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Documento recomenda a utilização de máscaras sempre que se sai de casa

SOPA Images/LightRocket via Gett

Documento recomenda a utilização de máscaras sempre que se sai de casa

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As 313 medidas dos especialistas da Universidade de Cambridge para travar o novo coronavírus /premium

Umas são mais tecnológicas que outras, algumas colocam (ainda mais) em causa as liberdades dos cidadãos — todas, acreditam os investigadores de Cambridge, poderão ser eficazes na luta contra o vírus.

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A ideia não é impor, nem sequer recomendar, avisam os autores da lista, publicada pelo BioRISC, o departamento de investigação em biosegurança do St Catharine’s College, da Universidade de Cambridge, mas apenas servir de orientação.

Até porque se algumas medidas estão ao alcance de qualquer um — puxar o autoclismo sempre com a tampa para baixo, para minimizar a propagação de “micróbios aerossolizados” —, outras só poderão ser implementadas por indústria, comércio, entidades empregadoras ou governos — como aplicar sistemas de rotação, a partir da primeira letra do apelido dos cidadãos, por exemplo, para evitar que parques, bibliotecas ou outros espaços públicos fiquem apinhados. Chama-se Antunes? Pode ir a jardins públicos às segundas e sábados. O seu apelido é Rodrigues? Então só pode entrar às quartas e domingos.

São os próprios investigadores a fazer essa ressalva: “é importante considerar se a ação poderá ter consequências negativas graves, incluindo a promoção de injustiça” — o que não invalida que, para o efeito pretendido, que é a diminuição de contágios e a contenção do SARS-Cov-2, as medidas sejam eficazes.

Ao todo, repartidas em sete grandes áreas — distanciamento físico; limpeza e higiene; redução da transmissão através de superfícies ou objetos; de águas residuais; de sistemas de ar condicionado; e de animais; e restrição da disseminação do vírus entre zonas —, são 313 as ideias propostas pelos investigadores do BioRISC, em colaboração com o Conservation Evidence, do Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge, e com o Centro para o Estudo do Risco Existencial, também da universidade inglesa.

Algumas fazem uso das novas tecnologias — como a que recomenda a integração de sistemas de QR code nas prateleiras dos supermercados, para que os clientes possam ver as informações sobre os produtos, incluindo alergénios, sem terem de lhes tocar; ou a que sugere a desinfeção de espaços, objetos e até dinheiro e alimentos com equipamentos de radiação ultravioleta.

Já outras atentam claramente contra o direito à privacidade — como as que sugerem a monitorização e rastreamento dos cidadãos através dos seus registos de telemóvel ou a que alude à partilha de imagens de vídeovigilância de várias lojas, para identificar os clientes que lhes fazem “visitas ‘excessivas’”.

Distância física

É o capítulo mais longo. Para além de todas as medidas inerentes ao isolamento caseiro de infetados ou potencialmente doentes, o documento recomenda o confinamento domiciliário sempre que possível, com a justificação de que cerca de 80% dos infetados podem ser assintomáticos, pelo menos nos primeiros dias.

Para além de ser sugerido o trabalho a partir de casa sempre que possível; o ensino à distância, através da Internet ou do estudo individual; e a reclusão de idosos e doentes de risco; são dadas outras sugestões mais extremas, como criar listas a nível nacional de profissões essenciais e multar as empresas que obriguem trabalhadores não essenciais a regressar ao local de trabalho.

Também é encorajada a criação de grupos comunitários que possam identificar e “adotar” médicos e enfermeiros ou outros profissionais que tenham mesmo de trabalhar fora de casa — ajudando com compras, lavandaria ou outras tarefas essenciais . A ideia é, para além de lhes facilitar a vida, minimizar as interações dessas pessoas fora do trabalho.

Documento sugere que as atividades que envolvam proximidade, como cortar o cabelo, passem a ser feitas por familiares ou coabitantes — “sob orientação de um profissional através de vídeo"

Corbis via Getty Images

Num esforço de redução do movimento local, recomenda-se que a duração das saídas ou a distância máxima percorrida sejam limitadas, aos minutos ou aos quilómetros; que sejam tornadas obrigatórias as autorizações para sair de casa e que a atividade física ao ar livre passe a estar sujeita a receita. É dado o exemplo do Peru, que instituiu o recolher obrigatório entre as 18h e as 5h, e sugerida a redução, ou mesmo interrupção, dos serviços de transportes públicos.

Para verificar se as normas são cumpridas pelos cidadãos, sugere-se ainda que sejam monitorizados os registos de telemóvel e rastreados os seus movimentos. Uma medida não muito diferente de outra, sugerida para diminuir o número de visitas a supermercados e outro comércio: “Partilhar a vigilância entre lojas, incluindo os vídeos dos sistemas internos de segurança, para identificar pessoas que lhes fazem visitas ‘excessivas’”.

Com o mesmo objetivo são apresentadas outras hipóteses, como instituir um limite mínimo de pagamento, para promover as compras grandes e espaçadas no tempo; eliminar as taxas cobradas pelas entregas ao domicílio; e restringir as compras de “itens de luxo” ou “não essenciais” a um número máximo por pessoa.

Como acontece em Portugal, recomenda-se ainda que sejam criados horários especiais para os trabalhadores da saúde ou doentes de risco fazerem compras.

Já no que toca à redução do contacto físico, para além de se banirem beijos e abraços, recomenda-se que as atividades que envolvam proximidade, como, por exemplo, cortar o cabelo, passem a ser feitas por familiares ou coabitantes — “mas sob orientação fornecida de um profissional através de uma ligação de vídeo”.

Para limitar as interações próximas, para além das medidas já implementadas em muitos países, como limitar o número de pessoas presentes em cerimónias como casamentos ou funerais, ou cancelar todos os eventos de massas, são dadas sugestões menos convencionais como reduzir as conversas ao essencial, ou manter o ruído de fundo em níveis baixos, para que as pessoas não tenham de se aproximar para ouvir.

As bicicletas podem ser uma alternativa aos transportes públicos. Recomenda-se a criação de novas ciclovias e até a disponibilização gratuita de bicicletas partilhadas

SOPA Images/LightRocket via Gett

Também se desencorajam contactos sociais entre vários grupos — cada um deve limitar as interações ao seio familiar ou do trabalho, por exemplo, e dispensar os encontros com o grupo do basquetebol, com os amigos da faculdade ou com os pais dos amigos dos filhos, por exemplo. Cada pessoa é aconselhada a manter-se dentro da sua “bolha” —  as redes sociais podem ser utilizadas “para pedir formalmente às pessoas que identifiquem a sua bolha (também ajudará com o rastreamento de movimentos, se aplicado)”, acrescenta o documento.

Para reduzir interações em contexto de viagens, para além de ser sugerida a redução da capacidade dos transportes públicos; o fim das distinções entre classes executiva e económica; a restrição do seu uso a grupos específicos, como por exemplo trabalhadores; ou a colocação de barreiras acrílicas entre lugares, é colocado um grande ênfase na utilização de bicicletas. É recomendada a criação de novas ciclovias, o aumento do número de lugares para parar bicicletas (e também de estacionamento), e até a disponibilização de bicicletas partilhadas de forma gratuita, como aconteceu em Londres.

Para evitar aglomerações de pessoas em espaços públicos, são apresentadas soluções como o desenvolvimento de marcações por períodos de tempo ou limitar o uso de determinados equipamentos, como jardins ou bibliotecas, a intervalos de tempo determinados por elementos facilmente verificáveis. Por exemplo, às segundas-feiras de manhã só podem entrar no jardim as pessoas cujo número da porta seja par, ou que tenham o apelido a começar pelas letras A, B ou C.

O tempo dentro de lojas também pode ser limitado (se bem que isso possa obrigar a idas mais frequentes às compras, ressalva o documento); e é ainda incentivado o desenvolvimento de tecnologias que permitam informar em tempo real sobre a lotação dos espaços ou que, no caso dos comboios, por exemplo, direcionem os passageiros diretamente para as carruagens menos concorridas.

É sugerida ainda a lotação máxima de espaços — desde cantinas a lojas, passando por consultórios e até parques. O controlo de acessos poderá ser feito por sistemas de passwords ou QR codes ou através de torniquetes e bilhetes, como no metro ou nos parques de estacionamento.

A criação de filas online ou a disponibilização de imagens do interior dos supermercados e outras lojas podem facilitar o ato de comprar, em época de distanciamento social

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Outras hipóteses: desenvolver sistemas que fechem automaticamente as portas, assim que o número máximo de sinais de telemóvel for detetado no interior das lojas; criar filas online, para que só seja necessário sair de casa para ir ao consultório à hora certa; ou equipar o interior de carruagens ou lojas com sistemas de vigilância — “As pessoas ligam-se às câmaras via wifi para saber quando entrar ou onde existe espaço disponível”.

Também se sugere que eventos como missas possam ser repetidos, para que os participantes se dividam em vários grupos, e que os horários de funcionamento de alguns estabelecimentos sejam alargados.

Ainda no capítulo do espaço, mas ao ar livre, o documento sugere que seja permitido o acesso a propriedade privada para reduzir as aglomerações nos parques; e que a circulação de carros e motas possa ser proibida em certas zonas ou os limites de velocidade reduzidos, para que possam ser utilizadas como espaços de lazer ou para fazer exercício físico.

Partindo do princípio de que os fluxos numa única direção ajudam a manter as distâncias entre pessoas, recomenda-se que, nos passeios públicos, sejam criados sentidos obrigatórios; que as entradas e saídas sejam separadas; e que, em caso de existirem várias, uma escadaria sirva apenas para subir e a outra para descer. Outra sugestão: em caso de circulação em espaços fechados, pode ser implementado o hábito de circular sempre no sentido dos ponteiros do relógio.

Redução da transmissão através de superfícies ou objetos

A ideia central é não tocar em nada que não seja mesmo essencial, pelo que se aconselha a remoção de puxadores de portas — que devem ser mantidas abertas, para fomentar a circulação do ar — e de objetos partilhados, como revistas em consultórios médicos e aviões ou dispensadores de água.

Como o objetivo é não tocar, sugere-se a passagem para o automático: de portas, torneiras e  dispensadores de álcool gel. Em vez de assinadas, as folhas de entrega de encomendas podem ser validadas, é outra hipótese colocada, com fotografias da porta do destinatário aberta. E os sistemas de reconhecimento através de touch screen devem ser substituídos por sistemas de identificação de voz.

No caso dos pagamentos por sistema contactless, altamente recomendados, em detrimento de notas, moedas e cartões com pin, sugere-se que os valores máximos permitidos por transação sejam aumentados e que as taxas sejam suspensas.

Outras sugestões:

  • Utilizar drones ou carros autónomos para entregar encomendas;
  • Desenvolver sistemas de QR code nas prateleiras dos supermercados, para que os clientes possam ver as informações sobre os produtos, incluindo alergénios, sem terem de lhes tocar;
  • Também nos supermercados, remover as ilhas de pão ou vegetais, por exemplo, em que cada cliente pode servir-se.

Neste capítulo, outro dos conselhos passa por evitar, sempre que possível, tocar nos objetos com as pontas dos dedos ou com as palmas das mãos. Sugestões alternativas elementares: carregar no botão do elevador com o nó do dedo ou nas teclas do multibanco com um ponteiro trazido de casa (que deverá ser desinfetado sempre que utilizado). Dentro das soluções mais complexas, sugere-se a readaptação de manípulos de portas, bebedouros ou afins, para funcionarem ao toque de pés ou cotovelos em vez de mãos.

Para minimizar contactos, é colocada a hipótese da utilização de drones ou carros autónomos para entregar encomendas

AFP via Getty Images

Depois há ainda soluções que, por muito que se apresentem como atentados ao meio ambiente, serão mais seguras, defende o documento: o uso de sacos reutilizáveis deve ser banido, bem como o de recipientes reutilizáveis para comprar comida ou bebida, por exemplo, e deve ser privilegiada a utilização de copos, pratos e talheres descartáveis. Nas salas de aula a funcionar, os apagadores devem ser substituídos por toalhitas de limpeza.

Como materiais mais seguros, porque inativam mais rapidamente os vírus, incluindo o SARS-CoV-2, são destacados o cobre e o papel. “Adicionar superfícies de cobre a espaços comuns ou públicos, instalações de cuidados de saúde e outros locais críticos” é aconselhado, tal como preferir sacos de papel aos de plástico.

Limpeza e higiene

Só para o subcapítulo que diz respeito à lavagem das mãos (e braços, caso estejam descobertos) há 17 conselhos, que vão desde a frequência à forma e funcionamento dos lavatórios: devem ser profundos o suficiente para que ninguém lhes toque inadvertidamente, enquanto se ensaboa, e as torneiras manuais devem ser substituídas por sistemas automáticos.

Mas a higiene pessoal não acaba aqui: é aconselhado o uso de aplicações, como o https://donottouchyourface.com, para garantir que as mãos não tocam no rosto; e o duche depois do trabalho.

As descargas sanitárias devem ser feitas com o tampo fechado, “para reduzir a propagação de micróbios aerossolizados”, e as empresas são incentivadas a submeter os funcionários a testes sobre os seus conhecimentos sobre higiene pessoal — quem chumbar volta para casa.

Só para a lavagem de mãos (e braços, caso estejam descobertos) há 17 conselhos

In Pictures via Getty Images

Há ainda conselhos para a lavagem da roupa, que não deve ser sacudida, para diminuir as probabilidades de dispersão do vírus através do ar, e deve sempre ser bem seca antes de vestida. Os sacos ou cestos onde as roupas são depositadas antes de serem lavadas também devem ser regularmente lavados ou desinfetados.

As luzes de radiação ultravioleta UV-C, que começaram por ser utilizadas na China para desinfetar carruagens de comboio e outros transportes e que também já estão a ser usadas no Brasil, o segundo país mais afetado pela pandemia, também são recomendadas. Para desinfetar, além de transportes, espaços, correio, objetos e até dinheiro e alimentos.

A desinfeção regular de objetos e superfícies frequentemente tocadas, como puxadores de portas, botões de elevador, secretárias, teclados, impressoras e brinquedos também é incentivada.

É aconselhada a utilização da radiação UV-C para desinfetar espaços, correio, objetos e até dinheiro e alimentos

Los Angeles Times via Getty Imag

Nos restantes casos, se não for urgente, o melhor mesmo é esperar até manusear — “Testes ao SARS-CoV-2 revelam uma diminuição exponencial da carga viral. Em média, a viabilidade mais longa foi de aproximadamente 5,6 horas em aço inoxidável e 6,8 horas em plástico, sendo mais reduzida no cartão e muito mais baixa no cobre”, explica o documento.

Chegou uma encomenda ou uma carta? Espere até ao dia seguinte para abrir. Tem de ir às compras? Leve o saco que já não utiliza há mais tempo. É preciso sair com o carro da empresa? Confirme no registo de entradas e saídas qual é o que está parado na garagem há mais tempo.

Redução da transmissão através de águas residuais

Em 2003, durante o surto de SARS, um bloco de apartamentos em Hong Kong foi um grande foco de infeção, confirmou a OMS em relatório, graças a problemas no sistema de canalização de águas residuais. Partindo deste exemplo, o BioRisc aconselha especial atenção a fugas e problemas nos canos.

Todas as torneiras devem ser abertas duas vezes por dia, de manhã e à noite, pelo menos durante cinco segundos e se houver problemas nos sistemas de escoamento devem ser imediatamente reparados. Outro  sinal de alerta pode ser o mau cheiro em casas de banho, cozinhas ou outras zonas de lavagem.

Redução da transmissão através dos sistemas de ar condicionado

O ideal é que possam ser dispensados e trocados por janelas e portas abertas mas, se tiverem mesmo de estar a funcionar, os sistemas de ar condicionado devem ter uma filtragem eficaz e têm de ser limpos com regularidade.

A recirculação de ar deve ser evitada, para reduzir a concentração de aerossóis infecciosos dentro do sistema. Os extratores também devem estar longe das áreas públicas.

Redução da transmissão através de animais

Por muito que, de acordo com a Organização Mundial para a Saúde Animal, não existam evidências de que os animais de companhia desempenhem um “papel significativo na disseminação” do novo coronavírus, a verdade é que há vários casos documentados de infeção pelo SARS-CoV-2 em gatos e cães, ressalva o documento.

Os infetados devem manter-se à distância, não apenas de outras pessoas, mas também dos animais

SOPA Images/LightRocket via Gett

Partindo deste pressuposto, recomendam-se alguns cuidados — a começar na distância que os infetados devem manter, não apenas de outras pessoas, mas também dos animais.

Se esta primeira regra não tiver sido cumprida e houver mais do que um animal em casa, a ordem será para minimizar o contacto também entre animais: cada um deverá ter a sua tigela de comida e fonte de água, se possível devem ser confinados a espaços separados.

Se houver risco de infeção, o mais avisado será evitar passeios e manter os animais em casa.

Restringir a disseminação do vírus entre diferentes zonas

Se nas fases iniciais das pandemias as restrições de circulação podem ser muito eficazes para conter a escalada de infeções, nas que se lhes seguem continua a ser uma importante arma, para impedir que os vírus se propaguem a comunidades isoladas ou a regiões com níveis diferentes de infeção, explica o documento.

Para além de recomendar restrições de viagem, como aquelas que têm sido aplicadas em todo o mundo — Portugal incluído —, o documento encoraja a regulamentação de medidas punitivas para os incumpridores mas também o fornecimento de incentivos para que os cidadãos, por si, desistam de viajar. Exemplos: devolver, em dinheiro, os custos de viagens canceladas por causa da pandemia; ou através de vouchers os bilhetes cujo cancelamento tenha sido voluntário.

Se tudo o resto falhar e as viagens tiverem mesmo de ser feitas, sempre de máscara e com todos os cuidados de higiene e desinfeção pessoais já descritos, há várias opções, para além da imposição de quarentenas nos destinos de chegada.

Testar todos os passageiros antes de voos internacionais ou criar um carimbo especial de passaporte, que ateste que o portador desenvolveu imunidade contra o vírus e não está infetado, são algumas. Fretar autocarros, comboios ou aviões inteiros, “como fazem as equipas desportivas”, é outra das alternativas apresentadas, para aqueles que façam questão de viajar em grupo.

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