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Getty Images/iStockphoto

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Aulas em direto, yoga com gatos e testes de ADN. 8 tendências de exercício para 2018

Em 2018 vamos estar mais lentos (no bom sentido), ouvir mais o nosso corpo e incluir os animais de estimação no programa de treino. Estas e outras tendências de exercício físico para o novo ano.

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Nem só de novas modalidades é feito o rol de tendências de exercício físico e bem-estar para 2018. No novo ano, vamos aprender sobretudo formas diferentes de treinar, a trocar o ginásio pelo ar livre e a complementar a atividade física com uma alimentação equilibrada. O boxe e as suas derivações continuam na ordem do dia, bem como as variantes do yoga que nos fazem subir uns bons centímetros acima do solo. E por falar em yoga, parece que os animais também estão a começar a apanhar-lhe o gosto. Cães, gatos e cabras já experimentaram, mas todos os curiosos são bem-vindos, ainda mais sendo nas redes sociais. Abrandar é a palavra de ordem e parece que tem de ser sinónimo de queimar menos calorias.

2018, um ano para abrandar

Até aqui, tem sido sempre a abrir: aulas de spinning onde se pedala a um ritmo alucinante, provas de velocidade sem sair da passadeira e circuitos de alta intensidade (também conhecidos por HIIT – High Intensity Interval Training) muitas vezes associados a essa grande febre chamada CrossFit. Mas e se 2018 for o ano em que vamos continuar a fazer isso tudo, mas mais devagar? E como isto dos neologismos é um vício tramado, já há quem fale em LIIT, que podia muito bem ser a sigla de long island iced tea, #soquenao.

O Low Intensity Interval Training não é assim tão diferente do anterior. A dinâmica que intercala intervalos de treino de alta intensidade com momentos de abrandamento mantém-se. O treino intenso só fica mais lento (não há cá sprints, se transpusermos o modelo de treino para a corrida) e os períodos de recuperação mais longos. A pergunta mais legítima do mundo é: é possível perder as mesmas calorias? A resposta é previsível: sim, mas com mais tempo de treino. Investigadores da School of Kinesiology and Health Studies, no Canadá, quiseram tirar a prova dos nove e observaram dois grupos de pessoas, cada um seguindo o seu método de treino. Concluíram, no final do estudo que todos tinham perdido o mesmo número de calorias.

Segundo investigadores da Universidade de Ohio, mudar a direção da marcha e fazer uma trajetória curva pode representar um aumento das calorias queimadas na ordem dos 20%.

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Digamos que em vez de treinar intensivamente durante 15 minutos, 2018 vai desafiá-lo a exercitar-se durante 40 minutos, mas sem o impacto violento de um circuito alucinante. Esta é, aliás, a grande vantagem do LIIT, como explica Jamie Logie, especialista em treino de força, à revista norte-americana Muscle & Fitness. “É uma alternativa para quem é novo no fitness, para os mais velhos que podem não estar preparados para um vigoroso treino de alta intensidade e para quem está a recuperar de uma lesão”, explica.

Em 2015, já se discutiam os benefícios deste tipo de treino para a população mais velha. Um estudo publicado pela Biblioteca Nacional de Medicina, nos Estados Unidos, falava em benefícios mentais com os quais o treino de alta intensidade não tinha como competir. Ainda no campeonato dos estudos, no mesmo ano, investigadores da Universidade de Ohio chegaram à conclusão de que é nas variações de velocidade e direção e na interrupção e recomeço da atividade física que está o ganho. Mudar a direção da marcha (no caso de corridas e caminhadas) e fazer uma trajetória curva pode representar um aumento das calorias queimadas na ordem dos 20%. Agora já sabe: o exercícios nas calmas compensa, com voltas e reviravoltas ainda mais.

Para Nilton Bala, personal trainer de várias figuras públicas, incluindo Sara Sampaio, a diferença também está nos objetivos. “Quando o objetivo é ter um estilo de vida mais saudável, os parâmetros são os mesmos [alimentação, exercício físico e descanso], no entanto o rigor não é tão acentuado. O mais importante é o equilíbrio”, explica.

Regresso ao recreio

Depois de construir uma carreira como personal trainer dentro de um ginásio, Nuno Froufe Costa quis vir para a rua. Há cinco anos, criou o projeto Lx Outdoor, porque meio mundo percebeu que quanto mais personalizado fosse o treino melhores os resultados e porque, na verdade, toda a cidade é um ginásio em potência. “O treino funcional vai existir sempre, é baseado nos pilares do movimento. Por outro lado, as “boxes” são caríssimas e não é toda a gente que aguenta a dureza de alguns exercícios”, afirma.

Primeiro, os aficionados do exercício físico vieram para a rua. Depois, começaram a juntar-se (Nuno já acompanhou famílias e grupos de amigos). A moda dos grupos de corrida pegou (e de que maneira) e hoje até os ginásios desafiam os clientes a dar dez voltas ao quarteirão e a fazer flexões no jardim mais próximo.

"É preciso encontrar um equilíbrio. Há pessoas que estão a ir para além dos seus limites e isso é tão ou mais prejudicial do que não fazer exercício de todo".
Francisca Guimarães, autora do livro "Escuta o teu corpo"

“Até numa paragem de autocarro já dei um treino”, acrescenta. Sozinho ou acompanhado, 2018 é o ano de explorar o que o rodeia e de fazer de um parque, de uma praça ou de uma avenida um recreio. Suba, desça, salte, percorra, contorne e estique-se, afinal o treino funcional é isso mesmo.

Saco ou fita? Vai precisar dos dois

Nenhuma das modalidades nasceu ontem, mas 2018 vai ser o ano do boxe e do aerial yoga. A febre dos desportos de combate como meio de manter a boa forma física rebentou em 2016, agora tem duas opções: ou se mantém fiel aos clássicos, põe as luvas e vira-se ao saco de boxe ou alinha na última das modernices, o CrossPunch. O treino mistura boxe e CrossFit e o melhor sítio para dar os primeiros toques fica em Matosinhos.

Em Matosinhos, o CrossPunch misturou duas modalidades: boxe e CrossFit.

MARGARIDA MOURA

Quem não tem problemas em tirar os pés do chão pode continuar entretido lá em cima, pendurado numa fita ou num arco. Entretanto, o que conhecemos como aerial yoga já se desdobrou em várias vertentes, um fenómeno também ele tendência na área do fitness. Ao contrário do que pode pensar, uma modalidade pode sempre tornar-se ainda mais específica, basta dar uma vista de olhos no plano curricular do Studio Fly, no Porto, que tem aulas de D-Yogi Fly, Acro yoga e Fly workout. Em Lisboa, o Jaya Aerial Lab não fica pelo yoga. Há aulas de fitas e de trapézio, já a piscar o olho às artes circenses.

E mindfulness, conta como exercício físico?

E já que a tendência é abrandar, nada como juntar ao exercício físico uma pitada de mindfulness. O conceito de atenção plena não é nenhuma novidade de 2018, mas a sua influência nas atividades físicas vai fazer-se notar ainda mais. Por um lado, a saúde interior tende a ficar em pé de igualdade com a boa forma física, enquanto uma conceção mais holística do que é saúde vai sendo partilhada por um número cada vez maior de pessoas. Aqui, entram em campo práticas como o yoga e a meditação e nenhum dos dois é um bicho de sete cabeças.

Headspace, a app de meditação em que as primeiras 10 sessões são gratuitas.

Em 2017, meditar voltou a estar na ordem do dia e já existem aplicações, como a Headspace, que dão um empurrãozinho a quem é menos versado nesta prática. A parte chata é que não se levita. A parte boa é que, depois de vermos tapetes de yoga em todas as cores e feitios, há cada vez mais opções de almofadas de meditação (curiosamente, um acessório nada essencial para quem quer meditar) por aí.

Enquanto práticas como esta, que ligam corpo e mente, tendem a complementar os restantes treinos, também a preocupação com a recuperação após o esforço físico é algo que vai aumentar em 2018. Nuno Froufe Costa, personal trainer há 18 anos, antevê uma nova geração de estúdios que combinam as habituais ferramentas de treino com serviços de nutrição, massagens e terapias. Das saunas infrared à crioterapia, depois da queima de calorias, minimizar o desgaste através de programas relaxantes, mas também terapêuticos, já é obrigatório em centenas de ginásios em todo o mundo. Por cá, já se sabe, demora tudo mais um bocado.

Diagnósticos ainda mais detalhados

O treino perfeito — se tal coisa existe, a tecnologia e a ciência ajudam a encontrá-lo. No que toca aos exames de ADN, as opiniões são unânimes: em 2018 esta opção, à partida um pouco rebuscada, vai tornar-se mais popular. Depois da moda ter pegado nos Estados Unidos e de até se ter tornado possível enviar material genético para laboratórios fora do país, no final do ano passado, um estúdio no Porto passou a disponibilizar estes exames. O eBody não atesta a parentalidade de ninguém, apenas analisa o material genético para tirar algumas conclusões sobre o metabolismo de cada um. Não é só o exercício físico que deve ser adaptado a cada corpo, também a alimentação pode ser reconduzida com base nas características genéticas.

Está lá? Daqui fala o seu corpo

“Somos todos um pouco vaidosos. A estética é importante, mas há uma preocupação cada vez maior com a continuidade da performance e com o progresso. O six pack já não é tudo”, continua Nuno. Dentro da visão holística que enquadra o exercício físico (ainda mais em 2018), estar em forma depende de muitos outros fatores e há mesmo quem ache que andamos a abusar do ginásio. Em maio de 2017, Francisca Guimarães lançou o livro Escuta o teu corpo, uma espécie de guia para atingir um estado de bem-estar pleno em que o exercício é apenas um de muitos fatores e esses estão quase sempre em desequilíbrio.

"Escuta o teu corpo", o livro de Francisca Guimarães foi lançado e maio de 2017. Custa 17,50€.

“É preciso encontrar um equilíbrio. Há pessoas que estão a ir para além dos seus limites e isso é tão ou mais prejudicial do que não fazer exercício de todo”, afirma. Indiretamente, a autora do blogue “Miss Kale” faz referência ao movimento de slow living, tendência a galope que também interfere com a prática de exercício. Francisca defende ainda que um estilo de vida ativo não deve ser confundido com a prática de exercício físico. Demasiado tempo nas salas dos ginásios e muito pouco passado em contacto com a natureza é outro dos problemas atuais, se bem que a solução para isso também passa pelo desporto.

“Acho que já começamos a despertar para a importância do exercício ao lado de alimentação, das horas de sono e da redução do stress. A maioria não retira diversão do exercício físico. Um dos melhores exercícios, por exemplo, é saltar num trampolim, todos os astronautas o fazem porque é muito bom para o sistema linfático. O problema é as pessoas projetarem o perfecionismo que têm no trabalho também na atividade física”, completa Francisca, atualmente a concluir um curso de homeopatia no Reino Unido.

Teleginásio

Nada contra os vídeos de fitness de Jane Fonda (tudo a favor), mas não é disso que estamos a falar. Por muito que, para algumas pessoas, o ginásio seja uma espécie de templo sagrado, as agendas preenchidas empurram os adeptos do exercício físico para soluções mais cómodas e na falta de liquidez para ter um personal trainer na sala todos os finais de tarde, a aula de core que está a acontecer do outro lado da cidade (ou do mundo) pode muito bem ser transmitida em direto para quem se quiser juntar. A ideia de transmitir aulas em live streaming não é nova, mas há quem defenda que em 2018 vão ser a grande cena. Do lado dos instrutores, a questão não é lá muito consensual. A falta de adequação dos exercícios a eventuais condicionantes físicas de quem acompanha a aula é o principal motivo.

Venha ginasticar (cães, gatos e cabras incluídos)

Vá, esta é mais caça ao like do que outra coisa. O ano de 2017 foi generoso no que toca a aulas de yoga com animais pelo meio. Deu-nos o cat yoga, o dog yoga e até o goat yoga, mesmo a provar que isto do exercício físico pode ser muito menos penoso com um bichinho simpático por perto. Está-se mesmo a ver que depois destes vídeos se terem tornado virais, vai estar meio mundo a tentar reproduzir em casa, sobretudo para exibir nas redes sociais. Se a moda pegar a sério, há dezenas de negócios possíveis, dos tapetes adaptados às licras temáticas. E de repente, fazer jogging com o golden retriever à beira mar é tão 2001.

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