Por muito pouco, ainda é um número redondo: metade dos alunos que se candidataram a uma vaga ao Ensino Superior ficaram colocados na segunda fase do concurso nacional de acesso. Olhando para as décimas, porque no acesso ao superior todos os números contam, a percentagem é de 50,9%. Com o arredondamento para cima, ficamos nos 51%, número que é, ainda assim, inferior ao do ano anterior, quando 55% dos alunos conseguiram vaga.

Já a nota mais alta do último colocado foi de 195,8 valores no curso de Engenharia e Gestão Industrial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto — e que é também a nota do único aluno que entrou para este mestrado integrado na segunda fase. Engenharia Aeroespacial, do Instituto Superior Técnico, ficou em segundo lugar, com uma nota de 194,5 valores. Na primeira fase tinha ficado em primeiro, com 189,5. Agora, tinha duas vagas e ambas foram ocupadas.

Em terceiro lugar, com 194,3, ficou o curso Engenharia Física Tecnológica, também lecionado no Técnico.

O número de alunos com deficiência no superior volta a aumentar. O contingente especial teve um crescimento acentuado com mais 34% de colocações face ao ano anterior (310 estudantes colocados nas duas primeiras fases contra 231). O crescimento é ainda maior —158% — quando comparado com 2015, ano em que foram colocados 120 estudantes por este contingente.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior às 00h01 desta quinta-feira, podendo os dados individuais ser consultados no site da DGES. Na tabela que o Observador disponibiliza, pode verificar se entrou no curso escolhido, confirmando qual foi a média do último aluno colocado.

[Veja aqui se conseguiu entrar no Ensino Superior. Pode rolar para cima e para baixo dentro do quadro ou fazer uma busca na área de “search”] 

Na nota enviada às redações, o gabinete do ministro Manuel Heitor assinala que, dos 18.195 estudantes candidatos, 9.274 ficaram colocados. A distribuição pelo tipo de instituição é quase idêntica, com os politécnicos a receberem mais alunos (4.789) do que as universidades (4.485), mas por uma curta margem.

Entre as duas fases, o ano letivo atual já conta com mais de 45 mil alunos. “No conjunto da primeira e segunda fases já ingressaram no ensino superior público, através do concurso nacional de acesso, 46.721 novos estudantes, o que representa um aumento de 1,4% face a idêntico momento no ano anterior. Na primeira fase do concurso nacional de acesso já tinham sido colocados 44.500 estudantes, dos quais se matricularam 39.566 (88,9%)”, nota a tutela no comunicado.

Contas feitas, assinala o ministério, “a colocação de estudantes nesta segunda fase confirma as estimativas de ingresso no ensino superior público, que apontam para cerca de 77 mil novos estudantes em 2019/20 quando consideradas todas as vias de ingresso”.

Para os estudantes agora colocados, a matrícula e inscrição na instituição de Ensino Superior é realizada entre 26 e 30 de setembro. Esta é a única forma de garantir a vaga, já que, caso não o façam dentro do prazo legal, os estudantes perdem o seu lugar.

3.ª fase. Sobraram 4.583 vagas que ficam nas mãos das instituições

São mais de quatro mil vagas que este ano sobram para a terceira fase do concurso e que podem ainda aumentar, se os alunos colocados nesta segunda fase não se matricularem. No entanto, não é líquido que os 4.583 lugares (menos 14% que em 2018) possam ser aproveitados por quem ainda não conseguiu lugar no ensino superior. Por que motivo? Porque cabe agora a cada instituição de ensino superior decidir se quer ou não abrir, de facto, essas vagas, como acontece todos os anos.

“Quando uma instituição de ensino superior decide abrir terceira fase do concurso, fixa ainda o número de vagas, em valor igual ou inferior às vagas sobrantes da segunda fase acrescidas das vagas não ocupadas pelos estudantes colocados nesta fase que não realizaram a matrícula e inscrição”, clarifica o Ministério do Ensino Superior no comunicado enviado às redações.

As vagas da terceira fase só serão conhecidas a 3 de outubro e serão divulgadas no site da Direção-Geral do Ensino Superior. O prazo de candidatura é bastante mais curto do que nas primeiras duas fases do concurso e decorre de 3 a 8 de outubro.

Os lugares que sobram dividem-se por 264 licenciaturas e mestrados integrados. Os cinco cursos com mais vagas sobrantes são todos do Politécnico de Bragança, à semelhança do que já tinha acontecido na primeira fase: Engenharia de Energias Renováveis (66), Enfermagem Veterinária (57), Gestão de Negócios Internacionais, ministrado em inglês (54), Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (49) e Engenharia Mecânica (49).

Sem vagas ficaram 797 cursos, embora isso não signifique que todas vão ser reclamadas. Entre o número total de candidatos à segunda fase (18.195) havia 1.914 estudantes que, apesar de colocados na primeira fase, não se matricularam, perdendo esse lugar.

Da primeira para a segunda fase foram ainda libertadas 2.119 vagas por candidatos colocados, matriculados, mas que ficaram, de novo, colocados nesta segunda ronda de acesso. Quando isso acontece, a colocação da segunda fase é a que tem precedência.

No entanto, o número de estudantes que tentou, de novo, a sorte na segunda fase foi bastante superior, 6.070 alunos, o que significa que mais de metade deste grupo não conseguiu lugar à segunda volta. Há vários motivos para isto acontecer: o mais comum é serem estudantes que não ficaram colocados na primeira opção ou na instituição pretendida e que tentam de novo ingressar com base nas vagas sobrantes.

Feitas as contas, houve 4.033 alunos que não aproveitaram a vaga em que ficaram colocados na primeira fase de acesso.

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Seis mil novos candidatos apareceram só na 2.ª fase

Entre os mais de 18 mil candidatos, 33% estavam a candidatar-se pela primeira vez ao ensino superior no atual ano letivo, ou seja, não tentaram conseguir vaga durante a primeira fase. Segundo os números divulgados pelo Ministério do Ensino Superior, nessa situação estavam 6.019 candidatos.

A estes somam-se 4.062 que, apesar de candidatos, não tinham conseguido uma vaga nas universidade e politécnicos, os quase 2 mil que não se matricularam e que perderam automaticamente a vaga (1.914) e os que se matricularam (6.070). Entre estes últimos, os que não conseguiram colocação na segunda fase ainda podem frequentar o curso em que tiveram vaga na fase anterior.

Como habitualmente, houve mais candidatos do que lugares. Para a segunda fase, o número de vagas colocadas a concurso foi de 11.615, às quais se somam as 2.119 libertadas por candidatos colocados nas duas fases, totalizando 13.734 — uma diferença que rondou os 4.500 lugares quando comparada com os candidatos.