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O equipamento tem de ser posicionado por um funcionário em cada quarto e corredor, mas depois é preciso que ninguém esteja por perto para que "Amália" funcione

O equipamento tem de ser posicionado por um funcionário em cada quarto e corredor, mas depois é preciso que ninguém esteja por perto para que "Amália" funcione

“Amália”, o robô que todos os dias desinfeta um lar de idosos em Lisboa. Elimina o vírus em dois minutos com raios ultravioleta /premium

O robô "Amália" é capaz de eliminar o vírus com flashes de radiação ultravioleta em dois minutos. Entrou ao serviço da residência sénior do grupo Clece no Areeiro no início de julho.

Todos os dias, André Gregório percorre os longos corredores da residência sénior onde trabalha, no Areeiro, em Lisboa, para desinfetar os quartos dos 66 idosos que ali moram. Mas desengane-se quem pensa que André é um tradicional funcionário de limpeza. Em vez dos habituais detergentes e dos desinfetantes próprios do novo normal a que a pandemia nos obrigou, o jovem leva “Amália”, um aparelho de desinfeção por radiação ultravioleta desenvolvido pela empresa norte-americana Xenex, que custa 100 mil euros e que é capaz — segundo os responsáveis do grupo espanhol Clece, dono da residência — de eliminar 99,9% dos microorganismos presentes no espaço em apenas dois minutos.

Num lar em que a média de idades está acima dos 80 anos — e que chegou a ter 15 casos de Covid-19, entretanto todos recuperados —, poucos são os utentes que percebem o que ali se vai passar. Muitos até se questionam sobre o que foi efetivamente feito ao quarto, “porque depois da desinfeção o quarto está exatamente na mesma, não se mexeu em nada”, explica ao Observador o responsável das residências portuguesas do grupo Clece, Diogo Figueira. A única diferença que se nota no espaço após cinco minutos de desinfeção é um leve cheiro a ozono, produto utilizado como complemento da desinfeção (por ser capaz de penetrar a camada externa do vírus, permitindo a destruição do seu interior).

Mas o processo é simples: após assegurar que o quarto está vazio, André transporta “Amália” para o interior da divisão, liga-a à tomada, posiciona-o num local definido através do software e dá início à sequência. Depois, tem 20 segundos para sair e fechar a porta. É só quando está sozinha que “Amália” começa a trabalhar: do centro do aparelho, semelhante a um carrinho de limpeza, ergue-se lentamente uma coluna de vidro onde está instalada uma lâmpada capaz de emitir flashes de radiação ultravioleta. Depois, a lâmpada começa a emitir a radiação, que é capaz de neutralizar praticamente todos os vírus e outros microorganismos presentes no ar, nas superfícies e nos objetos. Embora dois minutos sejam suficientes para eliminar a presença do coronavírus no quarto, o lar opta por deixar “Amália” trabalhar durante cinco minutos em cada quarto.

Após assegurar que o quarto está vazio, André transporta “Amália” para o interior da divisão, liga-a à tomada, posiciona-o num local definido através do software e dá início à sequência. Depois, tem 20 segundos para sair e fechar a porta. É só quando está sozinha que “Amália” começa a trabalhar. Embora dois minutos sejam suficientes para eliminar a presença do coronavírus no quarto, o lar opta por deixar “Amália” trabalhar durante cinco minutos em cada quarto.

O recurso à radiação ultravioleta para eliminar microorganismos não é propriamente uma inovação, embora tenha sido potenciado pela pandemia da Covid-19. E a lógica científica por trás do método também não é difícil de entender. Todos sabemos que nos devemos proteger do sol quando vamos à praia, porque a radiação ultravioleta pode queimar-nos ou até provocar cancro da pele. Isto acontece porque os raios UV são capazes de provocar lesões nas cadeias de ADN e de ARN, destruindo células do corpo humano ou introduzindo potenciais mutações no código genético.

Há três tipos de radiações ultravioletas: UVA, UVB e UVC. A terceira, a mais forte, é capaz de danificar de modo permanente uma cadeia de informação genética. Ora, um vírus é, essencialmente, uma cadeia de ARN, que codifica uma “mensagem genética” e que entra em ação quando infeta um corpo. A dose certa de radiação ultravioleta é capaz de causar lesões nas cadeias de ARN dos vírus ao ponto de os destruir ou de os neutralizar.

Desinfetar um piso inteiro demora um dia

“Já conhecíamos esta tecnologia, mas era cara”, diz Diogo Figueira. O grupo Clece, fundado em Espanha em 1992, além de gerir uma série de residências para idosos em Portugal e Espanha, presta serviços de limpeza e manutenção em estruturas como hospitais ou aeroportos. “Mas era difícil vender esta limpeza. Há muitos hospitais que não querem porque é cara e preferem uma limpeza química. Fazer uma limpeza química danifica equipamentos, implica tirar móveis, e etc., mas é mais barata. Então nós não conseguíamos vender esta limpeza.”

O robô "Amália" é levado para o interior de cada quarto e ativado por André Gregório. Depois, funciona sozinho, sem a presença de humanos

A pandemia, porém, mudou tudo. “Decidiu-se fazer um investimento e adquirir máquinas destas para os principais pontos do grupo. Para os hospitais de Espanha, para as grandes residências de Espanha e para a residência de Lisboa. Também temos outra residência em Fátima, onde iremos fazer desinfeção também com esta máquina, mas não com tanta periodicidade, porque é em Lisboa que está o grande foco da Covid-19”, sublinha Diogo Figueira. Os equipamentos, no valor de 100 mil euros cada, foram todos batizados com nomes de personalidades. A que veio para Lisboa recebeu o nome da fadista Amália.

“Aqui temos seis pisos, onde estão os quartos, as salas e as enfermarias. Cada piso é desinfetado uma vez por semana”, sublinha o responsável. Com a entrada em vigor do plano de contingência, como em muitas outras instituições, os lares da residência do Areeiro foram confinados — e todos os funcionários foram alocados exclusivamente um piso, para evitar contágios entre grupos de pessoas. Também por isso, a visita do Observador faz-se apenas a um dos pisos onde atualmente não vive nenhum idoso, para assistir ao funcionamento do equipamento de desinfeção. No caminho, feito por circuitos de sentido único, ninguém se cruza com ninguém.

O plano, porém, não impediu que o coronavírus entrasse naquele lar. A porta de entrada foi uma funcionária do segundo piso, que foi imediatamente colocada em isolamento — mas o vírus já se tinha disseminado entre os idosos. Quinze ficaram infetados (todos no segundo piso) e todos acabaram por recuperar da doença algumas semanas depois. A utilização desta tecnologia para desinfetar permanentemente as instalações do lar serve também para dar “tranquilidade” às famílias, afirma Diogo Figueira. Cada piso é desinfetado uma vez por semana, já que desinfetar um piso demora um dia inteiro do trabalho de André Gregório.

A única forma de observar o robô em funcionamento é através de um vidro

André entrou ao serviço no mesmo dia que “Amália”, especificamente para operar o equipamento. Teve de receber formação específica dos responsáveis da tecnologia, em Espanha, para saber como utilizar a máquina todos os dias. Ainda assim, por ser um equipamento tão sensível, há muitas operações que não podem ser feitas por ele. Se for necessário mudar a lâmpada, por exemplo, é preciso que venha um especialista de Espanha.

Radiação usada em hospitais, aeroportos e corrimãos

Embora seja uma das primeiras aplicações em grande escala da radiação ultravioleta para eliminar o coronavírus, o robô “Amália” está longe de ser o único pedaço de tecnologia a trabalhar neste campo. Recentemente, as empresas espanholas ASTI Mobile Robotics e BOOS Technical Lighting lançaram em Portugal o “ZenZoe”, um robô de radiação UV destinado a eliminar vírus e outros microorganismos no espaço público.

Segundo os criadores do “ZenZoe”, o robô é capaz de desinfetar uma área de 25 metros quadrados em oito minutos. Por isso, já está a ser utilizado em alguns espaços de grande dimensão em Espanha, como o aeroporto de Madrid-Barajas, o estádio do Villarreal ou o Hospital Universitário de Burgos. À semelhança do que acontece com o modelo desenvolvido pela Xenex, também o modelo espanhol é capaz, segundo os responsáveis, de eliminar 99,99% do vírus presente no ar e nas superfícies impactadas pela radiação.

Covid-19. Robô que desinfeta locais públicos chega a Portugal

Uma solução semelhante está a ser usada no aeroporto mais movimentado da Europa, o aeroporto de Heathrow, em Londres. Ali, os responsáveis da infraestrutura adquiriram um robô de desinfeção para cada terminal. Em Heathrow, é usado um modelo desenvolvido pela UVD Robots, que tem autonomia para percorrer sozinho vários espaços do terminal para os desinfetar. O robô usa os seus sensores para assegurar que se encontra num espaço vazio e desinfeta lugares como as casas-de-banho ou os elevadores, antes destes serem limpos pelas equipas tradicionais de limpeza.

Por outro lado, em Portugal, já há equipamentos de radiação ultravioleta a serem utilizados em alguns lugares. É o caso dos centros comerciais geridos pela Sonae Sierra, nos quais foram instalados aparelhos de desinfeção dos corrimões das escadas rolantes através de radiação ultravioleta. No caso deste tipo de equipamentos, o emissor de radiação está escondido no interior do corrimão, fazendo com que cada pedaço da cobertura seja desinfetado uma vez a cada volta.

Em Portugal, já há equipamentos de radiação ultravioleta a serem utilizados em alguns lugares. É o caso dos centros comerciais geridos pela Sonae Sierra, nos quais foram instalados aparelhos de desinfeção dos corrimões das escadas rolantes através de radiação ultravioleta. No caso deste tipo de equipamentos, o emissor de radiação está escondido no interior do corrimão, fazendo com que cada pedaço da cobertura seja desinfetado uma vez a cada volta.

Centros comerciais vão ter desinfeção automática dos corrimãos (e outras medidas)

Atualmente, diversos equipamentos de radiação ultravioleta estão a ser usados em vários países do mundo para eliminar ou neutralizar o coronavírus. Entre os exemplos incluem-se o aeroporto de Changi, em Singapura, os aviões da companhia aérea JetBlue, e dezenas de estabelecimentos comerciais e infraestruturas por todo o globo. A tecnologia, para já, continua a ter uma limitação: não pode ser utilizada na presença de pessoas, uma vez que a radiação é perigosa para a saúde humana. Porém, um conjunto de investigadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriu recentemente uma forma de utilizar a radiação mais forte — a UVC — na presença de humanos sem que se verifiquem danos na pele ou nos olhos. Essa tecnologia, contudo, não está ainda completamente desenvolvida nem está totalmente comprovado que seja isenta de efeitos secundários.

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