Bloco de notas de reportagem no CDS. Dia 3. Estacionado em Lisboa, CDS tira o dia para “a família” /premium

15 Maio 2019

No dia em que a caravana do CDS estacionou em Lisboa, os centristas pouparam baterias. Tema foi a família, e acabou em... família. Com medo de não conseguir eleger dois, ordem é puxar por Mota Soares.

Quem viu a campanha eleitoral de Assunção Cristas em Lisboa e quem vê um dia de campanha de Nuno Melo inteiramente passado no distrito de Lisboa, vê poucas ou nenhumas parecenças. Um era o dia — alegre, agitado e barulhento –, o outro é mais como a noite, calma e até com alguns receios à vista (CDS conseguirá elegerdois?). É certo que são eleições europeias, e não eleições na cidade — a dinâmica é outra. E é certo que para a semana está previsto um mega-jantar em Cascais — é aí que se vai ver a força do CDS em Lisboa?

O candidato já tinha avisado, no comício da noite passada, que estava a ficar sem voz, talvez tenha sido por isso que, esta quarta-feira, a campanha tenha estacionado à tarde em Lisboa em modo “poupança de bateria”. Pelo menos na parte da tarde, que o dia começou cedo no mercado de Cascais. Bandeiras ao alto, Pires de Lima ao lado, Mota Soares a fazer a serventia da casa: a campanha centrista completamente em casa.

Mas visitado o mercado, distribuídas canetas e folhetos, o ritmo abrandou. O tema do dia era a família, a proteção dos idosos e a promoção da natalidade (à boleia da celebração do dia internacional da família). O CDS tem várias medidas a esse respeito no Parlamento, chumbadas pela esquerda, nomeadamente para impulsionar a vida familiar através da via fiscal, e até tem um ex-ministro que tutelava esta pasta: Pedro Mota Soares. Por isso, o resto da agenda foi passada a promovê-lo. O CDS pôs como bitola conseguir a 26 de maio um resultado igual ou melhor do que conseguiu em 2009 (dois eurodeputados), e agora parece haver algum receio de que não consiga atingir. Mota Soares está na corda bamba. Cai ou fica?

“Que tenha uma campanha tranquila, que perceba que há mais vida além da política. Nós perdoamos ao dr. António Costa”.

Foi um momento zen na campanha. Depois de, na noite passada, António Costa ter acusado Melo e Rangel de não fazerem política mas sim “sujeira”, o candidato — que por acaso nem se tem envolvido em trocas de acusações com os restantes — respondeu com um beijinho e uma flor. “É dos nervos”, disse, desculpando o secretário-geral socialista por estar a usar “expressões escusadas” e a entrar em modo de “violência verbal”.

Alto. No mercado de Cascais, Nuno Melo contou com o apoio de Pires de Lima. Foi um apoio importante, já que o ex-ministro da Economia foi um dos críticos da forma como o CDS geriu o dossiê dos professores, que quase provocou uma crise política e que certamente manchou a imagem de “contas certas” dos centristas. Pires de Lima, que tinha dito que o CDS “ou estava com os contribuintes ou estava com Mário Nogueira”, apareceu para enterrar o machado de guerra. Afinal, o ex-ministro continua a apoiar o CDS e o seu “amigo” Nuno Melo. E o CDS continua a ser a “alternativa” ao governo socialista “promíscuo”, que nomeia familiares e amigos de tal forma que “nem na ditadura” se via.

Baixo. Lisboa foi o palco onde Cristas brilhou nas autárquicas, e o mesmo brilho não se viu esta quarta-feira, quando a campanha de Nuno Melo passou por Lisboa. Estão-se a guardar para o jantar-comício de Cascais, que estava previsto para sábado, mas que foi adiado para a semana que vem? Depois de uma manhã no mercado de Cascais, a tarde foi passada entre um centro social e paroquial nas Laranjeiras e uma ida ao parque da Quinta das Conchas com crianças: ou seja, idosos e crianças para o CDS falar de família. Mas a iniciativa com crianças, organizada pelo CDS Lisboa, foi mais uma tarde em família do que uma iniciativa de campanha. Deputados e amigos do CDS levaram os filhos, incluindo a própria Assunção Cristas, que levou a família, e as crianças brincaram juntas. Next. “Seguimos para Portalegre?”, perguntava Nuno Melo ao fim de uma hora no parque infantil.

Ana Maria dos Santos vive há 60 anos em Cascais e está habituada a ver passar bandeiras no mercado em época de eleições. Sabe que eleições são estas: europeias. Sabe que partido é aquele que lá vai: o CDS. Mas gosta pouco disto da política: “As pessoas ficam muito contentes porque ouvem um político dizer que aumentou pensões, mas não, não adianta de nada. Os grandes fazem as dívidas, e nós é que pagamos. Não há dignidade. Falta-lhes honestidade, a todos”. Ana Maria não está satisfeita “nem com este governo, nem com nenhum”.

Mas quanto às Europeias… Ah, sim, as europeias. “Não sei se vou votar, logo vejo”. Mas não é importante votar? “Acho importante votar, sim, para termos palavra. Mas não adianta de muito”. Ana Maria tem ouvido aqui e ali o que se diz das europeias mas remata rapidamente: “Falam, falam, falam, e não se entende nada”. “Quanto é que ganha um eurodeputado? Em ajudas de custo e regalias? A questão é essa! Se não ganhassem bem, não iam para lá”, diz ainda, como quem diz que pouco interessa o conteúdo e a mensagem, o que interessa é o lugar.

No fim da conversa, à beira de uma banca no mercado da vila de Cascais, lá percebemos que, votando, Ana Maria até tem inclinação para votar no CDS. Mas pouco lhes ligou quando passaram. Seria por não gostar do candidato Nuno Melo? “Por acaso não simpatizo muito. É daqueles que é muito bem falante — como o padre: pode ser a maior antipatia, mas chega ao púlpito e fala muito bem”. De Assunção Cristas é outra história. “Gosto dela, e não digo que um dia não chegue a primeira-ministra…”.

O tema era família, proteção dos idosos e promoção de natalidade. Daí que Nuno Melo não tenha conseguido recusar o desafio de um grupo coral do centro social e paroquial de São Tomás de Aquino, em Lisboa. Os utentes do centro de dia e de convívio para idosos estavam precisamente a festejar o dia internacional da família. E Melo dançou (um bocadinho atrapalhado).

LUSA

Esta quarta-feira foi dia de ficar por Lisboa. Poupou-se nos quilómetros. De Cascais, onde visitaram o mercado da vila, às Laranjeiras, onde visitaram um centro social e paroquial, daí para a Penha de França, onde decorreu uma visita a uma esquadra da PSP, e daí para a Quinta das Conchas, no Lumiar, onde estiveram em família, os centristas percorreram pouco mais do que 40 km. Mas ao fim do dia, a caravana rumou a Portalegre, onde vai começar amanhã bem cedo a visitar uma IPSS. Contando com esta partida, somam-se 227 km. Resultado: 267 quilómetros percorridos, num dia calmo.

Total acumulado: 1002 quilómetros (a contar desde segunda-feira).

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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