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MELISSA VIEIRA/OBSERVADOR

MELISSA VIEIRA/OBSERVADOR

Arroios é mesmo o “bairro mais cool do mundo” ou ainda há muito por fazer? /premium

A distinção resulta de uma votação da revista Time Out a nível internacional. Mas para lá do que torna o bairro cool, o que é que está por resolver nesta zona de Lisboa que não aparece nos rankings?

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“No mundo ninguém é estrangeiro”

A frase está na parede do hospital Dona Estefânia, meio apagada, meio esquecida. Estamos em Lisboa. Mais especificamente em Arroios, a freguesia que surgiu recentemente na liderança do top 50 internacional dos melhores “bairros” do mundo, uma eleição promovida pela Time Out internacional. “Mais do que um bairro, é um mundo em si mesmo”, escreveram. É um jogo de palavras que está a pedir para ser comprovado. Afinal, Arroios é cool ou não é? Fomos tentar perceber.

Por onde começar? É que a tal eleição usa a palavra “bairro” mas, na verdade, trata-se de uma freguesia com F grande e vários bairros dentro. Contudo, nem sempre foi assim. Conta o site oficial da zona lisboeta que o nome, Arroios, “evoca os numerosos cursos de água que atravessavam esse lugar”. Portanto, aquilo que encontramos agora resulta não só da junção de três freguesias (Anjos, Pena e São Jorge de Arroios), mas também da fixação de populações por causa das terras férteis (e da abundância de água), que depois sofreram um boom de construção entre 1919 e 1970.

Ou seja, o que dantes era paisagem rural repleta de hortas, prados, vinhas ou cursos de água, foi substituído por tráfego, ruído e um punhado grande de etnias diferentes — mais de 60. Uma freguesia outrora rural, que foi também local (como o Intendente) que muitos não recomendariam, especialmente em certas zonas: ou pelo tráfico de droga, ou pela prostituição, que notoriamente foram sendo reduzidas nos últimos anos. It’s evolution, baby? Sim, mas nem tudo são rosas.

Por esta freguesia abaixo

Deixemo-nos de história, é hora de dar corda aos sapatos. O coração da freguesia é a Avenida Almirante Reis, mas as veias, entupidas pelo tráfego humano e, sobretudo, automóvel, podem ir do Saldanha até ao Campo dos Mártires da Pátria. A única solução era, portanto, seguir rua Jacinto Marto abaixo. Há gente a almoçar ao meio dia, lojas desertas, pessoas de nariz para baixo focadas no telemóvel e nas suas vidas, como quiser pensar. Se levantarmos a cabeça, passando o Largo de Santa Bárbara — e o edifício grande da Ordem dos Advogados Conselho Regional de Lisboa –, salta logo à vista o Lisboa Ginásio Clube, na rua dos Anjos. E logo ali ao lado, uma das (muitas e muitas) mercearias locais da freguesia.

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O Campo dos Mártires da Pátria contrasta com alguma degradação imobiliária e com o trânsito da Avenida Almirante Reis

MELISSA VIEIRA/OBSERVADOR

Entramos e conhecemos Momad, há mais de 40 anos em Portugal, que nos diz de sua justiça, mal percebe que tem clientela. “Arroios é calmo, há menos movimento, mas mais concorrência por causa do Pingo Doce ou do Continente”, confessa. Homem de poucas palavras, moçambicano de 63 anos, é desconfiado, mas não vê problema nenhum com o facto de Arroios ser palco de tantos povos diferentes. Não há menções à “coolness” do bairro, mas também não há medos. Há a chatice do capitalismo, onde ninguém é de ninguém, só mesmo de quem tem.

Continuando caminho, rumamos ao Campo dos Mártires da Pátria, com jardins, bancos para sentar e espaço para uma pausa, até porque, por lá, sem sabermos, está à nossa espera uma conversa num quiosque, coisa que nunca se recusa. “Já me disseram: vai para a tua terra, estás a tirar-nos o trabalho, mas eu sei mandar isso para trás”, começa por dizer Ana Borges, angolana, que em 1981 pôs os pés em Portugal, de mão dada com os pais e que, desde 2016, trabalha num dos quiosques do jardim. Agora está tudo diferente, a zona está mais tranquila, o tráfico de droga diminuiu, as pessoas já não têm tanto medo.

O pouco movimento não atrapalha o negócio, mas, ainda assim, traz-nos um casal de reformados, que já conhecem a lojista. José e Fátima vivem há 40 anos em Arroios e também concordam que tudo está bem. Tudo, menos uma coisa: “Está bom para o turismo, sou é anti-bacanos das trotinetes, sem capacete…”, confessa José, um “bacano” de serviço, que nasceu no Socorro, antiga freguesia que agora pertence a Santa Maria Maior. A zona “tem muita gente, mas é por causa do supermercado”, chuta Fátima, sua mulher, de sorriso fácil, com saudades dos tempos em que viveu na Graça. Momad e Fátima talvez não se conheçam, mas partilham um valor: um certo pessimismo em relação às grandes marcas que, apesar de modernizarem a freguesia, tornam tudo mais fugaz. É comprar e seguir, sem dizer um “olá boa tarde”, como mandam as boas práticas de qualquer vizinho do “bairro”. O encontro não acabaria sem o espanto de José ao perceber que os três partilham o mesmo apelido: Borges. “Somos família? Sabe que eu estive em Angola…”, rematou. Ana ainda teve tempo de lhe perguntar se deixou lá um filho/a. E nós, com a vergonha de quem está a mais, decidimos rumar ao Largo do Intendente. Uns bacanos, que fique claro.

Instagram mas menos, por favor

Antes, ainda houve tempo para passar na Biblioteca de São Lázaro (zona da Pena), referida no artigo que distinguiu Arroios. Se o Harry Potter fosse real, estaria confortável por aqui. O silêncio contra os gritos das crianças no jardim escola ao lado. É digno de uma crónica do Miguel Esteves Cardoso, se Arroios fosse em Sintra. Mas no “bairro mais cool do mundo” não se procura silêncio, por isso, prego a fundo para o Intendente. O restaurante Ramiro, na Almirante Reis, ainda nos chama, apelando à fome — e, especialmente, à carteira —, mas quem salta à vista é o homem à porta, com esperança de ganhar umas moedas. “Bingo”, grita, irónico, mas sem maldade. Pode rir-se, caro leitor. Os sem-abrigo também fazem parte da moldura da freguesia. Ah, e obras. Estão em todo o lado. E casas à venda. Aos magotes. É o custo de ser cool.

"A zona que vai do Martim Moniz até à Praça do Chile, a parte sul de Arroios, encontra-se longe de se adequar à ideia de ‘bolhas étnicas’. Na realidade, pode ser considerada relativamente modelar na medida em que não se registam conflitos até à data que permitissem falar de uma qualquer separação étnica”, explica Nuno Filipe Oliveira, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE.

Mas ser cool nunca pode ser só para o estilo. Que o digam os mais jovens que, todas as semanas, preenchem grande parte dos espaços culturais da freguesia. Casa Independente, RDA69, Covil, Crew Hassan, Anjos70 ou BUS Paragem Cultural, por exemplo, fazem parte de um circuito meio indie, meio pop, que tanto pode oferecer uma imensidão de cervejas artesanais, como concertos, feiras de artesanato ou aulas de tango. Se quer um espaço para ler? Encontra em Arroios. Se quer um espaço para dançar? Encontra em Arroios. Se quer um espaço para ouvir música celta enquanto bebe hidromel? Encontra em Arroios. E isto contribui para o estatuto meio esquizofrénico, meio cool, da freguesia.

Desse grupo de pessoas, fomos dar com Konstantin Arnold, escritor alemão de 29 anos que vive em Arroios há dois e meio. Não foi uma conversa cara a cara, porque Konstantin está na Alemanha numa tour de curtas metragens, mas serviu para desmistificar algumas ideias sobre esta nova vaga de estrangeiros a aterrar na freguesia. “Quando ouvi a notícia de que Arroios era o bairro mais cool fiquei: oh não! vão trazer ‘as ovelhas’. Ou seja, pessoas que querem retirar algo deste bairro, mas sem contribuírem, só seguindo recomendações ou o que está na moda…”. Konstantin diz-se-s adepto da “pureza” que Arroios transmite, conhecendo todas as lavandarias, sapatarias, restaurantes, barmans e padeiras. “Não é tão bonito como a Estrela ou como a Graça, mas tem pureza, que é o que eu quero sentir e não entrar naqueles cafés falsos para turistas”, conta. Aqui dá o exemplo de bairros como Montparnasse em Paris, que outrora foram “reais e crus” e até “assustadores”, mas quando houve uma movimentação cultural de pessoas, principalmente de artistas, o bairro tornou-se “horrível”. Este escritor, que até já escreveu um livro sobre a freguesia — e que vai dar um filme, conta — não tem só coisas positivas a dizer. Primeiro, porque se sente “parte do problema”. “Sou estrangeiro, sou parte do problema, contribui para o aumento das rendas. Mas quero ter um impacto positivo no bairro, comendo em tascas locais, falando com os locais, e escrevendo sobre eles”. Depois, sendo já um autêntico bairrista, não deixa de apontar o dedo a questões como a da higiene: “Por exemplo, aquilo que os donos dos cães não apanham do chão. Por outro lado, tenho medo que os restaurantes e bares que estamos agora a descobrir cheguem ao TripAdvisor e que, por consequência, percam a sua autenticidade”, diz o alemão que elege o Mercado de Arroios como o melhor local de toda a freguesia. E instagramável, naturalmente.

Nesse campeonato, o Largo do Intendente é, sem dúvida, o mais competitivo de Arroios. Está renovado, tem cafés, tem vida, tem luz, tem sossego,  tem vida noturna e tem André Silva do PAN a dar entrevistas. Tudo. E tem um barbeiro, Júlio Cunha, negócio de família desde há cem anos. “Sabe, eu nasci cá. Aflige-me a falta de convívio. Noutros aspetos está melhor, claro. Mas dantes moravam cá cem portugueses, foram-se os novos, morreram os velhos. Não há população fixa”, confessa. Para Júlio, as mais de oitenta etnias que vivem na região, com quem não convive muito, mas que também não renega, vieram criar um certo tipo de bolhas sociais. Romenos com romenos, indianos com indianos, negros com negros. O ex-presidente-tesoureiro-homem-dos-sete-ofícios do antigo Sport Clube Intendente não tem cara de quem vota no PNR, só de quem tem saudades de outros tempos.

O Largo do Intendente, o bar Anjos 70 e o hub criativo LACS contribuem para o lado mais cosmopolita e "cool" de Arroios

Fotografias: Melissa Vieira/Observador e imagens de divulgação

Pode ser um risco falar em bolhas étnicas, por ser um discurso tão marcado ideologicamente. É assim que pensa o professor Nuno Filipe Oliveira, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE. “Não estou de acordo com essa terminologia. Creio que a zona que vai do Martim Moniz até à Praça do Chile, a parte sul de Arroios, encontra-se longe de se adequar à ideia de ‘bolhas étnicas’. Na realidade, pode ser considerada relativamente modelar na medida em que não se registam conflitos até à data que permitissem falar de uma qualquer separação étnica”, diz.

Aqui cabe o mundo inteiro. Ou quase

Mas ficamos com a questão? Porque é que numa freguesia tão grande é possível encontrar desde alunos estrangeiros de Erasmus a comunidades africanas ou indianas, todas, no mesmo palco? “A primeira grande razão pela qual este território se tornou atrativo para os imigrantes era o facto das rendas serem acessíveis”, conta. Antes, no século XX, graças a importantes fluxos do êxodo rural que ajudaram a compor a moldura humana de Lisboa, foram-se juntando estas comunidades. Nuno aponta ainda outro fator para esta diversidade cultural: a gentrificação que o centro de Lisboa sofreu há uma década. “Trouxe uma diversificação de classes mais abastadas, sendo que é cedo para perceber que tipo de relações estes cidadãos estabelecem com o território”, remata.

Saímos da Rua dos Anjos para os Anjos propriamente ditos. Têm o pequeno comércio como imagem de marca, sempre com “os grandes” a espreitar. Quem sofre? O Mercado do Forno Tijolo. Não é por ter menos gente, até porque quando chegámos já tinha fechado. É porque não é tão apelativo para os olhos. Por lá não encontramos quase ninguém. Ouve-se Frank Sinatra ao fundo, com dois homens a beber cerveja. Gente nos correios. Gente para tratar de documentação. Mas só se sente abandono enquanto está encerrado. Melhor seguir em direção à Alameda.

“Há menos serviço funerário do que há 20 anos, é um pouco macabro”, conta António Fonseca, 70 anos, que trabalha numa pequena funerária na Rua de Angola. O tema de conversa não é cool, mas faz sentido. O custo de modernizar esta freguesia, com os novos a saírem, os idosos a morrerem, o turismo a crescer, tudo é mau para o negócio. Para António, a restauração da zona — elogiada por muitos, pela diversidade — não o convence. “É mauzinho”, termina. Gostos não se discutem.

"Hoje já não há o bairrismo de antigamente. A zona do Intendente era zona de prostituição e de utilizadores de droga, por exemplo. Trabalhei muitos anos na área do VIH [na Abraço], fiz trabalho de noite, conhecia o local. Percebo que essas pessoas mais velhas não sintam muito essa multiculturalidade. Mas há comunidades que vivem cá há muitos anos, como por exemplo a nepalesa. Nas escolas e nas creches daqui a comunidade é trabalhada", diz a presidente da Junta de Freguesia de Arroios, Margarida Martins.

As pernas já tremem em direção à Almirante Reis, o contador de passos do smartphone começa a explodir. Dá vontade de sentar num café ou numa das lavandarias lá do sítio. Ou nas escadas do metro de Arroios, mas não é possível porque está fechado há dois anos. Aspeto que lembra o essencial: Arroios não cabe em frase soltas ou em tops taxativos. Consegue ter muita vida e vida nenhuma. Liga-se entre comunidades, mas desliga-se de um sentido de proximidade. Está melhor, mas não está sempre bem.

Ela é que é a presidente da junta

Como qualquer coisa que não esteja sempre bem, Arroios tem problemas, questões que não batem certo com um “bairro mais cool”. Por isso tentámos esclarecer algumas dúvidas com a presidente de Junta de Freguesia, Margarida Martins, que ocupa o lugar desde 2013 e que vai no segundo mandato.

Recebeu-nos no gabinete da sua renovada sede, no Largo do Intendente. E começamos precisamente pela estação de metro de Arroios, que está fechada para obras desde julho de 2017, obras que só deverão estar prontas em 2021. “Primeiro, sabe que não fui eu que que criei a ideia da freguesia ‘cool’. Em relação ao metro de Arroios, é natural que esteja fechado. E nós também lutamos contra isso. Só que, quando as empresas vão ao ar… quando o empreiteiro para uma obra, a obra tem de voltar a um concurso público. Isto não é a nossa casa. Aqui não. Tem de se esperar, tem de se ir ao Tribunal de Contas…”, diz Margarida Martins.

Saímos do metro e passamos pelo sentimento de comunidade, ou, para alguns, com o barbeiro Júlio Cunha, a ausência desse sentimento. “Repare, hoje já não há o bairrismo de antigamente. A zona do Intendente era zona de prostituição e de utilizadores de droga, por exemplo. Trabalhei muitos anos na área do VIH [na Abraço], fiz trabalho de noite, conhecia o local. Percebo que essas pessoas mais velhas não sintam muito essa multiculturalidade. Mas há comunidades que vivem cá há muitos anos, como por exemplo a nepalesa. Nas escolas e nas creches daqui a comunidade é trabalhada – há o dia do Bangladesh, há o dia do Nepal… Vivem numa esfera de inclusão completamente diferente do que se passava antigamente”. Palavras da presidente da Junta, que nos lembra que é e será sempre impossível contentar uma freguesia inteira.

As adiadas obras da estação de metro de Arroios, na Praça do Chile, o terreno onde ficará o futuro Jardim do Caracol da Penha e a Igreja dos Anjos

Carlos Manuel Martins/Global Imagens

Mesmo com essa integração, a olho nu, vemos algumas comunidades, ao fim da tarde, fechadas entre si. A partilhar conversas, bebida, comida. Em bolhas. Haverá medo de uma espécie de guetização, como acontece em França ou na Bélgica, feitas as devidas ressalvas? “Não há propriamente guetos. Não há zonas onde só vivam chineses, indianos, por exemplo. As comunidades estão distribuídas conforme o poder económico que têm. É claro que a zona dos Anjos, como era mais económica, trouxe muito mais imigrantes. Mas não, não sentimos isso como acontece nesses países. Há quem goste menos, claro. Mas nas festividades temos toda a gente nessa relação e isso tem sido importante”.

Em algumas das zonas mais movimentadas de Arroios, como a Almirante Reis – ou na Igreja dos Anjos à frente do Centro e Apoio Social, também conhecido como Sopa dos Pobres –, os sem-abrigo são, muitas vezes, parte da imagem. As presenças regulares são 64, e estão identificadas, garante. “O problema dos sem abrigo não é um problema da junta, é um problema nacional, de todos. Temos uma equipa, de seis pessoas, que trabalha com eles, e até um apartamento [a República] para estas pessoas. Só que, por exemplo, no caso da zona da Igreja, comem ali cerca de 400 pessoas, que depois ficam para o jantar e criam ali muitos problemas. Já pedimos à Santa Casa da Misericórdia para que não viesse tanta gente. Há mais de um ano que pedimos à Câmara Municipal de Lisboa para articular esta resposta. Respondem-nos que estão a estudá-la…”, esclarece Margarida Martins. Ou seja, mesmo esta sendo uma das prioridades do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a burocracia que se gera à volta de três instituições acaba por atrasar a resolução destes problemas.

Um dos direitos que deveria ser atribuído aos sem abrigo, defendidos pela presidente da Junta de Arroios, é o passe social gratuito. E aponta outra vez baterias à CML e à Santa Casa, com quem tem mantido, diz-nos, inúmeras reuniões. “Não percebo porque é que se dá apoio social e não se dá o passe social a estas pessoas. O passe devia ser tratado com a CML e com a Santa Casa para as pessoas poderem ir dormir aos sítios que lhes são indicados”. A única garantia dada, e que até foi pública, foi a promessa da CML que até 2021 todas as pessoas seriam retiradas da rua.

Mudanças, obras e pedidos

Sobre o consumo e tráfico de drogas, o trabalho feito “tem dado resultados, ainda que não esteja de todo terminado”. Existe o projeto da Unidade de Brigada Móvel ou as equipas de rua da CML. Mas mesmo ali perto da Junta de Freguesia vemos o consumo à luz do dia que, ficamos a saber, é devidamente acompanhado, quer pelos Médicos do Mundo quer pelo Grupo de Ativistas em Tratamento. “Sim, é a zona mais gritante, ainda está por resolver, não quer dizer que não haja mais. A junta não pode resolver sozinha nem é a polícia. Até porque não se pode prender pessoas por estarem a consumir, ainda que existam rusgas, até grandes. Mas toda a polícia está informada.”

“Temos um milhão e meio para requalificação do espaço público e obras diversas. Os concursos públicos estão quase todos feitos e as obras vão durar um ano. São para terminar em fevereiro de 2021, e não em setembro”, garante Margarida Martins.

Uma das imagens de marca da zona de Arroios são as obras e Margarida Martins garante que esta é uma das grandes prioridades até ao fim do seu mandato em 2021. A empreitada do Jardim do Caracol da Penha (projeto mais votado no Orçamento Participativo), diz-nos, vai começar em 2020, e o Mercado de Arroios também será requalificado. Existem projetos ligados às escadarias, ao Bairro 100% Seguro – em mais de 30 ruas — e até à construção de um polidesportivo nos Anjos. Ao todo falamos de um grupo de 16 obras, algumas já começaram, outras só no próximo ano. “Temos um milhão e meio para requalificação do espaço público e obras diversas. Os concursos públicos estão quase todos feitos e as obras vão durar um ano. São para terminar em fevereiro de 2021, e não em setembro”, que é o mesmo que dizer que a presidente da Junta não quer a conclusão das obras em cima das eleições autárquicas que deverão acontecer por essa altura.

Já os problemas de higiene urbana – uma das maiores queixas dos moradores — ou do tráfego automóvel também são para enfrentar, mas a níveis diferentes. “Foi feito um investimento de mais de um milhão de euros, na compra de equipamentos para mover lixo e na contratação de mais de 50 funcionários”. E acrescenta: “Somos das poucas juntas com recolha de lixo ao domingo”. Só que por muito investimento que se faça, existe a tarefa hercúlea de “educar” as pessoas. “Dantes, as pessoas colocavam os caixotes na rua, agora já não. Porque dá muito trabalho. Se der a volta ao Bairro das Colónias vai ver isso. Há uma falta de respeito da parte da população e que vive cá há muitos anos. Mas não é um problema exclusivo daqui”. Ao nível do trânsito, a junta pouco ou nada pode fazer – mais uma vez. “Essa situação é com a Câmara, não podemos alterar o tráfego, mas a Carris e a CML têm incentivado a uma maior utilização dos transportes públicos e das bicicletas.”

Falta ainda atacar o problema do alojamento local. Há poucas semanas ficámos a saber que Arroios também terá zonas incluídas na lista de restrições. Quem atribui as licenças é a Câmara, por isso, mais uma vez, a junta não pode fazer mais do que um pedido de restrição de certas áreas, como o Bairro das Colónias ou a Colina de Santana: “Também pedimos ao governo que o hospital Miguel Bombarda seja utilizada para habitação acessível, escolas e jardins, áreas de desporto, e precisamos de uma nova escola na freguesia. E posso dizer-lhe que o ministro (das Infraestruturas e Habitação) Pedro Nuno Santos já leu favoravelmente”.

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