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Entregámos prémios para melhor vilão, melhor ator, melhor banda sonora e mais categorias que rivalizam com a cerimónia de hollywood

Entregámos prémios para melhor vilão, melhor ator, melhor banda sonora e mais categorias que rivalizam com a cerimónia de hollywood

38ª Cerimónia de Entrega dos Óscares do PSD. Melhor vilão, argumento, ator ou banda sonora. Quem ganhou? /premium

  • Texto de Pedro Benevides, Rui Pedro Antunes, Rita Dinis e Miguel Pinheiro, fotografia de João Porfírio

Em dia de óscares do cinema, atribuímos os habituais prémios de fim de Congresso. Quem ganhou o melhor ator, vilão, argumento adaptado, a melhor fotografia ou a banda sonora? E o filme estrangeiro?

Melhor Argumento original: “O PSD Nunca Foi de Direita”, por Rui Rio

Claramente, este filme não é um documentário — é uma obra de ficção. É uma ficção em relação ao passado: a ação de Sá Carneiro, que Rui Rio invoca repetidamente para colocar o PSD à esquerda, assentou sempre na liberalização da economia, na privatização das empresas nacionalizadas e no combate à hegemonia do Estado. Convém perceber que umas frases soltas ditas há 40 anos não se sobrepõem à prática política de quem as disse. E é uma ficção em relação ao presente: como Vasco Pulido escreveu há umas semanas, “ainda hoje convinha comparar o mapa da prática activa do catolicismo com o mapa eleitoral do PSD” para “evitar a torrente de asneiras que por aí se dizem”.

A tranquilidade reina na tela, mas o espetador está nervoso na cadeira porque sabe que pode apanhar um susto a qualquer momento: o protagonista vira costas e zás, um plot twist.

Melhor Argumento adaptado: “Não Houve Almoço de Conspiração”, por Hugo Soares

Congresso, dia 1. Os candidatos derrotados por Rui Rio e os seus apoiantes vão chegando ao centro cultural de Viana com bandeiras brancas de paz. Dizem que o partido precisa de unidade, que estão disponíveis para o partido, que querem ouvir o líder e que são “mais um como os demais”. A tranquilidade reina na tela, mas o espetador está nervoso na cadeira porque sabe que pode apanhar um susto a qualquer momento: o protagonista vira costas e zás, um plot twist. Congresso, dia 2. Tudo calmo até à hora de almoço, mas foi aí que a dupla de produtores Luís Montenegro e Hugo Soares desviou o roteiro três quilómetros e, com co-produção de Paulo Cunha (de Famalicão), organizou um almoço com centenas de apoiantes para pedir às tropas que não desmobilizassem e para garantir que aquela corrente de pensamento iria continuar, pelo menos, representada no Conselho Nacional (o parlamento do partido). Paulo Cunha seria o número um dessa lista, que acabou com 191 votos (contra 249 da lista de Rio). O assunto ganhou protagonismo mediático que os protagonistas rapidamente tentaram arrefecer. Não foi um “almoço de conspiração”, disse Hugo Soares aos microfones do Observador. “Foi um almoço de amigos”, acrescentaram outros apoiantes. Melhor argumento adaptado, portanto.

É a lista “oficial”, concorre ainda por cima contra o homem que já perdeu dez vezes. Só pode ganhar, certo? Errado. Logo no dia seguinte vem a surpresa.

Melhor Ator: Luís Montenegro, em “Com Que Cara Se Vai à Festa do Vencedor?”

Luís Montenegro não tinha um papel fácil. Os holofotes estavam todos apontados para si, mas o ator não podia nem ceder à pressão nem ser deslumbrado por ela. Era preciso um equilíbrio entre o overacting e o low profile. Mas quando se perde uma disputa, com que cara é que se vai à festa do vencedor? A regra número um é não ir sozinho, levar apoiantes, e a regra número dois é criar empatia com os convidados. Foi o que fez quando subiu ao palco do congresso para falar. Todos estavam à escuta e o equilíbrio foi bem conseguido. Sem overacting, Luís Montenegro apareceu sereno (quase comovido) e mostrou-se paciente quando o presidente da Mesa o instava a terminar a intervenção, e uma voz anónima na bancada dos observadores atirava apartes desagradáveis ao tribuno. Fora de cena, Hugo Soares (o braço direito) atirava: “Um dia ainda vamos saber quem lá estava sentado”. Montenegro deixou recados a Rio, pôs pose de estadista e, no fim, disse que ia embora, mas não ia calado. Nada como uma vítima de um golpe para criar empatia, mesmo entre quem não lhe é naturalmente favorável.

Melhor Fotografia: “O Busto”, por Francisco Sá Carneiro

Não há cerimónia dos óscares do PSD em que não apareça “O Busto”. Um clássico da cinematografia laranja, foi amplamente citado durante este fim-de-semana, como o é sempre de cada vez que o PSD convoca um momento importante. Relíquia da cinemateca da São Caetano à Lapa, é o primeiro a sair da festa, rodeado de todos os cuidados e atenção devidos a uma verdadeira estrela.

"O Busto", por Francisco Sá Carneiro. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Melhor Remake: “O Discurso Final”, de Rui Rio

Se a cena de abertura de um congresso é ter o líder a falar para os militantes, a cena final costuma ser o momento em que os líderes partidários olham de frente para a câmara e falam diretamente ao espetador que não comprou bilhete para este filme. Fazem análises, criticam o poder, apontam caminhos e, normalmente de forma inflamada, reservam sempre duas ou três surpresas para que no dia seguinte ainda haja assunto de conversa. Mas Rio é um realizador alternativo, dos que se orgulham em rejeitar os artifícios das grandes produções de Hollywood. Rui Rio é mais Dogma 95 do que Disney. Vai daí, evita os truques para encantar multidões (e galvanizar congressos) e repete a mesma fórmula que testou nos últimos dois anos: as mesmas críticas, as mesmas prioridades, as mesmas propostas de pactos, os mesmos apelos a reformas. O discurso de encerramento de Rio não foi muito mais que baralhar e dar de novo. Já o ouvimos a dizer várias vezes aquilo que disse no congresso. E Rui Rio prefere que seja assim. Pode não ter sido um grande sucesso de bilheteira nas últimas legislativas, mas pode sempre vir a tornar-se um clássico de culto.

Melhor Ator Secundário: Miguel Albuquerque, em “O Fiel Jardineiro Que Não Consegue Ser Jardim”

A Miguel Albuquerque já era conhecido o gosto pela botânica, mas não pela representação. Depois de ter rasgado as vestes em defesa da autonomia do PSD/Madeira, de ter decidido não abrir as sedes na segunda volta das diretas, de não ter deixado sequer os 104 militantes com quotas pagas verem validados os seus votos, acabou por fazer um acordo com Rui Rio. Perante a alegada indignação de todos os madeirenses com Lisboa, o que fez Miguel Alburquerque? Já quase no fim do filme decidiu deixar de ser rebelde, amadureceu e chegou a um “entendimento” com a direção. De tal forma, que os deputados do PSD/Madeira até votaram contra o orçamento do Estado, depois da abstenção no primeiro voto na generalidade. Nem sempre na botânica se aprende a ser Jardim.

Rui Rio é mais Dogma 95 do que Disney. Vai daí, evita os truques para encantar multidões (e galvanizar congressos)

Melhor Banda Sonora: “Música Para os Meus Ouvidos”, de Hugo Soares

Havia um outro potencial candidato a este prémio: o observador anónimo que pronunciou vaias mais ou menos impercetíveis durante o discurso de Luís Montenegro, que ninguém sabe quem é e, pelas imagens das câmaras de televisão, parece nem sequer ter credencial ao pescoço. As suas interjeições e “gritos” lançados a partir da bancada foram a música que acompanhou um dos momentos mais mediáticos do congresso. Mas o Óscar vai para Hugo Soares que, minutos antes de Montenegro, tinha-se estreado nas vaias e apupos. Foi o primeiro congressista a ser assobiado e foi ele que sorriu aos assobios: “Tanto as palmas como as vaias, são música para os meus ouvidos”.

Melhor Curta Metragem: “Olá e Adeus em 20 segundos”, de Ramiro Santos

Sumário: Ramiro Santos foi ao palco, puxou pelo PSD e levantou o Congresso. Ramiro Santos é defensor de que menos é mais e em apenas com 20 segundos de discurso, foi aclamado pelos militantes. A melhor homenagem que se lhe pode fazer é ser parco em palavras e, claro publicar o guião da curta-metragem (o discurso), na íntegra: “Boa noite, meus amigos, minhas amigas, dr.Rui Rio, estamos convosco. PSD em frente, Azambuja presente, Caldas da Raínha, Alcoentre, Azambuja. PSD sempre, Força PSD, força PSD. Vamos em frente, só assim é que conseguimos derrubar o PS. Força PSD. Boa noite a todos. Boa noite.”

Melhores Efeitos Especiais: Fernando Negrão em “Onde está Fernando Negrão?”

O filme começa com o protagonista a passear calma e simpaticamente pelos corredores do congresso. Correm rumores que lhe são favoráveis: Rui Rio escolheu-o para liderar a lista ao Conselho de Jurisdição Nacional, o orgão que é uma espécie de tribunal do partido. Negrão nunca confirma, mas também não desmente aquilo que parece ser o reconhecimento pela forma como deu o peito às balas na liderança da bancada parlamentar, quando os deputados vinham do tempo de Passos Coelho. Ao início da noite do segundo dia, o próprio Rio confirma a escolha. É a lista “oficial”, concorre ainda por cima contra o homem que já perdeu dez vezes. Só pode ganhar, certo? Errado. Logo no dia seguinte vem a surpresa. Negrão fica em segundo lugar, Paulo Colaço vence finalmente ao fim de dez tentativas. Refeitos do twist inesperado, eis que na apoteóse final, quando todos são chamados ao palco, instala-se o mistério: E Negrão? Onde está Negrão? Porque não subiu ao palco? Onde foi? Com quem e porquê? Como desparaceu? A sério, onde está Fernando Negrão?

Claramente, este filme não é um documentário — é uma obra de ficção.

Melhor Filme Estrangeiro: “O Discurso do Congelador”, de Carlos César

O filme de tensão a que se assistiu nos últimos dois anos no PSD teve sempre como ponto fulcral no argumento a relação com o partido socialista. Cada um no seu palco ou contracena ocasional? Mas a verdade é que chegados a este congresso, a narrativa caminhou no mesmo sentido: a construção de fronteiras com a governação de António Costa e a certeza de que o PSD não será tábua de salvação caso a geringonça deixe de funcionar de vez. Remetido ao estatuto de país estrangeiro, lá apareceu Carlos César com as credenciais do PS e a responder à altura às críticas que ouviu durante o discurso de encerramento: Rio “não trouxe nada de novo” e “tirou o discurso do congelador” onde estava desde, pelo menos, 2015. E se considerou uma “inverdade” a colagem à ideologia comunista e socialista, acusou ainda Rio de parecer ““ter atingido o delírio”, o que faz com que o PSD “não seja um partido confiável, nem responsável”.

Melhor Vilão: Chicão em “O Último Tango no Saloon”

Francisco Rodrigues dos Santos entrou no saloon com o coldre fechado para passar tempo com o parceiro de outras campanhas, que o convidara para beber um copo. Ao sentar-se à mesa, o amigo (Rui Rio) até lhe deu um abraço especial e lembrou as campanhas que fizeram juntos contra esse vilão maior que era a troika. O clima era favorável para fazer PàF, mas “Chicão” optou por sacar da pistola e fazer “pum”. Não resistiu a, ainda dentro do congresso, à mesa com o velho amigo, disparar. Se o PSD tinha acusado o CDS de dar a mão a Costa, Rodrigues dos Santos começou por dizer que “o CDS não faz favores ao governo socialista” para depois dar o tiro final: “Nós não dançamos o tango com o Bloco de Esquerda nem com o PCP, naturalmente apelamos a este diálogo com o nosso parceiro tradicional – o PSD -, quisemos estendê-lo aos partidos do arco da governabilidade, incluindo o PS, para que fosse possível descer o IVA da eletricidade”. No western spaghetti, o rosto do “aggiornamento” centrista não perdoou e colou o PSD à esquerda.

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