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Bloco de notas de reportagem na CDU. Dia 5. O ambiente, a obra feita na autarquia e a espera por respostas de PS e direita /premium

No último dia da caravana da CDU no Alentejo o tema foi o ambiente e a agricultura. Enquanto espera por resposta de PS, PSD e CDS sobre os fundos, João Ferreira lançou novo desafio, agora sobre a PAC.

A CDU optou por uma campanha focada em regiões do país onde tem uma força autárquica assinalável. Depois de um dia passado no distrito de Évora (quarta-feira, dia em que passou por dois municípios liderados pela coligação) e de uma arruada em Silves, a única câmara comunista do Algarve (na quinta-feira), João Ferreira regressou ao Alentejo, no percurso sul-norte que o há de levar até Braga na próxima semana. Esteve na Vidigueira durante a manhã para um encontro com os trabalhadores da câmara municipal, durante o qual foi bem visível o facto de estar numa autarquia CDU.

O presidente da câmara, Rui Raposo, foi diligente e levou João Ferreira a todos os gabinetes da câmara, mas não se ficou por ali. Fugindo ao que estava programado, levou o cabeça de lista da coligação (e a comitiva, por arrasto) a uma série de instituições municipais em torno da praça central da vila. O desvio, que serviu para mostrar a obra feita pela câmara comunista, acabou por encurtar a visita aos estaleiros municipais, onde João Ferreira foi falar com os trabalhadores sobre a importância de votar nas eleições europeias (“está enganado” quem pensa que é “lá longe”, garante). E fez derrapar o início do almoço na Sociedade Filarmónica Cubense — onde largas dezenas de apoiantes da CDU o aguardavam. Tanto que João Ferreira, para discursar à hora prevista, acabou por apanhar os comensais ainda de prato cheio.

A pressa daquele momento deu lugar a uma tarde sem nada na agenda. Só às 18h (18h30, com o atraso) é que a caravana se reuniu outra vez, em Beja, para uma arruada dedicada ao tema da agricultura. O jantar em Serpa estava marcado para as 20h, mas perto das 19h João Ferreira ainda só tinha avançado uns vinte metros no desfile, já que o candidato ia entrando em todas as lojas e cafés. Na comitiva, o ritmo lento era objeto de preocupação e podia pôr em causa o jantar que encerraria a noite. Identificado o problema, a arruada acelerou e cumpriu as últimas centenas de metros em excesso de velocidade, para rapidamente terminar com uma breve intervenção dedicada à agricultura.

João Ferreira continua no Alentejo para dia de campanha dedicado às alterações climáticas

No plano dos temas da campanha, João Ferreira continuou com o seu lema de apenas se focar nas questões concretas do país e na forma de lutar por elas a nível europeu. Sobre as alterações climáticas, apresentou logo pela manhã cinco propostas da CDU para a atuação a nível europeu em termos ambientais. Sobre a agricultura, repetiu o que já tinha feito sobre os fundos europeus: lançou o desafio ao PS, ao PSD e ao CDS para que se pronunciem, publicamente e antes das eleições, sobre como vão votar a reforma da Política Agrícola Comum na próxima legislatura europeia. Sobre o primeiro desafio, diz que continua “à espera de resposta“. Falta saber se lhe respondem agora.

“Há quem pense ainda que estas eleições têm pouco a ver com a nossa vida aqui todos os dias, que é lá longe, para o Parlamento Europeu. Está muito enganado quem assim pensa.”

De facto, as eleições europeias são as que habitualmente registam maior taxa de abstenção, e a CDU não tem esquecido este problema. Numa conversa informal com os trabalhadores dos estaleiros municipais da Vidigueira, João Ferreira sublinhou por diversas vezes a importância das eleições europeias a nível local e tem recusado transformá-las noutra batalha que não esta. Já no final da noite, num jantar em Serpa, viria a assegurar de novo que, para si, o que está em causa nestas eleições é apenas a eleição de 21 deputados portugueses para o Parlamento Europeu e não uma vitória ou derrota a nível nacional.

Alto. João Ferreira conhece os problemas locais, ou pelo menos informa-se bem antes de falar com as populações. Em cada intervenção, procurou sempre falar dos principais anseios, até das comunidades mais pequenas. Fê-lo com as pedreiras em Bencatel, com as pescas no Algarve, e esta sexta-feira com a qualidade das estradas em Beja. Das várias vezes, foi possível ouvir entre a audiência comentários como “é bem verdade…”, o que mostra que, pelo menos, João Ferreira estudou bem a lição.

Baixo. Pela primeira vez desde o início da semana, foi visível na campanha da CDU uma certa dificuldade na gestão do tempo. Depois de duas iniciativas agendadas para a manhã (que obrigaram a acelerar entre a Vidigueira e Cuba, depois de a primeira se esticar), a comitiva esteve quase quatro horas sem agenda. Para depois ter uma arruada marcada para as 18h — que começou com quase meia hora de atraso — e que teve de ser apressada para que o jantar programado para as 20h começasse a tempo. Mas, com os discursos agendados para o início do jantar e não para o fim, só depois das 21h é que o frango guisado chegou aos pratos dos perto de duzentos apoiantes que se juntaram em Serpa esta noite.

Fadista Motard. O nome real é José Manuel Ferreira, mas o nome de palco é que interessa: Fadista Motard. Porque é fadista e é motard, claro está. O músico popular do Barreiro, mas agora residente no Algarve, fez a “primeira parte” de João Ferreira no comício que encerrou a noite de quinta-feira, em Faro. Mas brilhou mais do que o protagonista. Brilhou tanto que, a dada altura, o concerto que deu no jardim Manuel Bívar, no centro da cidade, teve de ser gentilmente interrompido para que os discursos pudessem acontecer. José Manuel Ferreira vinha com um alinhamento de 11 músicas para a noite — mas não deu tempo para tudo.

O espetáculo foi verdadeiramente de variedades. Incluiu Zeca Afonso a capella, mas também — e mais surpreendentemente — uma interpretação de The Gift nas castanholas. Quando finalmente (já depois das 22h, num comício agendado para as 21h), João Ferreira subiu ao palco, não esqueceu a figura e dedicou a primeira linha do discurso ao “ao nosso amigo José Manuel Ferreira, o Fadista Motard”, para “uma saudação pela forma inspirada como trouxe tanta originalidade ao nosso comício”.

Antes, entre temas, o Fadista Motard alternava entre a sua história de vida e os gritos de apoio ao PCP, partido de que é apoiante indefectível. Foi falando de liberdade aos ali presentes. Da liberdade de “montar o palco onde quiser” e daquela que se adquire quando “se chega à minha idade”. E a julgar pelos aplausos honestos que arrancou à audiência (que cantou do início ao fim todas as músicas que José Manuel Ferreira interpretou), não será arriscado dizer-se que o Fadista Motard deu um apoio de peso à coligação na passagem pelo Algarve. Mas chega de palavras. O Fadista Motard é para ser visto e ouvido.

Durante a arruada em Beja, João Ferreira deteve-se nas lojas e cafés. Falou com os comerciantes, deixou os panfletos de campanha e ouviu as pessoas. Em alguns locais, chegou mesmo a ficar tanto tempo que a arruada o ultrapassou na rua. Aqui, numa sapataria no centro da cidade.

João Ferreira numa paragem numa sapataria durante a arruada em Beja (LUSA)

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Para evitar as multiplicações desnecessárias de viagens, a caravana da CDU está a seguir uma lógica geográfica na rota da campanha. Depois de dois dias na Grande Lisboa, começou a percorrer o país de sul até norte. Esta sexta-feira, cumpriu 173 quilómetros entre Faro (onde ontem terminou com um comício à noite) e a Vidigueira, somou mais 11 quilómetros até à vila de Cuba, outros 21 quilómetros até Beja e finalmente mais 28 quilómetros até Serpa, onde encerrou a passagem pelo Alentejo com um jantar-comício.

Total percorrido desde segunda-feira: 927 quilómetros.

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