Bloco de notas no PSD. Dia 6. Quem se mete com o Rangel, leva com cataplana /premium

18 Maio 2019

Paulo Rangel elegeu um novo adversário principal: António Costa. E poupou mais Marques. Subiu o tom das críticas e chamou Cristina Ferreira à campanha contra o "candidato" Costa.

Pedimos desculpa pela interrupção para futebol, a campanha segue dentro de momentos. Já se sabia que o dia ia ser mais curto, mas o PSD aproveitou-o bem: três arruadas participadas e um encontro com jovens. Quatro ações, mais do que outros partidos têm em dias normais.

Paulo Rangel aproveitou a rua para provar que o Rangel 2.o é mais afetuoso, mais comunicativo e até já perde mais de cinco segundos com cada pessoa. Por outro lado, o cabeça de lista do PSD aproveitou o dia para desvalorizar Pedro Marques como alvo principal das críticas e apontou baterias a António Costa. Se é Costa quem aparece nos cartazes, quem abre as peças televisivas, quem faz títulos de jornais e quem é a mais-valia eleitoral do PS, é Costa quem Rangel ataca.

Para o ataque ao PS, o PSD tinha uma vantagem simbólica: ia fazer campanha em três concelhos socialistas (embora um seja liderado por um independente ex-militante do PS). Embora tenha voltado a pedir serenidade, Paulo Rangel subiu o tom dos ataques e disse que Costa não tinha autoridade moral para dizer que Rangel faz “politica-espectáculo” porque foi com a família cozinhar uma cataplana ao programa de Cristina Ferreira. Minutos antes, José Manuel Fernandes, o número três, tinha lembrado que Costa esteve “de férias na praia” quando o país estava a arder.

Sempre foi um trunfo de Rangel ter um discurso corrosivo e fazer ataques cerrados ao PS. Resta saber se esta é uma nova estratégia ou um ato isolado.

“Ele tem dito que é contra a política-espectáculo, mas há uma coisa que ele a mim não pode dizer, já que está a falar de Paulo Rangel e quer personalizar as coisas: a mim ninguém me viu com a minha família a cozinhar cataplana num programa de televisão”

Paulo Rangel já tinha falado do familygate, dos incêndios e já tinha chamado arrogante e petulante a António Costa. Mas lembrar a ida ao programa de Cristina é uma referência nova que prova que Paulo Rangel está disposto a arriscar mais no discurso para recuperar a desvantagem.

Alto. Paulo Rangel está a tentar corrigir as insuficiências que tinha no contacto com a população. Já responde a pessoas, quer quando o elogiam, quer quando o atacam. Esta postura na rua, acompanhado de uma claque de “jotas” cada vez mais animada, está a dar a ideia de uma campanha em crescendo.

Baixo. Quando se tem um discurso mais popular (como falar na ida de Costa com a família a Cristina Ferreira) abre-se uma caixa de Pandora que pode resultar em crispação no debate político. É uma jogada arriscada e, se correr mal, pode trazer mais dissabores que vantagens.

José Ferreira é natural de Guimarães e ouviu de manhã na Antena 1 que a caravana do PSD ia passar por Guimarães. Como já costuma dar uma “volta por ali todos os dias”, aproveitou para cumprimentar o candidato. No casaco tem dois símbolos: um pin na lapela do Vitória de Guimarães e uma mini-bandeira da União Europeia no lugar do bolso.

Cumprimentou Paulo Rangel de fugida e, no fim da arruada, deu-lhe um presente de madeira. José Ferreira destaca que tem o símbolo da UE ao peito porque estamos em altura de eleições e diz que a União Europeia é “fundamental para a vida dos cidadãos europeus”. Sobre se Rangel é o melhor candidato, José Ferreira diz que não pode dizer “que é o melhor”, mas também não prefere outro. Acrescenta que não acredita “muito no candidato do PS”, e também não o consegue identificar: “Agora não me recordo o nome dele”. Aliás, afirma mesmo que “não há muita qualidade [entre os candidatos] que se diga assim: vou acreditar neste.”

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Sobre o benefício de estar no espaço comunitário, José Ferreira diz que aponta como grandes vantagens da adesão a abertura de fronteiras e a moeda única. “O positivo é a Europa livre, antes tínhamos de ter sempre o passaporte carimbado e com a moeda tínhamos de andar a fazer câmbio”. Sobre as eleições Europeias, o vimaranense diz que “são importantes não só para Portugal, mas para o Mundo. A Europa tem de se afirmar no mundo porque se não se afirma no mundo, não somos Europa.” José Ferreira diz que não é militante de nenhum partido, mas garante: “Sou simpatizante do que penso que vai governar melhor, não tenho partido”.

José Ferreira foi emigrante e em 1984 voltou a Portugal, porque lhe pediram “para voltar para ajudar o país”, mas está desiludido: “É tudo uma treta”. Ainda assim, a UE foi uma mais-valia: “Se não estivéssemos na UE, não teríamos este nível de desenvolvimento que temos. As pessoas às vezes esquecem-se que a vida era muito difícil e agora, às vezes, é fácil de mais”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Paulo Rangel distribuiu beijos e abraços pelo distrito de Braga. Na fotografia, um dos muitos exemplos dos afetos que chegaram este sábado à campanha do PSD. Os passou-bem e os acenos envergonhados deram lugar a beijos e a abraços calorosos.

O sexto dia começou em Vizela com um contacto com a população e foram 11 quilómetros até Guimarães. Daí foram mais 34 quilómetros para Vila Nova de Famalicão, onde houve uma sessão de perguntas a jovens. De Famalicão até Barcelos são mais 21 quilómetros. Por fim, foram 17 quilómetros até à Praia de Ofir, onde a comitiva terminou o dia. No total do dia foram 83 quilómetros, o que significa um acumulado de 1476 quilómetros.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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