Comida e folclore

San Sebastian, onde fica o Mugaritz, é uma meca da comida. A cultura gastronómica desta zona de Espanha (e de todo o País Basco) é tão sólida que se confunde com o folclore tradicional — pelo menos isso viu-se na festa. Entre comes e bebes, actuaram vários grupos de música tradicional, como estes Joaldunak

Diogo Lopes/Observador

Comida e folclore (II)

O grupo que se vê na foto anterior e que aqui aparece de costas (com os sinos à cintura) fazem parte de uma tradição secular. Segundo a história, estes grupos de homens e os seus sinos (há outro dentro do chapéu alto) percorriam as ruas do norte de Espanha, fazendo barulho, para avisar que o carnaval ia começar.

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“Um Woodstock gastronómico”

A alusão ao famoso festival dos anos 60 foi feita por várias pessoas. A entrada no recinto da festa — o parque de estacionamento deste duas estrelas Michelin — era feita através de um portal com dezenas de fitas coloridas penduradas. Entre o meio-dia e as onze da noite, cerca de 300 pessoas passaram por lá.

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O contingente português

Vários cozinheiros portugueses passaram pelas cozinhas do Mugaritz. O chef Leonel Pereira foi o primeiro a chegar à festa — ofereceu uma cataplana feita à mão –, mas depois surgiu José Avillez, David Jesus, e Vasco Coelho Santos. Este último levou garrafas de vinho do Porto com vinte anos. Andoni emocionou-se.

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O “menino dos anos”

“Olha para ele, parece uma criança!”, comentou um dos convidados ao ver o chef da casa a dançar alegremente. Andoni é um cozinheiro especial: a comida mais “conceptual” que serve no Mugaritz é longe de ser consensual, mas isso não tira a admiração de centenas de cozinheiros super-conceituados.

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Uma chuva de estrelas

Contar as estrelas Michelin que estavam presentes era impossível. Cozinheiros de todo o mundo como Massimo Bottura (na foto), os Roca, Virgílio Martinez, Ferràn e Albert Adriá, Virgilio Martínez, Dan Barber ou Grant Achatz fizeram questão de marcar presença e celebrar.

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Prendas… para os convidados

A hospitalidade, os comes e os bebes eram mais que suficientes para deixar toda a gente “de barriga cheia”, mas Andoni foi mais além. Os participantes da festa receberam um lenço basco para atar ao pescoço, t-shirts comemorativas, uma serigrafia numerada e ainda uns copos feitos de propósito para o evento

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Bailando, Bailando!

Festa que é festa tem de ter uma banda sonora condicente, e esta não falhou nesse departamento. Houve actuações ao vivo de grupos de spoken word basco, cumbia colombiana, bandas filarmónicas e grupos de percussão. O público começou tímido mas em pouco tempo — entre comidas — fez o gosto ao pé.

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Quem corre por gosto não cansa

As bancas de comida e bebida eram “geridas” por jovens cozinheiros do restaurante. Uma rapariga inglesa que estava na banca do vinho jurou que “estar aqui a ajudar não custa e consegue ser ainda mais divertido e recompensador do que trabalhar no Mugaritz”. O sorriso dela diz tudo.

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Sagardoa ou simplesmente cidra

O País Basco é conhecido pela sua produção — o copo e a garrafa/pipa devem estar bastante afastados quando se servir para que o ar entre e torne o seu sabor mais agradável — e por isso não faltou à festa. Txakoli, uma espécie de vinho verde basco, também foi presença assídua no copo dos convidados.

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Comer, comer e comer

O que se come no aniversário de um restaurante de fine dining? A resposta materializava-se logo ao entrar no recinto da festa. Havia bancas com pães, queijos regionais, marisco fresco, pimentos fritos e este cabrito, a estrela da companhia. Ficava três horas na brasa e todos fizeram fila para o provar.

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Acrobacias entre pratos

As festividades foram sempre intercaladas por momentos lúdicos, fossem eles de base musical…ou acrobática. Um grupo circense local actuou com uma espécie de trapézio improvisado. “Toma, segura nesta corda com força”, disseram a um rapaz. E assim foi: durante pouco mais de 5 minutos houve piruetas nas alturas.

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Outsourcing do mais alto nível

Lembra-se do cabrito de há umas fotos atrás? Pois bem, ele foi confeccionado por uns assadores de uma aldeia vizinha — o Mugaritz fica numa pequena localidade nas montanhas — para tratar do assunto da maneira mais tradicional possível. No total comeram-se 12 cabritos, uma leva de 6 ao almoço e outra ao jantar.

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Fiesta!

À medida que o sol intenso ia amainando e o nível de álcool aumentando, muitas foram as pessoas que correram para a pista de dança, um deck coberto no centro daquele parque de estacionamento virado festa. Como se vê, houve até quem improvisasse uma sessão de limbo com fitas de segurar balões.

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Mugaritz contra o mundo

“Vão ter de vir comigo”, disse uma simpática rapariga da organização ao puxar dois convidados. O destino? Um jogo da corda. No início da noite toda a gente reuniu-se para ver o embate entre a equipa do Mugaritz e quaisquer outros que os quisessem enfrentar. Escusado será de dizer que a “casa” foi a vencedora.

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Gomas e confettis

A tradição pode ser mais sul-americana que espanhola, mas isso não impediu que houvesse uma piñata no aniversário do Mugaritz. Miúdos — como o filho de Andoni — e graúdos tentaram a sua sorte, mas foi uma rapariga da organização que conseguiu destruir o panda de papel que soltou gomas e papelinhos coloridos.

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Os tacos do País Basco

Estas tortilhas de milho são muito associadas à América Latina, mas os bascos têm a sua própria versão, os talos. Artesãos da região foram convocados para fazer estes círculos na hora, em cima de uma chapa quente, que depois podiam ser recheados ou com chocolate ou com Txistorra, uma salsicha típica desta zona.

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E peixe?

A cultura da carne pode ser um óptimo cartão de visita do País Basco, mas há muito mais para lá dos chuletóns. Por ter uma zona de costa invejável, esta região também é fã de peixe e a sardinha é um dos mais populares. Na festa serviram-nas grelhadas num forno a carvão (os chamados Josper).

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Rock n’Roll!

Quando tudo parecia acalmar, uma carrinha aparece e traz com ela uma banda de covers de música rock. Pareceu que se estava num festival de verão e Andoni até chegou a fazer stage diving com uma capa vermelha às costas. Os chefs Pepe Solla e Diego Guerrero, dois rockeiros, assistiram à ação a partir do palco.

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Até daqui a cinco anos

A apoteose surgiu quando no fim da festa começou a tocar um grupo de flamengo. Todos correram para o palco e não houve ninguém que não dançasse — como a chef Dominique Crenn que não parou um segundo. “Nos 25 anos faço nova festa, está prometido”, atirou o anfitrião. Conseguirá superar a bitola?

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