Bloco de notas da reportagem no BE. Dia 6. Marisa Matias, a candidata que quer ser low-profile /premium

19 Maio 2019

Um mega-almoço que aclamou Marisa Matias mas que voltou a ter em Catarina Martins o maior trunfo. A cabeça-de-lista continua a apostar no perfil mais discreto.

O Bloco de Esquerda fez este sábado uma das ações que nas campanhas mais ânimo dão ao partido: o mega-almoço. Embalados pela sondagem deste sábado da SIC e do Expresso, que dá o partido como o terceiro mais votado e com a eleição de dois eurodeputados garantida, os bloquistas entraram esta tarde na Sala Tejo do Altice Arena motivados. E para alimentar esse entusiasmo iam subir ao palco algumas das figuras mais importantes do partido: Mariana Mortágua, Pedro Filipe Soares, Marisa Matias e Catarina Martins.

Mariana Mortágua focou-se no tema da evasão fiscal, Pedro Filipe Soares no Parlamento e nas vantagens da “geringonça”, Catarina Martins como a pivô do partido, mostrando ambição e atacando várias frentes, e Marisa Matias, para falar de Europa e criticar o tipo de campanha dos seus adversários.

Se os dois primeiros foram novidades nesta campanha o mesmo não se pode dizer de Catarina Martins e Marisa Matias, que cada vez mais assumem uma postura de polícia mau e polícia bom — respetivamente. Uma estratégia que tem permitido que a candidata mantenha a sua narrativa moderada deixando para a líder o confronto mais direto.

Seguiu-se uma arruada pelo Parque das Nações sem muito contacto popular, onde os bloquistas estiveram a fazer a festa consigo próprios.

“Apelo a que quem confiou no BE em 2015 e a quem votou na Marisa Matias em 2016 não fique em casa”

Nesta distribuição de tarefas, Catarina Martins tem sido a responsável por fazer os ataques mais diretos com um discurso mais acutilante, sobretudo se comparado com o tom de moderação de Marisa Matias. Esta tarde, a coordenadora do BE apelou aos eleitores que já deram bons resultados ao BE no passado que não deixem de ir votar. Mas foi mais longe e pediu também o apoio de “quem nunca votou no Bloco de Esquerda“.

Alto. O mega-almoço do Bloco de Esquerda juntou em Lisboa cerca de 900 pessoas. Um número significativo, sobretudo depois de uma semana em que o partido apostou numa campanha muito direcionada para nichos e causas, tendo deixado de parte as multidões e os grandes comícios. Esta ação quebrou essa monotonia e acabou por dar mais cor à campanha segura que o BE tem feito até agora.

Baixo. É certo que a estratégia de não “entrar no mesmo tipo de campanha que os restantes candidatos” é intencional e pode dar votos. E o trunfo de Marisa Marias nunca foi a hostilidade face aos adversários. Mas a contenção a que a candidata se auto-impõe, faz com que muitas vezes as suas intervenções sejam tão discretas que dificilmente marcam a agenda. Excesso de zelo?

Os três casais que vieram de Guimarães. Bigode farto, barriga de cerveja que se faz notar por a camisola verde estar por dentro das calças de ganga, óculos de sol e cabelo grisalho. António chegou à frente de um grupo de cinco pessoas — dois homens e três mulheres — aparentando uma confiança que não tinha. Estava meio perdido quando entrou na sala Tejo do Altice Arena, mas sabia que não podia falhar aos amigos que liderava. Tentando ser discreto, perguntou ao Observador se podiam ocupar uma mesa que estava vazia na última fila. “Somos três casais de Guimarães e queríamos ficar na mesma mesa“. Apontava para uma que estava reservada para a imprensa. O grupo que o seguia aproximava-se e António, para não dar parte fraca, não esperou pela resposta e seguiu seguro para uma segunda mesa também vazia.

No fim do mega-almoço, agradeceu ao Observador. “Eu é que tratei de tudo e não podia ficar cada um em seu lado, não é?”, justificou-se orgulhoso por ter corrido tudo como tinha idealizado.

O dia do Bloco de Esquerda teve as suas únicas ações em Lisboa, no Parque das Nações. Mega-almoço seguido de comício. A agenda pública ficou por aqui, mas a caravana bloquista seguiu rumo ao Aeroporto Humberto Delgado para apanhar um voo para o Funchal, onde o partido vai passar o dia de domingo. Uma viagem de uma hora e meia e em que o avião vai percorrer cerca de 973 quilómetros. Assim, quando a campanha acordar no Funchal já vai contabilizar um total de 2.839 quilómetros percorridos.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jmozos@observador.pt
Ambiente

A onda verde na UE e os nacionalismos

Inês Pina
134

Se hoje reduzíssemos as emissões de CO2 a zero já não impedíamos a subida de dois graus centígrados. E estes “míseros” dois graus vão conduzir ao fim das calotas polares e à subida do nível do mar.

Eleições Europeias

Os ventos que sopram da Europa

Jose Pedro Anacoreta Correira

É preciso explicar que o combate pela redução de impostos não significa menos preocupação social. É precisamente o inverso: um Estado menos pesado contribui para uma sociedade mais justa. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)