Bloco de notas da reportagem na CDU. Dia 11. A curta passagem pelo norte valeu pela arruada de Santa Catarina /premium

23 Maio 2019

Depois de duas curtas arruadas na Maia e em Gondomar, João Ferreira e Jerónimo de Sousa mobilizaram algumas centenas de apoiantes na rua de Santa Catarina para ataques ao PS.

O 11.º (e penúltimo) dia de campanha da CDU foi o primeiro no norte do país, depois de uma rota passada essencialmente no Alentejo e na Grande Lisboa, que incluiu uma outra passagem de um dia pela região centro. João Ferreira tem vindo a criticar, e fê-lo de forma ainda mais contundente nesta quinta-feira, os meios de comunicação social que afirmam que a campanha andava maioritariamente em zonas onde a coligação tem uma forte implantação local, particularmente nos bastiões históricos e nas autarquias comunistas. “Pois terão de dizer que hoje o Porto se pintou com as cores da CDU. Está aqui mais um bastião da CDU“, defendeu.

Mas a verdade é que um olhar pela agenda oficial de campanha, cedida pela própria coligação aos meios de comunicação social, mostra precisamente aquilo que o candidato desvalorizou. Dos 12 dias de campanha oficial, cinco foram passados na zona da Grande Lisboa; outros dois incluíram ações na Grande Lisboa e deslocações a bastiões comunistas; dois foram passados no Alentejo (com várias visitas a autarquias comunistas); e apenas três dias foram dedicados ao resto do país (um ao centro, um ao norte e um ao Algarve).

Este penúltimo dia de campanha, passado na zona do Grande Porto, ficou marcado pela histórica descida da rua de Santa Catarina, em que por muito pouco as caravanas da CDU e do PS não se cruzaram. Aliás, a equipa da CDU ainda desmontava o palanque onde João Ferreira e Jerónimo de Sousa haviam discursado quando o cortejo do PS passou no local. Na Maia e em Gondomar, João Ferreira presidiu a duas pequenas arruadas — numa nem microfone houve para o discurso final — que não fizeram história.

No plano dos temas de campanha, destacam-se três essenciais: a continuação dos ataques a António Costa e ao PS depois do discurso do primeiro-ministro na quarta-feira em Setúbal; a desvalorização das sondagens que repetidamente têm dado à CDU a possibilidade de perder um eurodeputado; e ainda a apresentação de duas novas propostas da coligação relativas aos fundos europeus (particularmente a ideia de impedir as entidades que recorram ao trabalho precário de aceder a fundos europeus). O dia fecha com um comício em Braga antes do tudo ou nada de sexta-feira, com a tradicional descida do Chiado, em Lisboa, e o comício de encerramento no Seixal.

Alto. A arruada de Santa Catarina mobilizou centenas de pessoas e incluiu discursos políticos fortes, que tornaram o momento num dos mais marcantes de toda a campanha. Há que destacar também a habitual coordenação entre campanhas, que permite evitar os encontros desconfortáveis entre partidos, candidatos e apoiantes na tradicional descida de Santa Catarina.

Baixo. As duas arruadas na Maia e em Gondomar, com poucos apoiantes, curtas e pouco intensas, não mobilizaram muito apoio para a coligação. João Ferreira usou-as para jogar o trunfo da campanha nacional, sem se focar apenas nos bastiões comunistas, mas a diferença de entusiasmo nas ruas entre o norte e os ditos bastiões conta uma história diferente.

Palhaço Mix. É Sérgio Oliveira, mas prefere Palhaço Mix, “que toda a gente me conhece de norte a sul do país“. E é daquelas figuras que, mais tarde ou mais cedo, aparece numa campanha eleitoral. O palhaço oferece pipocas a toda a gente que passa na rua em frente ao Talho do Povo, em Gondomar. “É um miminho que nós damos sempre aos clientes”, explica, sempre sem parar de encher sacos de pipocas e enquanto vai divulgando o seu pensamento político.

Mais preocupações com os “idosos e as crianças”, “pensar no universo” e na “questão dos plásticos”, “fazer a mudança” e pensar no clima, que “está todo estragadinho”. Diz a rir, mas fala a sério. Tinha acabado de receber das mãos de João Ferreira um panfleto da CDU — e conseguiu a proeza de arrancar um sorriso mais aberto ao candidato da coligação, que ainda assim conseguiu manter o equilíbrio entre o caricato da situação e a seriedade da campanha.

De manhã, já lá tinha passado Pedro Marques, mas não chegou a falar com o palhaço que anima a rua. “Sabem se vem mais alguma campanha passar aqui?“, pergunta aos jornalistas, enquanto vai acompanhando os gritos de campanha com a colher de pau na panela. Entretanto, diz a rir, mas muito a sério, mais uma grande verdade: “É preciso é saber votar”.

LUSA

Depois de, em Almada, Jerónimo de Sousa ter percorrido apenas os últimos metros da arruada ao lado de João Ferreira, esta quinta-feira, no Porto, o secretário-geral do PCP subiu a rua de Santa Catarina toda ao lado do cabeça-de-lista. Um apoio de peso — e muito presente na campanha de João Ferreira — que antecipou um discurso com duras críticas a Costa.

Na quarta-feira, João Ferreira acabou a campanha em Alpiarça. Esta quinta-feira, fez 265 quilómetros até à Maia, somou-lhes mais 20 quilómetros até Gondomar, andou 19 quilómetros até ao Porto e ainda irá fazer 54 quilómetros até Braga.

Total percorrido desde o início da campanha oficial: 2.481 quilómetros.

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