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DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

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AD com política de não-agressão à direita. Todos os males vêm do PS

Em véspera de voto antecipado, AD apela a quem votou no Chega nas legislativas e está "frustrado". Estratégia tem poupado direita que, mesmo quanto é atingida, é para chegar ao inimigo número um.

As armas bem podem levantar no outro setor da mesma trincheira da direita, mas a AD não quer entrar em confronto com a Iniciativa Liberal e evita a todo o custo fazer do Chega o seu principal adversário nesta campanha para as Europeias. Os motivos da não-agressão são diferentes, mas o efeito é o mesmo: a total ausência da IL e Chega da linha de fogo nos discursos na campanha da AD. Já o PS está constantemente na mira (e a esquerda à sua esquerda tem levado só por tabela).

“Eles bem tentam, atacam, atacam, chamam isto e aquilo mas eu estou comprometido como espírito da AD”. Este sábado, no almoço-comício em Paços de Ferreira, o cabeça de lista da coligação nas Europeias apertou no caminho de vitimização face às investidas que têm vindo de fora. De manhã, num passeio junto à praia dos Lavadores (Vila Nova de Gaia), já tinha sido confrontado pela comunicação social com o que João Cotrim Fgueiredo dissera sobre ele na noite anterior, chamando-lhe impreparado na economia e “beato”. “Quem me faz ataques pessoais tem a vantagem de saber que nunca vou responder com um ataque pessoal”, respondeu.

Cotrim enterra juras de não agressão e aponta baterias a Bugalho

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IL e Chega não são os adversários (mas as razões são diferentes)

Ainda a campanha não tinha começado e num debate com o cabeça de lista da IL na rádio Observador Bugalho anunciava esta estratégia de não-agressão do partido: “Não vou fazer o favor aos meus adversários de me picar com Cotrim”. Mas do lado de lá os ataques têm aparecido, como conta o Observador nesta reportagem junto da candidatura liberal.

No entanto, a resistência da AD mantém-se, repetindo a estratégia das últimas legislativas, em que Montenegro não hostilizava este adversário concreto — ainda que também nunca tenha assumido qualquer aliança pós-eleitoral. A IL foi sempre deixada sem resposta quando atacava a AD, tal como agora. Não é um adversário em relação ao qual a coligação precise de demarcar-se nesta fase. E também não está em condições parlamentares de ganhar mais inimigos.

Em relação ao Chega, a questão é outra, mas a mesma — mais uma vez — que foi seguida nas legislativas. Nessa campanha, Montenegro não quis entrar no “recreio” de André Ventura, deixando sem resposta as suas investidas, para evitar que se tornasse do principal adversário, beneficiando o PS. Nestas Europeias mantém-se intacta a ideia de não entrar na contenda direta com o partido, para não fazer dele o seu seu principal adversário. Foi assim durante toda esta primeira semana de campanha e só este sábado apareceu uma adenda, trazida pelo secretário-geral do PSD, Hugo Soares.

Afinal, no plano nacional, o Chega tem surgido ao lado do PS contra a AD e o líder parlamentar do PSD aproveitou o palco para drenar algumas dores parlamentares dos últimos dois meses. Nesse palco, o PS e o Chega têm unido deputados para enfrentar o Governo, pelo que Hugo Soares se dirigiu, num comício em Barcelos, aos “muitos que foram votar em protesto contra o que aconteceu em Portugal, foram votar contra o socialismo” nas últimas legislativas”. E pergunta: “Como se sentirão a olhar para o partido em que votaram para correr com socialismo a ser uma espécie de colinho do PS?”.

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“Eu sei como se sentem: enganados, frustrados, todos os portugueses que votaram a contar com uma coisa, que votaram a pensar em alhos e saíram-lhe bugalhos, têm a oportunidade de nesta eleição dizer o que querem”, desafiou para tentar desviar esse voto de protesto para a AD, na esperança de evitar a repetição do que aconteceu nas legislativas.

PS no centro de todos os ataques da AD

Já na boca do cabeça de lista Sebastião Bugalho não há referências nesse sentido, nem mesmo na de Luís Montenegro que, nesta primeira semana, já apareceu dois dias na caravana, mas nunca apontou ao Chega. Mas, ao contrário do que fez em toda a campanha das legislativas, o líder do PSD entrou em despique direto com o PS. Acusou-o, em Santa Maria da Feira, de não ter “pedalada” para acompanhar o ritmo do Governo e garante que no dia seguinte às eleições, seja qual for o resultado, o Governo vai “manter a mesma dinâmica”.

No dia seguinte a esta imagem, em Guimarães, o cabeça de lista cruzou-se com uma bicicleta no meio de uma arruada. Não quis pedalar, mas o líder parlamentar Hugo Soares não desperdiçou a oportunidade de dar uma imagem à tirada do líder no dia anterior e saltou logo para testar a sua pedalada. Saiu a dizer que tinha sido fácil e a admitir que Pedro Nuno também conseguiria. O partido está a entrar direto nesta luta, até porque agora — ao contrário das legislativas — tem mais a perder.

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A AD conquistou o Governo, lidera por curta margem e com dificuldades no Parlamento. E é neste cenário que volta a ir a votos, sabendo que qualquer resultado que não mostre uma AD mais destacada do que nas legislativas adicionará pressão ao Governo — e as sondagens não têm mostrado nada nesse sentido.

O cabeça de lista tem entrado  nessa frente de batalha contra o PS, sobretudo a explorar as contradições que existem dentro do partido de Pedro Nuno Santos sobre colagens entre a direita tradicional e a populista. Aponta a Marta Temido, que cola o PSD ao Chega, um Francisco Assis, número dois da lista, que é “moderado” e insiste na diferença entre esse a extrema direita e a tradicional.

E junta ainda outro argumento. que tem a ver com os governos socialistas de Malta, Dinamarca e Espanha, que, respetivamente, não criminalizam o aborto, deportam imigrantes e constroem muros para quem quer entrar no país. Todos apoiam o mesmo candidato a presidente da Comissão Europeia, o luxemburguês Nicolas Schmit, para sacudir a crítica que vem do PS às aproximações que a recandidata apoiada pela AD (e pelo PPE) tem tido à extrema direita. No final de tudo sempre os extremismos que, ainda que estejam no Chega, a AD aproveita sobretudo para dirigir ao PS e, de uma cajadada, defender-se em duas frentes de uma só vez: a Europeia e a — sempre periclitante — nacional.

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