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Um café na estação do Pragal e um pedido: "Dê-me lá o seu telemóvel"

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Um café na estação do Pragal e um pedido: "Dê-me lá o seu telemóvel"

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"A fase dos debates acabou". Costa quase aliviado quer encerrar caso com BE

Líder do PS andou de transportes a sul do Tejo e recusou alimentar polémica com Catarina Martins. Quer deixar os debates para trás. Diz que foram para "políticos" e que agora está "para as pessoas".

Ao balcão do “Ponto do café” na estação do Pragal, Filipa acabou de decidir que afinal vai votar nas legislativas de 6 de outubro. “Eu não ia votar, mas agora vou”. Já está até de bandeira do PS em punho, numa animação que se ouve bem em todo o átrio da estação. Foi um voto fácil para António Costa, nem um café lhe custou, já que as empregadas o ofereceram. Em troca, tiveram o momento de fama de uma conversa matinal com o primeiro-ministro e também a promessa de outro cafezinho, desta vez pago pelo socialista, “quando ganhar as eleições” — o desafio foi de Filipa e Costa fez gesto de promessa de escuteiro. Acordo feito. Fosse assim tão fácil na política e o líder do PS não estaria ainda agora às voltas com versões sobre quem foi primeiro a ser conquistado pela “geringonça”. Afinal foi o PCP ou o Bloco de Esquerda?

Numa fórmula que lhe é típica quando o tema é incómodo, António Costa declarou o caso “encerrado”: “Está encerrado esse assunto, vamos aos assuntos que interessam aos portugueses”. Costa quer começar a “falar com os cidadãos” e aos jornalistas que, a bordo do Fertagus, o confrontam com a insistência de Catarina Martins em afirmar que, em 2015, Bloco e PS já tinham falado sobre uma solução governativa mesmo antes da reunião PS/PCP,  o socialista diz que “essa fase da campanha está fechada. Até agora foi o que interessava aos políticos e aos jornalistas, agora é o que interessa às pessoas”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Mas “essa fase” de que agora Costa se queixa até foi lançada por si mesmo, quando numa entrevista ao podcast “Perguntar não ofende” contou aquela que garante ser “a realidade dos factos”: “Esta solução foi construída apesar do Bloco de Esquerda, que depois se juntou”. Já o tinha sugerido num debate quinzenal e esta segunda-feira, no frente-a-frente com Rui Rio, voltou a dizer que o Bloco tinha ido atrás do PCP, no acordo com o PS. A reunião de que Catarina Martins fala, quando o acusa de “reescrever a história”, foi entre Fernando Medina e Jorge Costa, e aconteceu mesmo no dia das eleições, confirmou o Observador junto de três fontes socialistas.

Nenhuma dessas fontes confirma, no entanto, ter daí saído luz verde para o acordo de governação. Aliás, a ideia que terá ficado, segundo conta um dirigente do PS ao Observador, é que não existia clima para um entendimento. Nessa altura, é já conhecido, existiam conversas exploratórias com os comunistas. Nenhuma das partes contou, até agora, o conteúdo da tal conversa informal entre PS e BE.

E António Costa promete agora não ser ele a fazê-lo. Catarina Martins tem alguma razão? “Olhe chegámos ao Fogueteiro!”, finta o líder do PS na tentativa de mudar de conversa. O assunto irrita-o, como saltou à vista no debate a seis de segunda-feira à noite. Foi aquele em que mais incomodado apareceu, atacado por Assunção Cristas e por Catarina Martins, e quer agora deixar esse capítulo para trás das costas. Aliviado por terem terminado os debates? “Foi uma boa oportunidade para políticos falarem com políticos”, menoriza Costa que apresenta o seu contraponto: “Agora é tempo de começarem a falar com cidadãos”.

Um pedido de maioria e outro de número de telemóvel. Tiveram a mesma resposta. Sorrir e acenar

A verdade é que também não foi esta manhã, em hora de ponta pela margem sul do Tejo, numa ação de campanha dedicada aos transportes, que António Costa conseguiu falar com mais pessoas. Um pequeno grupo à porta do café junto à Câmara do Barreiro, uns beijinhos e dois dedos de conversa com os passageiros que o viram entrar pelo número 6 dos Transportes Coletivos do Barreiro com toda uma caravana em campanha — que, escusado será dizer, lotou o autocarro. E um ou outro aperto de mão pelo meio do périplo autocarro-comboio que o levou do Barreiro até ao Pragal.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Na estação de Coina ainda se cruzou com um pedido de “maioria absoluta”, cumprimentou, sorriu e seguiu. Não foi tema que lhe ocupasse a manhã, continua no congelador socialista. Onde esteve mas tempo foi mesmo encostado ao balcão do café no Pragal, à conversa com Filipa com quem faz um brinde cafeínado, promete um encontro pós-eleitoral, deixa um abraço porque os beijinhos já não chegam à empregada de balcão que vai em crescendo até atirar: “Dê-me lá o seu número de telefone”. Teve a mesma resposta de Costa que o pedido de maioria absoluta que tinha ouvido antes. Sorrir e acenar. E seguir para longe.

Esta segunda-feira só volta ao terreno eleitoral para o comício da noite, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa — com Mário Centeno, Ferro Rodrigues e Fernando Medina chamados ao palco para discursar antes do líder. E a agenda suave de duas ações de campanha por dia está já a começar a ficar para trás. Para esta quarta-feira apareceu uma iniciativa que não estava prevista: um almoço com migrantes na Associação de Cabo Verde, em Lisboa. A organização escuda-se na agenda do primeiro-ministro — com Costa a manter sobretudo audiências em São Bento — para justificar os acertos de última hora.

Legislativas. António Costa em campanha verde, sem carne assada e a acabar em casa de Rui Rio

Para a manhã desta terça-feira levava uma mensagem engatilhada: transportes e passe social único. Tentar abater a crítica de um Governo afastado do investimento em transportes públicos que nos últimos anos evidenciaram degradação. Costa foi à margem sul do Tejo dizer que o trajeto que fez permitiu “ver que o investimento no transporte público é muito compensador do ponto de vista ambiental” e “para as famílias, a alteração do custo do passe permitiu alterar as relações sociais dentro destes concelhos”. Referia-se aos 18 concelhos da área metropolitana de Lisboa que aderiram à redução do preço do passe.

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No Barreiro, autarquia que o PS roubou ao PCP nas últimas eleições, Costa conseguiu apanhar um dos novos autocarros, dos 60 que vão entrar na frota (30 já estão e os outros 30 chegam até ao final de novembro), todos movidos a gás natural. Vão substituir e aumentar a antiga frota da TBT, constituída por 45 veículos de passageiros.

O socialista entra e ainda se senta nos bancos mais à frente, ao lado do pequeno Tiago que olha desconfiado para o aparato. Faz festas nas bochecas do miúdo, mas levanta-se pouco depois porque o momento estava a entupir a entrada do autocarro, com câmaras dos repórteres a tentar registar o que se passava. Costa levantou-se e foi para o último banco, sentado no último lugar, junto à janela, do lado esquerdo. E só já a meio do trajeto sentiu o alívio do ar condicionado, ligado nessa altura. No primeiro dia de campanha estrada sentiu-se também o alívio dos fins dos debates e, nesta caravana, Costa já não parece muito interessado no último banco do lado esquerdo.

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