego.

(Alex Wong/Getty Images)

(Alex Wong/Getty Images)

Diplomacia e guerra. “Vamos reforçar alianças antigas e formar novas”

"Vamos procurar a amizade e a boa vontade das nações de todo o mundo — mas vamos fazê-lo enquanto compreendemos que cada nação tem o direito de colocar os seus interesses em primeiro lugar (...). Vamos reforçar alianças antigas e formar novas — e unir o mundo civilizado contra o terrorismo islamista radical, que vamos erradicar da face da Terra."

Provavelmente, não há nenhuma área de governação onde a política de Donald Trump tenha dado tantas cambalhotas, e onde tenha tido tantos tropeções, como nas relações externas.

A nível diplomático, os primeiros 100 dias de Donald Trump foram marcados pela visita de vários chefes de Estado.

A primeira visita foi da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, que regressou a Londres otimista quanto à perspetiva de um acordo comercial entre os dois países — mas ainda recentemente, o Secretário de Comércio de Donald Trump, Wilbur Ross, disse que esse objetivo era agora de “baixa prioridade”.

E uma das mais recentes, e também das mais aguardadas, foi a de Xi Jinping. O encontro entre os dois líderes mundiais aconteceu não na Casa Branca mas sim no resort Mar-A-Lago, na Flórida, que é propriedade de Donald Trump. A escolha do local não foi ao acaso: o objetivo era aliviar a tensão entre os dois países. Em parte, foi isso que se fez, com algumas concessões de parte a parte. Por um lado, a China vai levantar o embargo à importação de carne de vaca dos EUA e também vai permitir aos investidores deste país serem sócios maioritários em empresas do setor financeiro chinês. Por outro lado, Donald Trump parece estar menos resoluto em subir as tarifas comerciais aos produtos chineses e também em denunciar a China como manipuladora de moeda. No final da visita, Donald Trump chegou até a aceitar ir à China no final deste ano.

Mas foi precisamente durante a visita de Xi Jinping aos EUA que a política externa de Donald Trump deu uma das suas guinadas mais significativas: a sua relação com a Rússia, pela via da Síria. E é aí que termina a diplomacia e começa a guerra.

No dia 6 de abril, momentos antes de jantar com o Presidente chinês, Donald Trump anunciou que os EUA tinham lançado 59 mísseis Tomahawk contra uma base aérea do regime de Bashar Al-Assad. A escolha daquela base, al-Shayrat, não foi ao acaso: é dali que terá sido lançado o ataque químico que dias antes matou pelo menos 86 civis em Khan Shaykhun. Este incidente — cuja autoria a Síria e os seus aliados negam, apesar de os EUA e França dizerem que têm provas que apontam o contrário — foi essencial na mudança de opinião de Donald Trump em relação ao regime sírio e sobre a postura que Washington D.C. deve ter naquela guerra. “A minha atitude em relação à Síria e a Assad mudou muito”, admitiu Donald Trump, dois dias antes de lançar o ataque dos 59 mísseis.

O gesto foi encarado com animosidade por parte da Rússia, o maior aliado político, militar e estratégico da Síria. O porta-voz de Vladimir Putin falou de “uma violação da lei internacional sob um falso pretexto” — isto tudo menos de uma semana antes de o Secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, se encontrar em Moscovo com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, e com o próprio Vladimir Putin. A reunião não terá sido particularmente positiva, já que Rex Tillerson disse que as relações entre os dois países estão num “ponto baixo”. “Há um nível baixo de confiança entre os nossos países”, disse. “As duas maiores potências nucleares do mundo não podem ter este tipo de relação.”

Nos dias seguintes, ficou claro que Donald Trump não iria ficar por ali. Poucos dias depois, a 13 de abril, os EUA lançaram a Mother Of All Bombs, a bomba não-nuclear mais potente do mundo, na província de Nangarhar — uma zona montanhosa do Afeganistão, junto à fronteira com o Paquistão. Em Washington D.C. justificou-se esse gesto como um ataque a túneis onde circulariam e viveriam militantes do Estado Islâmico — provavelmente a face mais ativa e preocupante do tal “terrorismo islamista radical” que Donald Trump disse querer “erradicar da face da Terra”. Porém, no local, e mesmo que seja referido que terão morrido cerca de 90 soldados do Estado Islâmico, há quem duvide do grau de destruição daquela bomba.

A fase final dos primeiros 100 dias de Donald Trump na Casa Branca tem sido também marcada pelo recrudescer das tensões com a Coreia do Norte. Esta, apesar dos apelos da China, um aliado reticente, já fez quatro testes nucleares desde que Donald Trump é presidente. O último aconteceu pouco depois ataque norte-americanoa a Bashar Al-Assad (6 de abril) e do lançamento da Mother Of All Bombs (13 de abril) — dois incidentes que, em vez de retrair a Coreia do Norte, parecem tê-la provocado. A 16 de abril, um dia depois do 105º aniversário do seu avô e primeiro líder da Coreia do Norte, Kim Il-sung, Pyongyang lançou, num ensaio que redundou em fracasso, um míssil.

Entretanto, os EUA trataram de mobilizar vários meios militares para a região. Neste momento, Washington D.C. tem destacado na Coreia do Sul um submarino armado com mísseis Tomahawk — os mesmos usados na Síria — e também levou um porta-aviões para o Mar do Japão. Além disso, os EUA deverão construir um novo sistema anti-míssil na Coreia do Sul.

Numa entrevista à Reuters na véspera dos seus 100 dias à frente da Casa Branca, Donald Trump foi suficientemente claro quanto à perspetiva de uma guerra com o regime de Kim Jong-un. “Há uma possibilidade de acabarmos num grande, grande conflito com a Coreia do Norte”, disse. “Nós adoraríamos resolver as coisas diplomaticamente, mas é muito difícil.”

(Alex Wong/Getty Images)

(Alex Wong/Getty Images)

Inovação e ciência. “Estamos no nascimento de um novo milénio”

"Estamos no nascimento de um novo milénio, prontos para desvendar os mistérios do espaço, livrar a Terra da miséria da doença, e para impulsionar as energias, indústrias e tecnologias do amanhã."

Esta é provavelmente a citação do discurso de tomada de posse Donald Trump que a sua política mais desconsiderou. A prova disso é a sua proposta orçamental. No que diz respeito a querer “desvendar os mistérios do espaço”, o Presidente dos EUA respondeu com um corte de 1% do orçamento da NASA. Quanto a “livrar a Terra da miséria da doença”, Donald Trump propõe o corte cerca de um quinto do orçamento do National Institutes of Health, agência de investigação biomédica. Quanto às “energias, indústrias e tecnologias do amanhã”, a proposta é cortar 31% do orçamento da EPA, a agência protetora do ambiente.

(MANDEL NGAN/AFP/Getty Images)

MANDEL NGAN/AFP/Getty Images

E o fim do Obamacare — que não passou do início

Donald Trump não disse uma única palavra no seu discurso de tomada de posse sobre o Affordable Care Act, a lei aprovada durante a administração de Barack Obama e que previa um alargamento do acesso ao sistema de saúde — e que ficou conhecida como Obamacare. A lei teve algum sucesso, mas este esteve longe de o ser em toda a linha. Por um lado, mais pessoas passaram a ter seguro de saúde. Por outro, os preços dos seguros dispararam. Além disso, passou a ser obrigatório por lei ter um seguro de saúde — uma medida que nem todos aceitam.

Se por um lado guardou silêncio quanto ao Obamacare no seu discurso, logo nas suas primeiras horas como presidente Donald Trump tratou de começar a eliminá-lo. Sentado na secretária da Casa Branca, assinou uma ordem executiva que onde se lia: “É política da minha administração procurar a revogação pronta do Patient Protection e do Affordable Care Act“.

Porém, esta história está longe de terminar. Como a ordem executiva indicava, a abolição do Obamacare não depende da ação do Presidente — logo, apesar de ter sido feito sob a figura de uma ordem executiva, este gesto de Donald Trump deve ser visto antes como uma declaração de intenções.

Intenções essas que, para já, falharam. O veredito foi dado por Paul Ryan, o republicano que preside à Câmara dos Representantes, que foi, ao lado de Donald Trump, o maior derrotado deste episódio. Após indicar que ia levar a votação uma moção para abolir o Obamacare, Paul Ryan recuou quando percebeu que essa votação não ia ser aprovada, graças aos votos dos democratas e também do Freedom House Caucus, o grupo que junta os congressistas republicanos mais conservadores. “O Obamacare é a lei”, disse Paul Ryan, que admitiu que assim seria “no futuro previsível”.

No dia 26 de abril, os membros do Freedom House Caucus aprovaram uma nova versão da lei que poderá substituir o Obamacare. Porém, não é agora claro que esta proposta recolha o apoio dos congressistas republicanos moderados — pelo menos 15 disseram não estar a favor da nova proposta, segundo o Washington Post — e é certo que não o terá entre democratas.

Por isso, mais uma vez, os líderes republicanos na Câmara dos Representantes vão evitar este impasse. E que impasse: a votação da nova lei para a saúde estaria incluída num pacote de medidas adicionais de despesa que, por não recolher apoio do Congresso, poderia bloquear o Governo norte-americano.

A situação é semelhante à que Barack Obama enfrentou em 2013, quando o Governo esteve suspenso durante 15 dias. Já nessa altura, a reforma da saúde era o centro da contestação republicana. Agora, Donald Trump acabou de evitar, para já, uma sina semelhante.

(Doug Mills - Pool/Getty Images)

(Doug Mills - Pool/Getty Images)

E os próximos 100 dias, como serão?

Pede a prudência e a humildade, por demais estimuladas em todos os que tentaram fazer previsões sempre que Donald Trump está em jogo, que adivinhar o futuro dos EUA seja feito com reservas. A prova disso é, por exemplo, o volte-face do Presidente dos EUA na Síria e consequentemente nas relações com a Rússia.

Ainda assim, há um conjunto de desafios que Donald Trump terá pela frente nos próximos 100 dias, e não só, sobre os quais muito ainda se vai escrever. No plano mais imediato, será interessante perceber se a escusa do Congresso em debater o Obamacare é suficiente para não agitar as águas entre os republicanos — levantando assim ondas que pudessem atingir diretamente Donald Trump.

Além disso, num futuro não muito distante, será necessário perceber que postura terá Washington D.C. em relação à Rússia e à Síria — tal como com França, Reino Unido e Alemanha que, por esta ordem, estão à beira de eleições que podem ser determinantes para o futuro da Europa. E, a qualquer momento, a questão da Coreia do Norte pesa sobre a cabeça de Washington D.C..

Além disso, Donald Trump terá pela frente outras batalhas mais longas — isto se as quiser travar. É o caso da substituição do Obamacare, da construção do muro, do combate ao Estado Islâmico ou a aplicação novas restrições à entrada de cidadãos de alguns países.

Tudo isto, com uma data em mente: 6 de novembro de 2018. Será nesse dia que, com as eleições intercalares, o Congresso poderá passar de republicano a democrata. Mas, até lá, ainda falta muito tempo. Precisamente, 677 dias. Só Donald Trump saberá o que fará com eles.

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.