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António Costa tomou sempre a dianteira da arruada que seguiu pela baixa de Coimbra, o candidato seguia atrás

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

António Costa tomou sempre a dianteira da arruada que seguiu pela baixa de Coimbra, o candidato seguia atrás

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Bloco de notas da reportagem no PS. Dia 5. O candidato lesado por um líder em campanha total /premium

António Costa chegou à rua com protestos dos lesados do BES, mas também houve rosas e a maior mobilização que Pedro Marques teve até aqui. O candidato quase desapareceu ao lado do líder socialista.

António Costa entrou em modo todo-o-terreno na arruada de Coimbra e mesmo com um momento especialmente tenso logo a abrir, com os manifestantes dos lesados do BES, seguiu imperturbável na “mãozinha” que foi dar ao candidato que escolheu para número um do PS às Europeias. Aliás, a participação de Costa intensifica-se neste meio de campanha: esteve em Almeirim, na quarta-feira, agora em Coimbra e à noite na Covilhã, no sábado em Guimarães e no domingo na Madeira e nos Açores. E para a semana há mais. Uma coisa é certa, quando está o líder, a meia-luz de Pedro Marques apaga-se.

O candidato seguia sempre atrás do rasto do secretário-geral do seu partido que, em Coimbra, parecia apostado em não deixar escapar uma porta. No meio da confusão — estava muita gente na baixa concentrada à espera de Costa e de Pedro Marques — o líder socialista disparava de um lado para o outro da rua, ouvia histórias, disponibilizava-se para selfies e também ouviu críticas: de um professor, de uma enfermeira e dos lesados do BES. Foi respondendo e circulando à vontade. Atrás dele ia seguindo Pedro Marques que, depois de Costa falar com as pessoas, aproveitava para deixar o apelo ao voto.

A dada altura uma das pessoas com quem a caravana se cruzou abraçou o líder socialista e garantiu: “Vou votar em si”. O homem que quer o voto nestas eleições é Pedro Marques que apareceu depois. Mesmo quando se juntou a tuna académica, no meio da Rua Ferreira Borges, e um dos seus membros preparou uma capa negra, foi para a colocar nos ombros de Costa. Depois outra, que também não foi para Pedro Marques mas para o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado. Só quando apontaram para Pedro Marques insistentemente é que apareceu uma terceira para o candidato que continua a passar muito despercebido entre as pessoas nestas situações.

Pedro Marques não se mostra preocupado com isso e esta sexta-feira, quando Costa seguiu para o Café de Santa Cruz e Marques seguiu para o largo para fazer declarações, um dos membros do seu staff deixou escapar que “esta é uma campanha bicéfala”. Costa promete continuar a aparecer para “dar uma maõzinha” sempre que puder, como “militante socialista” e Pedro Marques vai aproveitando a onda que esta passagem cria.

“É um bocadinho como aquela história do preso por ter cão e preso por não ter. Aqui é preso por ter secretário-geral e preso por não ter. Se não tem secretário-geral é porque anda a fazer campanha sozinho, se tem secretário-geral é porque o secretário-geral veio. Não valorizo nada disso. É claro que os líderes dos partidos estão envolvidos sempre que podem, mas aqui está o PS”.

Pedro Marques a desvalorizar que o apoio de Costa apareça ao seu lado em força para evitar um resultado “poucochinho” nas Europeias — a expressão entrou para o léxico político pela voz do próprio António Costa, nas Europeias de 2014, quando o PS de António José Seguro teve 31% dos votos, contra 28% do PSD e CDS. Costa classificou esse resultado de “poucochinho” e pouco depois avançou para desafiar a liderança de Seguro. Obviamente que esse resultado é, agora, uma cifra a evitar.

O momento alto foi a participação do líder socialista na arruada de Coimbra. António Costa surgiu bem mais solto do que quando ele mesmo era o número um em campanha, nas legislativas de 2015.

O ponto baixo foi o músculo que rodeou o líder socialista nesta arruada, que acabou por criar tensão a uma iniciativa que até estava a correr bem a António Costa, mesmo depois do início atribulado entre os encontrões e a intervenção policial sobre os manifestantes lesados do BES. Do corpo de segurança do primeiro-ministro estavam sete membros — um número invulgar — eram tantos que a dada altura um homem queria uma fotografia com Costa e tentou passar o telemóvel para um dos seguranças que disse que não podia. Já a manifestação dos lesados, é o outro lado da moeda de se ter um governante em campanha. Dá empurrão forte ao candidato, mas também traz com ele campo aberto para aparecerem reivindicações no caminho.

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

O caldo pareceu entornado, quando a polícia teve de intervir para afastar da iniciativa socialista os lesados do BES que por ali estavam à espera que aparecesse o primeiro-ministro. Na caravana socialista já havia o alerta para aquela situação, embora os manifestantes estivessem misturados com os militantes, alguns até com camisolas PS. Quando António Costa saiu do carro, juntamente com Pedro Marques, os ânimos exaltaram-se com os militantes socialistas a tentarem evitar que se aproximassem do núcleo da arruada, onde seguia Costa.

Foi um esticão. Ontem Pedro Marques saiu de Guimarães para ir até Lisboa, 363 quilómetros, e voltou a Coimbra, mais 205 quilómetros. Ao fim do dia ainda havia de ir até à Covilhão para o jantar comício com António Costa, totalizando 2328 quilómetros percorridos desde domingo.

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