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Bloco de notas da reportagem no BE. Dia 9. Efeito sondagem e mais rua, que a campanha não são favas contadas /premium

Marisa Matias tem apostado mais em ações de campanha que promovem o contacto popular. Uma decisão que, aparentemente, tem trazido uma melhor reação. Efeito sondagem?

Depois de uma semana em que Marisa Matias dedicou a maior parte dos momentos da campanha a ações localizadas e com um eleitorado muito específico, o desenho da campanha para a reta final leva a candidata a apostar no contacto direto com multidões. Começou na segunda-feira com a visita à Feira de Espinho e continuou esta terça-feira com a passagem pelo mercado de Torres Novas e com a arruada de Braga. Cenas em que a cabeça de lista assume com naturalidade o papel de protagonista. E com sucesso.

A popularidade de Marisa Matias nas ruas é notória. Sobretudo junto das mulheres, que frequentemente a abraçam e lhe agradecem. “Os homens que me desculpem, mas as mulheres podem tanto como eles. Ou até mais. Sobretudo mulheres como esta”, disse uma idosa agarrada à candidata, já de frente para a imprensa que seguia a caravana bloquista.

Um trunfo que dá uma sensação de pujança a uma campanha que estava a ficar mortiça. Resta saber se os apagões que Marisa Matias parecia sofrer nos comícios, sendo ofuscada em diversas ocasiões por outras figuras que intervinham nas mesmas sessões, se vão manter ou se vão, também eles, ser substituídos por mais garra.

As sondagens parecem ter animado a candidata, que surge menos retraída em várias ações, apesar de um cansaço acumulado que já se vai tornando visível — sobretudo na voz já por si rouca da cabeça-de-lista do BE.

Alto. A arruada de Braga. Apesar de curta, o ambiente na cidade bracarense deixou a candidata embalada para o comício da noite. Sem contratempos e recebendo apenas mensagens de apoio, Marisa Matias teve uma passagem tranquila por uma cidade tradicionalmente dominada pelo PS ou pelo PSD. Sem querer falar de bons resultados ou de sondagens, não vão as expetativas subir injustificadamente, a cabeça-de-lista do BE lembrou algumas das palavras que ouviu durante a arruada. “Há pessoas que dizem que vão votar no Bloco de Esquerda pela primeira vez, outras que me falam nas presidenciais de 2016”. Na reta final, nunca é demais lembrar a um eleitorado distraído os bons resultados que a candidata obteve nessas eleições, ficando em terceiro lugar com mais de 10% dos votos.

Baixo. A campanha do Bloco de Esquerda voltou à esquizofrenia da estrada. Um frenesim de quilómetros calcorreados para ações de campanha com menos de uma hora. Depois de um dia pelo distrito de Aveiro, a caravana bloquista desceu até Santarém para o comício do Entroncamento e a visita ao mercado de Torres Novas. Seguiu-se uma viagem até Braga para uma arruada seguida de comício. De norte para sul e de sul para norte. Tudo para na quarta-feira o partido partir de Famalicão para passar a tarde e a noite no Alentejo e em Almada. Não parece haver justificação plausível.

A Dona Madalena esperou por Marisa Matias desde que a eurodeputada pisou o mercado de Torres Novas. Sabia que a bloquista ia lá passar logo pela manhã e tentou agradar a candidata que, confessa, admira muito. Mas nem tudo correu bem, já que o autocolante que levava colado na bata não era do Bloco de Esquerda mas sim… do PS. Mas a feirante não se acanhou. Tirou a insígnia e iniciou um diálogo sobre política — mais concretamente sobre os debates televisivos, criticando os adversários que “estão sempre a interromper” a candidata.

Se este quadro já era curioso o suficiente mais ficou quando Marisa Matias se debruçou sobre o molho de favas para as descascar e ajudar Dona Madalena. “Que saudades que eu tinha disto”, confessou. Depois de alguns minutos, abandonou a banca por pressão da organização de campanha. Terá trazido com ela mas um voto?

PAULO CUNHA/LUSA

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Os jornais do Bloco de Esquerda têm sido distribuídos em todas as ações de campanha. Há quem questione a utilidade deste tipo de campanha, conotada recorrentemente como “a velha forma de fazer política”. Mas há sempre populares dispostos a encontrar uma nova utilidade para estes objetos panfletários que são mais vezes encontrados no lixo do que nas mãos de quem os recebe. Desta vez, foi na cabeça. 

O dia começou pouco depois das 10h00 em Torres Novas, no mercado. Uma ação que durou cerca de uma hora e que não podia alongar-se por muito mais tempo. A caravana tinha um compromisso marcado às 17h00 em Braga: uma arruada. E, pelo meio, ainda tinha de se almoçar. Depois de terminar o comício, o partido vai dormir a Gaia. Esta terça-feira o papa-quilómetros soma 342 quilómetros à contabilização total, que assim já vai nos 4.928 quilómetros.

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