“Ama-San”. O mergulho de Cláudia Varejão com as japonesas encantadas

26 Janeiro 2017215

O documentário "Ama-San" acompanha os dias de três japonesas que mergulham em apneia: primeiro para apanhar pérolas, agora até a água mudou. Falámos com a autora de um filme "impossível de encenar".

Há algo de maravilhoso quando se entende as pessoas pelos gestos. Cláudia Varejão foi a uma vila na Península de Ise-Shima, no Japão, filmar mulheres que mergulham em alto-mar em condições que respeitam uma tradição milenar, sem oxigénio e com poucos instrumentos para estarem confortáveis e seguras. Não conhecia a língua, falava com elas através de uma tradutora e captou o ofício e o dia-a-dia de três mulheres (Mayumi, Masumi e Matsumi). Os rituais de entrada, permanência e saída do alto-mar misturam-se com as atividades do quotidiano. A realizadora conseguiu fundir bem as maravilhosas imagens no alto-mar com o banal do quotidiano que se revela magnífico, através dos gestos, das ações.

É assim que conhecemos as Ama, figuras principais do mais recente filme de Cláudia Varejão, “Ama-San”. Estreia-se esta semana em Lisboa (Cinema Ideal), Porto (Passos Manuel), Leiria (Cinema City) e Setúbal (Cinema City), depois de ter conquistado os prémios de Melhor Filme da Competição Portuguesa no Doclisboa 2016, Melhor Filme da Competição Internacional – Extra Muros Competition do Pravo Ljudski Film Festival 2016, em Sarajevo, Menção Especial do Júri do International Film Festival Karlovy Vary 2016 e o Prémio Teenage no Porto/Post/Doc 2016.

Como soube da existência das Ama-San?
De uma forma completamente banal: a ler um livro de poesia de uma amiga que tinha feito um espectáculo, uma performance, e tinha escrito um livro de poemas associado à performance. E lá havia uma referência a umas mulheres que no Japão mergulham em apneia para apanhar pérolas. Achei que era uma ficção poética, mas como tinha uma nota no final do livro com uma descrição muito concreta sobre quem elas eram, achei que isso era incrível e que possivelmente era uma coisa milenar, que já não existe. Nessa mesma noite fui pesquisar na internet e encontrei uma série de fotografias a preto e branco da década de 1950. Mergulhavam nuas e senti que havia algo muito erotizado em torno da figura delas. Pesquisei mais e descobri que não havia um filme sobre elas e decidi que ia fazer um sobre as Ama. À partida interessou-me etnograficamente que aquilo fosse uma tradição, achei curioso que vivessem em comunidades: queria ver como era a vida destas mulheres.

E foi logo ao encontro delas?
Como nesse ano, 2012, foi o ano zero do cinema, não havia concursos abertos, concorri a uma bolsa da Fundação Oriente para fazer uma viagem de pesquisa e levantamento fotográfico. Nessa primeira viagem, em 2013, visitei uma série de vilas piscatórias, onde já sabia existir a possibilidade de elas mergulharem. Quando concorri à bolsa, telefonaram-me da Fundação Oriente e disseram que o projeto era muito interessante, que gostavam muito e que gostavam de dar a bolsa, mas que tinham sérias dúvidas de que isto ainda existia e, por isso, precisavam de documentação que provasse a existência destas mulheres. Eu insisti em ir lá, não tinha provas, mas acreditava no que li e pesquisei e de que elas ainda existem. E fui.

Encontrar mulheres dispostas a serem filmadas foi um processo difícil?
Visitei algumas vilas onde o contexto era muito tribal, eram mulheres muito fechadas, pescadoras, mas muito fechadas. Não consegui em qualquer uma delas que me levassem para o alto-mar. Na última semana encontrei esta vila na Península de Ise-Shima, que nem estava nas minhas notas. Foi num domingo e ninguém estava no mar. Eu levava uma amiga que falava japonês e português e ela perguntou a uma senhora se havia Ama a mergulharem na zona. A senhora disse que sim, era dia de folga, por isso elas não estavam a mergulhar, mas ia telefonar à presidente da associação das Ama para nos encontrarmos. E aparece-me uma mulher linda, super-arranjada, com uns saltos altos. Estamos a falar de uma vila piscatória tipo Caxinas, uma coisa mesmo pequenina, que só se vê redes e sente-se o cheiro a peixe. E sai um mulherão, impecável, toda arranjada, cheia de cores, que é a personagem do meio no filme, a Mayumi. Ela foi impecável, super-simpática, perguntei se podia ir para o mar com elas e ela disse que sim, que amanhã me ia buscar ao sítio onde estivesse a dormir para ir com elas. Quando cheguei ao barco, era um barco grande, com oito mulheres, e havia uma coisa que eu sabia que não era normal, que era uma Ama nova, de trinta e tal anos, que também é uma das personagens. E foi maravilhoso, tirei fotografias muito bonitas, fiquei muito feliz e disse-lhes que ia tentar arranjar dinheiro para fazer um filme com elas, que se tudo corresse bem, para o ano voltaria. E dito e feito.

claudia varejao 1

A realizadora, Cláudia Varejão

Nota-se que elas têm uma série de rituais antes de entrarem na água, que respeitam a tradição. Mas elas antes não usavam fato e agora usam. Sente-se que agora é menos duro para elas.
O permanecer na água? Acho que a água mudou muito nas últimas décadas, elas falam disso. A temperatura mudou e o resto também mudou. Há muito menos para pescar, elas têm de permanecer mais tempo na água. O fato não era algo que elas quisessem, foi imposto pela Federação de Pesca do Japão durante a década de 1980. Mas para permanecerem na água de um modo muito tradicional, elas metem por cima os fatos brancos, umas roupas, coisas que as distinguem no mar. Uma vai de roxo, outra vai de preto e todas usam o lenço branco. Percebe-se que dobrar o lenço é muito complexo e quem souber dobrar como elas dobram é uma Ama que está verdadeiramente apta, que é profissional, que já sabe mergulhar e sabe fazer aquilo sem olhar. Por exemplo, a mais nova ainda não sabe, ainda tem um longo caminho a percorrer. Os lenços têm uns carimbos, umas coisas vermelhas que não se veem bem. Esses carimbos são um símbolo dos deuses. Elas carimbam com o deus que mais gostam. Elas são xintoístas, são muito espirituais, religiosas.

Para se sentirem mais protegidas?
Nós vemos as imagens e é tudo muito bonito, mas também é muito perigoso. Todos os anos morrem mulheres no fundo do mar, ficam presas nas algas. Elas vão-se espalhando em pontos diferentes, não se veem umas às outras. E são algas gigantes, por vezes o corpo fica preso e elas ficam lá em baixo. Acreditam que com a proteção dos deuses tudo pode correr melhor. Podem não morrer e podem, sobretudo, pescar muito.

Em relação ao lenço, há um momento em que uma menciona que a mais nova não usa o lenço, só a touca. Mas não parece ser um comentário de troça, de desdém.
É um processo idêntico ao sapateiro-mestre que ensina o aprendiz, ou o marceneiro-mestre ensina ao aprendiz. As Ama mais velhas ensinam as mais novas, elas estão sempre a puxar pelas mais novas. A certa altura uma delas diz para ela mergulhar numa zona, que é mais funda. Estão sempre a puxar umas pelas outras. É uma competição saudável, nada conflituosa. É competitivo na medida que estão a puxar para que existam gerações mais novas que venham, gostem, tenham prazer e que aprendam o ofício da forma mais completa possível.

Teve a sensação de que é uma tradição que está a acabar? As Ama a certa altura referem que no passado era uma atividade que rendia mais.
Acho que sim. Há um trabalho muito árduo da parte do governo japonês para levá-las à candidatura de Património Imaterial da Unesco. Não sei os números, mas sei que nas últimas três décadas o número de Ama desceu radicalmente. Simultaneamente, respeitam a tradição, não permitem que se mergulhe com garrafa de oxigénio: ou se mergulha assim ou desaparece. E as miúdas mais novas não querem fazer um trabalho desses, é extremamente violento. Elas preferem ir para Tóquio ou Osaka e servir às mesas.

"Elas ganharam o poder sem ser conflituosas. Não são mulheres feministas e nem sequer têm noção desse conceito. Elas são extremamente respeitadas. É uma oposição à gueixa, que é a mulher submissa. As Ama são uma figura completamente à parte, são respeitadas, os homens prestam-lhes imenso respeito. E foi uma das coisas que me fascinou logo, como é que estas mulheres, num país como o Japão, têm tanto poder, são tão livres."

E é um trabalho muito inconstante.
Sim, não permite ter uma comodidade financeira hoje em dia. Sei que nas décadas de 1960, 1970, elas ganhavam muito, muito dinheiro. Porque não pescavam só marisco e iguarias, mas também as ostras, que tinham as pérolas. Existia uma exportação gigantesca de pérolas do Japão para o resto do mundo. E elas eram muito ricas. A Ama mais velha no filme tem duas casas compradas com o dinheiro dela. Os maridos de muitas Ama, na história mais recente, não trabalhavam. Elas ganhavam tanto dinheiro… E isso é muito interessante, foi assim que reverteram o papel da mulher na sociedade japonesa. Elas ganharam o poder sem ser conflituosas. Não são mulheres feministas e nem sequer têm noção desse conceito. Elas são extremamente respeitadas. É uma oposição à gueixa, que é a mulher submissa. As Ama são uma figura completamente à parte, são respeitadas, os homens prestam-lhes imenso respeito. E foi uma das coisas que me fascinou logo, como é que estas mulheres, num país como o Japão, têm tanto poder, são tão livres.

Há pouca presença masculina. Isso foi propositado?
Não, aconteceu assim, por acaso. A mais velha e a do meio são viúvas. A mais nova tem marido, que aparece a dado momento no filme, quando há o fogo-de-artifício cá fora, mas ele não queria ser filmado. Foi uma coincidência. Mas acho que mesmo que não fosse, o filme acabaria por ter 97%, 98% de presença feminina. Elas são muito independentes. Movem-se de motas, andam sozinhas, fazem tudo sozinhas.

Mas existe, contudo, o poder masculino sobre elas.
Sim, elas repartem 50-50 do que apanham com o capitão do barco. Continua a existir subtilmente o poder masculino sobre elas. Não há mulheres a conduzirem barcos. E são só elas a mergulhar. Elas dizem que é porque têm mais gordura no corpo e, por isso, aguentam mais o frio do que os homens. Mas acho que é uma desculpa um bocadinho criada, que elas compraram. Claro que os homens podem mergulhar. Isto começou porque os homens iam para o alto-mar pescar e elas ficavam em terra, como as nossas mulheres ficam, em casa, a cuidar da casa, dos filhos. E elas iam para a zona costeira com os miúdos e andavam todas ali a apanhar os bichinhos nas rochas. Os homens voltavam do mar e viam que elas apanhavam uma quantidade louca de marisco e então resolveram levá-las para alto-mar e mergulhar. E rapidamente começou esta… exploração é uma palavra forte, mas é o que é. Eles começaram a levá-las alto-mar e praticamente deixaram de pescar e elas ficaram com esse papel. É incrível.

Quanto tempo esteve lá a filmar?
Foi um mês de rodagem, mas filmámos só durante três semanas.

Pergunto isto porque a forma como mostra o quotidiano delas estabelece um paralelo com os rituais de entrada, permanência e saída do mar. Tudo na vida delas parece ser feito com muito cuidado, atenção, e perceber isso exige algum tempo. Lembro-me daquele momento em que uma delas está a enrolar a toalha à volta do filho, que acontece um pouco depois de uma Ama estar a ensinar outra a colocar o lenço, que é um processo complexo e muito cuidadoso. E achei piada ao cuidado todo dela a enrolar a toalha.
Olho para tudo aquilo com grande interesse e fascínio, como uma criança a olhar para algo que nunca viu. O Japão tem uma cultura muito diferente da nossa e há uma forma de viver muito cuidada, muito cheia, com uma grande valorização de tudo. O prazer não está só na intimidade nem nas coisas claramente festivas, está em tudo. E isso atinge-se através do cuidado, do ritual, da calma como se faz e se observa as coisas a serem transformadas: a natureza a mudar, os filhos a crescerem, o fogo a acender, a luz a avançar. Talvez isso esteja impresso no filme, eu estou muito atenta a isso. O facto de eu não falar a língua, de não perceber à partida do que estão a falar, faz com que eu olhe sobretudo para os gestos. É um filme que está muito atento ao ritual, à repetição, como as pessoas se relacionam, o tipo de enquadramentos. São quadros mais fechados, movimentam-se com os gestos delas. Acho que há aqui um encontro entre o que é o quotidiano que falas, muito cheio, muito ritualista e também a atenção por não estar tão dependente da palavra, mas dos gestos. O filme acaba por resultar nesse retrato mais gestual.

Foi muitas vezes ao mar com elas?
Ainda fui algumas, umas sete ou oito vezes. As coisas vão-se repetindo. Gostava que tivesse acontecido um acidente, salvo seja, qualquer coisa que no filme nos desse a sensação de que aquilo é perigoso, não aconteceu. Se tivesse mais tempo, poderia ter acontecido.

Quanto tempo elas estão no mar?
Elas fazem quatro horas de mar por dia, duas horas de manhã às oito da manhã e duas horas à uma da tarde. Muito tempo, é imenso tempo. Ficam geladas, por isso é que depois vão para a fogueira. É muito violento, trabalho super-violento. Ficam estoiradas, são meio surdas, todas. Aquilo é violentíssimo.

Elas são muito rápidas a pescar.
As mais velhas são mais rápidas. As mais novas… é um ofício que demora muito tempo a aprender. Elas vão-se moldando, ficam uma espécie de mamíferos aquáticos. O corpo delas vai mudando, os pulmões vão criando outra capacidade de permanecer debaixo de água. Elas cantam e pensamos que isso é muito giro, muito oriental, os japoneses e o karaoke. E não é, elas cantam porque conseguem estender mais a sua capacidade torácica. E eu não fazia a mínima ideia. Aqui revela-se que o filme não está à procura de fazer um trabalho etnográfico. Estas curiosidades vêm na conversa com o público, o que cada um vai procurar. Gosto de filmes que lançam perguntas, não deixam respostas.

A voz-off no início é uma adaptação de uma carta que trocou com as Ama. Quando ouvi pela primeira vez fiquei um pouco perdido. Quando terminei de ver o filme, voltei ao início para perceber. Na primeira vez fiquei com a ideia de que estavam a falar sobre elas, mas na segunda percebi que estavam a falar de mim, de toda a gente. É a pergunta que ela faz: “o que nos distingue?” As sensações que têm em relação à vida, ao trabalho, ao quotidiano, são semelhantes às nossas.
É bonito isso que dizes. Acho que me interessou esse lado que ela fala, de ser qualquer um de nós, foi a Mayumi que trouxe isso na carta que me escreveu, eu apenas ajeitei a direção das frases e dirigi um bocadinho. Mas aquilo é delas. Ela não percebia muito bem o meu interesse pelo trabalho delas. Perguntava até se em Portugal as mulheres não mergulhavam e se não mergulhavam qual era o interesse? Porque para elas era perfeitamente normal, é como uma cozinheira, um trabalho qualquer que as distingue. O que as distingue não é o trabalho em si, mas o que nos distingue a todos uns dos outros. O que nos motiva, o que nos une. E de facto a mim fascinou-me muito o trabalho delas, mas à medida que fui filmando, tudo isso se foi diluindo. A mim o que me interessa, não só neste filme, mas no cinema em geral, é o ser humano e a variedade imensa entre nós todos. A total diversidade humana interessa-me muito. E essa introdução no início é uma introdução, é o que é. Por um lado, o que as distingue e o que nos une a todos.

"Aos nossos olhos grandes e redondos, eles são muito estranhos em muita coisa. Há bonecos em todo o lado, vamos ao banco e há bonecos, é a coisa mais infantil, eles são uns miúdos grandes. Não crescem, mas crescem espiritualmente, que é uma coisa que nós, ocidentais, trabalhamos muito pouco."

Há um momento que acho hilariante no filme. Tudo é muito tradicional e, vá lá, japonês ao longo do filme, mas depois quando estão a cantar os parabéns, cantam em inglês.
O “Happy Birthday”! Não estava a contar com aquilo também. É fascinante. O Japão tem muita importação do ocidente, principalmente dos Estados Unidos. Não sei o que te dizer daquilo. Sei que aconteceu. Tive algumas dificuldades com a mais velha, ela fala num dialeto que não conseguimos perceber bem. E não estava muito disponível para ser filmada, já estava farta. Ao fim de três vezes de a filmar ela já estava saturada. Por quê tanto tempo para fazer um filme, por quê vir cá a casa e ver-me a dormir, vir cá a casa e ver-me a mexer nas couves. Nesse dia do aniversário do miúdo, ela tinha dito que a família ia lá a casa para cantar os parabéns ao neto. Pedi por favor, se podia ir, não a chateava mais, se podia ir só nesse dia. Ela disse que sim mas só podia estar cinco minutos na sala. Entrei, meti o tripé no chão, pus a câmara, pus a gravar, eles apagaram a luz e começam com aquele “Happy Birthday”. E eu não estou a acreditar que aquilo está a acontecer, que eles cantam os parabéns assim. Aquilo é tudo muito caricato, foi uma cena que durou aquele tempo. É um plano, tem aquele tempo. Não tenho mais para a frente, nem para trás, Foi o que foi, é aquilo. E pronto, lá está, os filmes têm estas coisas maravilhosas, não podia encenar aquilo. Não podia, aquilo é a pura das verdades, do quotidiano deles, um “Happy Birthday” assim, nunca pensei.

É mesmo estranho.
É. Eles têm montes de coisas assim. Aos nossos olhos grandes e redondos, eles são muito estranhos em muita coisa. Há bonecos em todo o lado, vamos ao banco e há bonecos, é a coisa mais infantil, porquê, eles são uns miúdos grandes. Não crescem, mas crescem espiritualmente, que é uma coisa que nós, ocidentais, trabalhamos muito pouco.

Qual é a idade da mais velha?
83.

E ela ainda mergulha?
Não sei se neste momento ainda mergulha. Mas havia uma ainda mais velha no barco. Tem até uma cicatriz, é uma que está no jantar e diz que vai levar a comida para o marido. Essa ainda é mais velha. Existem Ama a mergulhar até perto dos 90 anos.

Não parecem.
E elas são muito saudáveis. Saem do barco, trepam. Por vezes estava, ficava no barco enquanto elas mergulhavam, a pensar na vida, e ficava a olhar para elas e pensar, isto podia ser a minha mãe. Pior, podia ser a minha avó. Era impossível a minha avó estar aqui largada a mergulhar quatro horas.

De onde vem o nome, Ama-San?
Ama significa mulher do mar, pessoas do mar. San é como “Senhor André”. É uma palavra de respeito. Na altura também me fascinou que a tradução para português estivesse relacionada com amor, amor ao mar, a mulher, maternidade.

De cuidar.
Podemos ir para zonas muito pantanosas de clichés, mas que estão lá e pensei nelas também na altura. Tentei não carregar demais, mas está lá. É um filme cheio de subtilezas, parece-me, todas estas pequeninas leituras. É por isso que não poderia ser muito explicativo, perderia o encanto, a curiosidade, se fosse um filme só etnográfico.

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