Dark Mode 151kWh poupados com o Asset 1
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica. Saiba mais

Logótipo da MEO Energia
i

MadalenaCasal

MadalenaCasal

Agricultura rentável mas sustentável? Só com inovação

Inovação é a solução para casar dois conceitos opostos no mundo da agricultura: rentabilidade e sustentabilidade. Esta foi a conclusão no final da conferência sobre o futuro da Agricultura

    Índice

    Índice

O encontro fez parte do programa da Agroglobal, a maior feira do agronegócio nacional que contou com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos onde, em circunstâncias normais, este ano 400 empresas teriam mostrado os seus produtos e serviços.  Apesar do certame ter sido cancelado devido ao surto pandémico da Covid-19, a organização decidiu, no entanto, avançar com um ciclo de conferências via streaming, mantendo assim uma das promessas da sua programação: “criar um ambiente de partilha de conhecimento e informação”.

Esta Agroglobal diferente do habitual foi marcada pela conferência “Portugal no Futuro, Uma Visão Estratégica para a Agricultura, Alimentação e Território”, uma manhã inteiramente dedicada ao futuro do setor primário e que trouxe a Valada do Ribatejo (Cartaxo), um leque de oradores especialistas na área, bem como uma comitiva do Governo, que ali apresentou a sua Agenda de Inovação para a Agricultura para a próxima década.

CGD está a apoiar novos projetos de investimento na agricultura

Mostrar Esconder

Linhas de crédito dedicadas ao setor primário beneficiam empresas que queiram investir nas suas explorações agrícolas, novos produtos, inovação ou planos de marketing. Em entrevista na Agroglobal, Francisco Cary, Administrador Executivo da Caixa Geral de Depósitos, revela mais detalhes sobre o apoio.

A agricultura é estratégica para a economia nacional, como comprova a nova Agenda de Inovação para a Agricultura para a década 20|30, anunciada pelo Governo na Agroglobal, a maior feira do agronegócio nacional, este ano reorganizada para um formato composto por um ciclo de conferências devido à epidemia da covid-19.

De 9 a 11 de setembro, este certame no Cartaxo foi palco de várias conversas sobre o futuro do setor primário, reunindo empresários, especialistas, decisores políticos e sociedade civil, que debateram tendências, previsões e soluções de investimento para uma área de negócio em permanente evolução, mesmo em contexto de pandemia.

No seguimento da conferência “Portugal no Futuro, Uma Visão Estratégica para a Agricultura, Alimentação e Território”, de onde sobressaiu a ideia de que é fundamental investir na inovação para assegurar uma agricultura que seja rentável, mas também sustentável, Francisco Cary, Administrador Executivo da Caixa Geral de Depósitos, revela em entrevista como podem as empresas agrícolas beneficiar de um novo apoio ao seu negócio.

Como está a Caixa Geral de Depósitos a ajudar os empresários do setor primário?

Sendo a agricultura estratégica para a economia nacional, são essenciais ferramentas de apoio ao financiamento. Seja para investimento inicial, expansão do negócio, inovação ou simplesmente colmatar eventuais perdas na faturação, a solução pode passar por uma linha de apoio bancário.

Apesar do contexto difícil durante a pandemia, o setor primário não parou. A confiança dos empresários continua alta e têm aparecido projetos de investimento. De forma a responder eficazmente a essa procura, a Caixa Geral de Depósitos tem uma oferta de financiamento dedicada às empresas deste setor, cobrindo vários apoios: investimento, finanças, serviços bancários, fundo de maneio, exportação, etc.

Desenvolvemos uma nova área de negócio orientada especificamente para o setor primário e contamos com uma equipa dedicada, dirigida por especialistas nesta área. Estes identificam as necessidades do mundo agrícola através de análises ao mercado, ajudando depois os empresários a definirem planos de negócio e a estudarem quais as melhores formas de investimento.

Esses mecanismos de investimento decerto incluem o crédito. Que soluções existem neste segmento? 

A Caixa tem uma nova linha de crédito, a Caixa Invest Agro, que lançou no início deste ano. É uma solução de financiamento dirigida aos setores agrícola e agroindustrial, para que possam investir nas suas explorações agrícolas, em novos produtos, em tecnologia ou em planos de marketing.

Este produto tem associada uma Garantia do Fundo Europeu de Investimento (FEI) de 70% e um plafond inicial de 95 milhões de euros, e abrange apoio a novos investimento e fundo de maneio associado, estando em negociação que possa também dar apoio de tesouraria a empresas agrícolas estabelecidas que tenham visto a sua atividade afetada pela crise.

Temos ainda outros produtos que fazem parte da oferta permanente da Caixa Geral de Depósitos, como as Linhas Antecipar, linha de crédito de curto prazo para antecipação de subsídios e financiamento de necessidades de exploração de unidades produtivas do setor agrícola, silvícola e pecuário.

Que vantagens traz o novo apoio à agricultura Caixa Invest Agro?

Essencialmente taxas de juro mais reduzidas e prazos e carências alargados. Como beneficia de um apoio público indireto, uma vez que foi criada em cooperação com o FEI e com o Programa de Desenvolvimento Rural 2020, esta linha permite prazos longos, que podem ir até 15 anos de financiamento, bem como prazos de carência até três anos.

Este financiamento conta também com o apoio especializado da Caixa Geral de Depósitos, tendo um valor acrescentado resultante da consultoria técnica especializada que é dada aos clientes.

Finalmente, graças ao esquema de garantias viabilizado pelo FEI, a linha Caixa Invest Agro dá acesso a outro tipo de apoios, mais aberto a empresários que não tenham uma capacidade financeira tão estabelecida, como jovens agricultores. Estes, como muitas vezes não têm capacidade para serem donos das propriedades – que são o colateral mais relevante nos financiamentos ao setor primário –, têm com esta linha a vantagem de um pacote de garantias que permite financiamentos sem a necessidade de serem os proprietários das terras.

Na Agroglobal falou-se no futuro da agricultura, nomeadamente a importância na inovação e na sustentabilidade. Como vê o setor agrícola em Portugal? 

Feiras como a Agroglobal são importantes para que os empresários do setor agrícola e agroalimentar possam trocar experiências e conhecimento, descobrir novas formas de aperfeiçoarem as suas produções, e adaptarem-se às circunstâncias de mercado e às tendências globais de sustentabilidade.

Nas conferências ficou claro que o conhecimento e a investigação têm contribuído para transformar o setor primário. Ao se investir na tecnologia, consegue-se fazer mais com menos recursos. Creio que isso é central nesta atividade, até porque existe uma cada vez maior exigência dos consumidores, que procuram cada vez mais produtos mais sustentáveis.

Nesse aspeto da sustentabilidade, destaco destas conversas o alerta sobre a coesão do nosso território que, como sabemos, é tem no interior do país um problema. Assim, a aposta na modernização tecnológica, na inovação e, claro, no apoio ao investimento, com produtos como o Caixa Invest Agro, podem ser muito importantes para a fixação de população em regiões de baixa densidade, para o crescimento económico e para uma agricultura mais rentável e sustentável.

“Tecnologias de informação são tão importantes como a enxada”

A tenda principal da Agroglobal começou por receber Pedro Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal do Cartaxo. O autarca abriu as hostes lembrando que a agricultura e as empresas agroalimentares são o motor de desenvolvimento daquela região – a Lezíria do Tejo.

Seguiu-se uma intervenção do primeiro-ministro, António Costa, que quis começar por agradecer o papel dos agricultores durante o período difícil do pico da pandemia: “Se nada nos faltou durante o confinamento, foi porque o mundo agrícola continuou a assegurar que, do prado ao prato, nada faltasse aos portugueses”.

O governante defendeu que a agricultura é uma atividade “que tem, e terá sempre, um enorme futuro”, trazendo para o encontro a mensagem que havia de ser repetida uma e outra vez durante a manhã: a aposta prioritária da agricultura deve ser na inovação. “O digital não é o oposto do trabalho agrícola. Cada vez mais as tecnologias de informação são uma ferramenta de trabalho tão importante como a enxada”, disse Costa, atestando a sua tese com números económicos: “É graças à inovação que, durante a última década, Portugal reduziu em cerca de 400 milhões de euros/ano o seu  défice alimentar, e que nesse período as nossas exportações do setor agroalimentar cresceram, em média, 5% anualmente, tendo em 2019 representado 11% do total das exportações de bens. Isto só é possível colocando a inovação no centro do processo agrícola”.

"Se nada nos faltou durante o confinamento, foi porque o mundo agrícola continuou a assegurar que, do prado ao prato, nada faltasse aos portugueses". 
António Costa, Primeiro Ministro

Um projeto para a agricultura em 2030

A conferência continuou com a apresentação da Agenda de Inovação para a Agricultura para a década 20|30. Foi Maria do Céu Antunes, Ministra da Agricultura, a responsável governamental que anunciou as principais linhas de um plano de transformação para o setor, com a premissa de o tornar mais sustentável e competitivo. “Esta agenda surge porque temos consciência dos desafios que temos pela frente, desde as mudanças climáticas à alteração de modelos de consumo e da digitalização”, disse a ministra.

A estratégia abrange quatro grupos destinatários (produtores, agentes de políticas públicas, cidadãos e agentes do território) e assenta em metas a dez anos, como instalar 80% dos novos jovens agricultores em territórios de baixa densidade, aumentar o valor da produção agroalimentar em 15%, tornar mais de metade da área agrícola em regimes de produção sustentável reconhecidos e aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento.

Maria do Céu Antunes garantiu que a estratégia não pretende ser uma revolução, “antes pequenas mudanças para acrescentar mais valor à agricultura”, apoiada numa nova Rede de Inovação, que visa transformar o conjunto de estruturas dispersas e desarticuladas numa rede moderna e orientada para as necessidades do agroalimentar. A apresentação desta agenda terminou com um alerta: a média de idade dos agricultores supera os 55 anos, por isso é preciso trazer as novas gerações para os campos. A vontade do Governo é que esta agenda sobreviva e seja um elemento agregador que consiga rejuvenescer o setor.

"(..)pequenas mudanças para acrescentar mais valor à agricultura". 
Maria do Céu Antunes, Ministra da Agricultura

À Ministra da Agricultura seguiu-se o seu homólogo espanhol, Luis Planas, que não se cansou de repetir que o setor primário “é um setor do presente, mas sobretudo um setor de futuro”. Depois, realçou a importância dos laços entre os dois países vizinhos na procura de uma agricultura mais eficiente, sustentável e rentável, deixando a ideia de que “é essencial passar de uma economia linear para uma economia circular”.

Casamento perfeito: rentabilidade e sustentabilidade

A conferência na Agroglobal terminou com um debate sobre o papel do agroalimentar em Portugal, de onde saiu reforçada a mensagem de que é fundamental investir na inovação para assegurar o futuro da agricultura, e que só através dela se conseguirá superar o grande desafio dos nossos dias: casar a rentabilidade com a sustentabilidade.

Moderado por Vítor Gonçalves (RTP), a conversa teve a presença de António Costa Silva (presidente da Comissão Executiva da Partex Oil and Gas e responsável pelo documento “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030”), Francisco Avillez (coordenador científico da Agro.ges), Miguel Poiares Maduro (presidente da Comissão Científica do Fórum Futuro Gulbenkian) e Daniel Traça (diretor da Nova School of Business and Economics),

“Assistimos a uma explosão da tecnologia em todas as áreas. Temos de a aproveitar para revolucionar também a agricultura usando, por exemplo, a Inteligência Artificial. Existem todas as condições para fazer esta transformação em Portugal”, afirmou António Costa Silva, que considerou a aliança entre rentabilidade e sustentabilidade imprescindível.

"Assistimos a uma explosão da tecnologia em todas as áreas. Temos de a aproveitar para revolucionar também a agricultura usando, por exemplo, a Inteligência Artificial. Existem todas as condições para fazer esta transformação em Portugal."
António Costa Silva, presidente da Comissão Executiva da Partex Oil and Gas e responsável pelo documento “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030"

Na mesma bitola alinhou Francisco Avilez: “É possível conciliar os dois conceitos e produzir mais com menos”, ressalvando o papel da nova agenda estratégica: “A solução é ter um conjunto de políticas que assegurem esse casamento”. Já Daniel Traça admitiu que “há tensão entre rentabilidade e sustentabilidade, não o podemos esconder”, e que a solução passa naturalmente pela inovação, recordando que o consumidor é cada vez mais exigente e que a tendência é que nos próximos anos se torne ainda mais reivindicativo, rejeitando produtos sem práticas sustentáveis comprovadas.

"É possível conciliar os dois conceitos e produzir mais com menos."
Francisco Avillez, coordenador científico da Agro.ges

Miguel Poiares Maduro fechou o debate garantindo a indissociabilidade dos dois eixos em análise: “Por um lado, a agricultura, que precisa de ser rentável, não pode ignorar as preocupações com a sustentabilidade. Por outro, uma agricultura assente apenas em sustentabilidade ambiental, sem ter em conta rentabilidade, é inaceitável”, fechando a conferência numa toada que foi consensual ao longo da manhã: “A solução passa pelo conhecimento, pela ciência, pela inovação”.

"(..) há tensão entre rentabilidade e sustentabilidade, não o podemos esconder." 
Daniel Traça, Diretor da Nova School of Business and Economics

Recomendamos

A página está a demorar muito tempo.