Bloco de notas no PSD. Dia 3. Rangel, o SEAL que foi menino do Rio, e acabou a noite no Lust /premium

15 Maio 2019

Rangel decidiu encarar de frente o caso do helicóptero e mostrou a sua versatilidade ao completar a tríade: mar, ar e terra. Ao final da tarde teve o apoio de Rio, que atirou Berardo contra o PS.

Paulo Rangel teve uma passagem de segundo para terceiro dia de campanha difícil, a ter de lidar com o impacto mediático de um autarca do próprio partido o ter criticado por ter sobrevoado de helicóptero as zonas ardidas, em vez de visitar as populações. O candidato do PSD pareceu ficar agastado com os jornalistas e até se irritou ao final da noite de terça-feira. Ao início da manhã de quarta-feira, após uma visita à Fundação Champalimaud, parecia ainda não estar em forma e apenas pediu a Costa “elevação no debate”. Foi uma resposta segura, mas meio frouxa, o que não é típico de Rangel que responde a fogo normalmente com gasolina.

O candidato do PSD parecia estar a querer matar o “helicoptergate” que tinha descolado na noite seguinte com António Costa a ser duríssimo, tal como Pedro Marques. Paulo Rangel queria, afinal, dizer o que tinha a dizer mas só nos Bombeiros Voluntários de Dafundo. A intervenção tem uma vantagem: controla melhor a saída da informação, já que os jornalistas não o podem interpelar. E aí, aproveitou as falhas de meios aéreos que foram registadas no primeiro dia da época oficial de incêndios, que incluem helicópteros. Tentou assim virar o “helicoptergate” — no jornalismo português a qualquer caso ou casinho se acrescenta um “gate” para facilitar — contra António Costa.

À tarde, Rangel teve reforços e, como estava previsto, teve o apoio do líder. Não interagiram muito (a conversa foi mais longa com Nuno Morais Sarmento), mas Rio não recuou na hora de defender o seu príncipe. Para o presidente do PSD, rei laranja, o seu príncipe pode não ser perfeito (como o nome do barco onde andaram), mas é seu. E contra o PS, defende-o. Foi isso que fez e atirou Joe Berardo, assunto do momento (ou trend, na linguagem moderna) contra o Governo PS.

“Dos muitos helicópteros que faltam no terreno, o único helicóptero de que falaram foi aquele que foi ao terreno”

Paulo Rangel começou por desvalorizar o caso do helicóptero, que levou o presidente da câmara de Pampilhosa da Serra (do próprio partido) a criticá-lo, mas conseguiu perceber que não podia ignorar o assunto. Como viu que havia helicópteros que já deviam estar de prevenção para o combate aos incêndios e não estavam (alegadamente, por culpa do Governo) tentou virar o feitiço contra o feiticeiro.

Altos. Paulo Rangel é um autêntico navy SEAL, acrónimo utilizado para os fuzileiros dos EUA. O acrónimo é utlizado porque os militares são treinados para terem boas performances em SEa, Air, and Land (mar, ar e terra). Em três dias de campanha, Rangel já andou por terra (nas ruas e até literalmente na areia fina na praia), no ar (no célebre helicóptero) e mar (no mar da palha, de barco no estuário do Tejo. E adapta-se bem a qualquer cenário. A diversidade, numas eleições que vivem muito da atenção mediática (e dos ditos “bonecos”) é um aspeto positivo da campanha. A prova da versatilidade da campanha é que o evento desta quarta-feira à noite (com a presença de Rui Rio) decorreu com “jotas” numa das discotecas mais badaladas entre os adolecentes e pós-adolescentes: o Lust in Rio (que antes tinha o nome curioso de “Meninos do Rio“).

Baixos. A forma como Paulo Rangel respondeu a uma jornalista da SIC na sequência de uma pergunta normal, tendo em conta o ponto de vista mediático, demonstra algum nervosismo, que não tem sido habitual em Rangel nos últimos anos. De 2009 para cá, Rangel tem melhorado de ano para a ano a forma como lida com jornalistas, daí que todos tenham estranhado. Não foi um momento “inopinadamente”, mas irritar-se com jornalistas não ajuda a quem tem que correr atrás do prejuízo.

Isabel Faustino viu o microfone no barco da ação de campanha do PSD e não hesitou. Agarrou-se a ele como se o fosse arrancar, qual Fredy Mercury no palco de um barco no Tejo, e gritou: “PSD, PSD, PSD”. Tem 53 anos e é militante do partido há 35. Faz parte da secção de Loures e das Mulheres Sociais Democratas, o exército de Lina Lopes, indefectível de Rui Rio.

A militante do PSD diz que “desde sempre” apoia as campanhas do PSD e que por isso não faltou à chamada do passeio pelo Tejo. A ação favorita de Isabel é “descer o Chiado”, pois gosta muito dessa “arruada”. Melhor mesmo que a descida do Chiado, só a melhor ação em que já participou: “Na Alameda, na segunda maioria do PSD, em 1991”. Um marco na história social-democrata.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Sobre as Europeias, Isabel Faustino gostava que o PSD tivesse um plano ambicioso “para a defesa das mulheres na questão da violência doméstica”, pois acredita que “a União Europeia pode ter aqui um papel importante”. Para a militante, sem surpresas, “Paulo Rangel é o melhor candidato”. Isto embora admita que vê “pouco as outras campanhas” e destaca que Pedro Marques “pertenceu ao Governo” onde colecionou “aspetos negativos”.

É uma europeísta convicta e não consegue sequer indicar um aspeto negativo da adesão de Portugal à comunidade. “Pior não vejo nada. É tudo bom. Estamos há tantos anos na União Europeia e tem sido tudo bom.”

Rui Rio e Paulo Rangel podem andar muitas vezes afastados, como na viagem de barco, mas Rio percebeu que precisa que o PSD tenha um bom resultado nas Europeias para ter um bom resultado nas Legislativas. A bordo do “Príncipe Perfeito” e a meio do estuário do Tejo saiu em defesa do seu escudeiro.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O dia não foi propriamente uma loucura em quilómetros, mas teve milhas náuticas. O dia começou na Fundação Champalimaud, em Lisboa, e o almoço não foi muito longe: sete quilómetros até aos Bombeiros Voluntários de Dafundo. Sempre pela marginal foram mais nove quilómetros até à Doca do Espanhol, onde Rui Rio e Paulo Rangel apanharam o barco e somaram várias milhas náuticas (que não entram nestas contas). E à chegada apenas mais dois quilómetros até ao Lust in Rio. Apesar de intenso, o dia 3 é provavelmente o mais curto da campanha em quilómetros percorridos: 18 no total. O acumulado da campanha sobe para 587.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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