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Bloco de notas da reportagem no BE. Dia 11. Se está a correr bem, não mexe mais para não estragar /premium

Depois de um arranque em força e com várias ações de contacto popular, o BE decidiu acalmar antes do sprint final. Com uma sondagem a dar números tão bons, o dia estava ganho. Era só não estragar

Ao 11º dia de campanha, o Bloco de Esquerda quase podia até nem ter saído de casa. A sondagem TSF/JN antecipava um resultado tão bom para o partido (praticamente o dobro do CDS e metade do PSD) que o dia estava ganho. Talvez por isso, e mesmo tendo o partido saído à rua, haja pouco para contar. Resumiu-se a uma ação de campanha: uma visita à fábrica de complementos automóveis Huf, em Tondela.

Arrancou com um almoço na cantina da fábrica entre bloquistas e Comissão de Trabalhadores. Uma espécie de reunião informal. Seguiu-se uma entrega de jornais do partido, fraca, com pouca mobilizção. Foram poucas as pessoas que a comitiva do BE conseguiu apanhar na mudança de turno e foram ainda menos aquelas que estiveram dispostas a colaborar com a iniciativa de campanha do Bloco de Esquerda.

Mas isso não estragou a boa disposição da caravana bloquista que, minutos depois, seguiu para a visita à fábrica. Outro momento em que grande parte dos funcionários preferiu continuar o seu trabalho do que parar para falar com Marisa Matias. Mas há sempre abordagens voluntárias, sobretudo da parte das mulheres trabalhadoras, e por arrasto vêm as fotos e as imagens nas televisões e está cumprida a missão.

Claramente o BE entendeu que não valia a pena arriscar. Os números estão bons, a campanha discreta mas eficaz está a resultar e por isso hoje foi em ambientes controlados para não haver surpresas. E cumprir à risca um guião que passa também por não responder aos adversários. Nas habituais declarações à imprensa, pedia-se uma resposta mais clara à candidata sobre a posição do partido perante o euro. “É a mesma de sempre”, disse. “Mas qual, pode concretizar?”, iam perguntando os jornalistas. “Não acordámos hoje, é a mesma que sempre tivemos”, insistia a candidata.

Responder diretamente à pergunta (mesmo que servisse para esclarecer de vez os eleitores) seria também responder a António Costa e a Mário Centeno e a Pedro Marques. E Bloco quer levar até ao fim a máxima de não entrar na campanha que PS, PSD e CDS têm feito. Se está a resultar, para quê mexer?

Alto. Nas declarações à imprensa, Marisa Matias respondeu, não respondendo, ao primeiro-ministro. “Não percebi bem as palavras de António Costa”. A eurodeputada referia-se ao surpreendente ataque que Costa deixou na noite de quarta-feira em Setúbal aos parceiros da “geringonça”. “[PCP e BE] não perceberam que mais vale estarem comprometidos com uma solução de Governo do que se manterem arredados numa mera posição de protesto. Infelizmente vejo que aprenderam em Portugal, mas ainda não aprenderam na Europa”, disse o secretário-geral do PS. A resposta de Marisa Matias foi subtil, mas acutilante o suficiente para desviar o golpe e devolver a bola a António Costa.

Baixo. A visita à fábrica Huf, em Tondela. Até pode ter sido uma ação importante para as relações entre a Comissão de Trabalhadores e o Bloco de Esquerda. Mas a julgar pela reação dos trabalhadores que entravam e saíam do edifício no horário de troca de turnos ou pelos que trabalhavam durante a visita às instalações não parece ter sido eficaz para o trabalhador comum da fábrica. E foi a única ação do dia.

PAULO NOVAIS/LUSA

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Marisa (não, não é a Matias). A trabalhadora da Huf Marisa dirigiu-se à cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda para a cumprimentar. Depois de trocar umas palavras de cordialidade com a candidata, lá lhe anunciou o que a levara a querer falar diretamente com a eurodeputada. “Também me chamo Marisa”, disse-lhe. A resposta não foi a mais criativa mas animou a trabalhadora. “Se uma Marisa incomoda muita gente, duas Marisas incomodam muito mais”. As duas abraçavam-se e riam-se até que uma outra trabalhadora cujo nome não lhe conhecemos interrompeu o momento revelando alguma impaciência por também querer uns beijinhos da candidata. “Se uma Marisa é difícil de aturar duas Marisas são-no muito mais”. A resposta à altura que chegou inopinadamente mas de forma certeira.

PAULO NOVAIS/LUSA

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A única ação do dia além do comício falhou no contacto com os mais de 400 trabalhadores da Huf, em Tondela. Foram poucos os que passaram pela caravana bloquista e menos os que pararam para conversas com os candidatos ou membros da comitiva. Um desses contactos deu-se com Marisa Matias a debruçar-se sobre um carro para falar com dois trabalhadores que se preparavam para se fazer à estrada. Sintomático.

O dia arrancou em Viseu. Mais concretamente em Tondela. Depois de ter acabado em Almada foi uma manhã passada na estrada. A ação foi pouco eficaz mas ainda durou mais de uma hora, estendendo-se para lá do previsto. Mas na agenda só havia mais uma ação de campanha: um jantar-comício na Alfândega do Porto. A comitiva descansa em Gaia para amanhã arrancar a tarde de campanha com uma arruada no Porto. Esta quinta-feira o Bloco de Esquerda somou 414 quilómetros à contagem total. O contador já vai em 5.967 quilómteros. 

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