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Catarina Martins em campanha pela "geringonça" sobe a fasquia do Bloco

Catarina Martins encerrou o discurso do almoço em Lisboa com desejos de renovar votos, lembrou o PCP e apontou para a eleição de oito deputados em Lisboa. "Maiorias absolutas significam sempre recuo".

Artigo em atualização ao longo do dia

O pavilhão da FIL, em Lisboa, encheu-se este sábado de apoiantes do Bloco de Esquerda vindos de todo o país. O clássico mega-almoço de campanha, que acontece sempre a uma semana de atos eleitorais, já se tornou um marco do partido. Cerca de 1.500 pessoas ocupavam as dezenas de mesas redondas dispostas na sala quando Catarina Martins entrou acompanhada por Mariana Mortágua, cabeça-de-lista por Lisboa, e Beatriz Dias, a número três do círculo da capital, que subiriam ao palco para discursar momentos depois. O partido levantou-se em festa para as receber. Minutos depois exibiram-se vídeos nos ecrãs gigantes com os tempos de antena do BE. O primeiro foi exclusivamente dedicado a denunciar as insuficiências da “geringonça” para no fim apresentar uma conclusão: o Bloco precisa de crescer para evitar uma maioria absoluta do PS. Um vídeo sintomático do que se passaria na hora seguinte neste pavilhão da capital.

Catarina Martins foi a última a discursar e aproveitou o momento para criticar “a arrogância das maiorias absolutas”, que “significam sempre recuo”, e para pedir mais força ao Bloco de Esquerda. Mas desta vez não se ficou pelas proclamações, colocando rostos, e por consequência números, a essa ambição. Pediu a eleição de Daniel Bernardino, número três por Setúbal — onde o Bloco elegeu duas deputadas em 2015 –, de Jorge Falcato — número seis por Lisboa, onde o partido elegeu cinco — e esticou ainda até à candidata que vai no oitavo lugar pela lista da capital: Sofia Nunes.

A estratégia do Bloco de Esquerda ao longo da primeira semana de campanha, que está prestes a terminar, tem passado por apelar ao que chama de “voto útil” da esquerda para evitar a maioria absoluta do PS e, pelo discurso da líder bloquista, deve continuar a ser essa a aposta para os seis dias que ainda restam de campanha. Para isso, usará o capital alcançado pela experiência da “geringonça” e lembrará os impulsos do PS só travados pelos partidos à sua esquerda.

Ao longo do discurso, que desta feita estava escrito e não memorizado, recordou os entendimentos alcançados na última legislatura e recuperou a polémica entre o BE e o PS, quando lembrou que foi o Bloco de Esquerda o primeiro partido a propor a ideia de juntar forças se houvesse uma maioria de esquerda — uma guerra que abriu as honras da campanha mas que ficou enterrada, quase esquecida, pelo caso Tancos. Lembrou o desafio que fez há quatro anos no debate com Costa mas tornou a colocar o destaque no dia das legislativas de 2015. “No dia das eleições toda a gente ficou a saber que o BE mantinha o desafio. Esse acordo foi a melhor notícia que Portugal teve nestes quatro anos”, afirmou.

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Considerando que o atual Governo “nada teria feito sem o BE e sem o Partido Comunista Português”, aproveitou para trazer os comunistas para a distribuição de louros. Por oposição à maioria absoluta, Catarina Martins defendeu assim a solução a três — algo que por estas paragens, onde o papel do PCP é muitas vezes ignorado, não é comum. “As melhorias que conseguimos foram graças aos três, gostámos desta cooperação e orgulhamo-nos dela”.

A defensora da “geringonça”, PS incluído, fez questão, ainda assim, de sublinhar sempre o papel do BE. “Nestes quatro anos fomos a garantia do povo, garantia do povo nos salários e nas pensões” e usou o exemplo da lei de bases da Saúde para ilustrar o que devem fazer PS e BE no day after das eleições legislativas. Um trabalho começado por “António Arnaut e João Semedo: ambos homens de partido, que puseram a convergência acima de tudo e usaram o seu último fôlego para apontar soluções”. Depois do exemplo, a dica. “Do que precisamos é de Arnauts e Semedos. No dia 7 de outubro diremos: ‘Vejam o exemplo de Arnaut e de Semedo'”.

Pedro Filipe Soares atirou contra o PS, Mortágua contra outros “empecilhos”

O líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda também subiu ao palco para criticar os socialistas. Candidato por Lisboa em segundo lugar, Pedro Filipe Soares afirmou que a solução dos últimos quatro anos foi boa mas não tem dúvidas de que podia ter ido mais longe, não fosse o PS.

Falando do problema da habitação, sobretudo para os estudantes, “que não conseguem sair de casa dos seus pais”, atacou os socialistas por serem pouco ambiciosos nas metas a que se propõem. “No último ano desta legislatura, o PS propôs que fossem criadas 700 camas até ao fim do próximo ano letivo. No melhor dos cenários, se não ficar numa gaveta do Ministério das Finanças, serão 12 mil camas para 114 mil necessidades até 2022. É uma proposta à medida das necessidades do país ou de uma bitola de Bruxelas?“, questionou.

A referência às Finanças não foi inocente e seria retomada mais adiante, quando Pedro Filipe Soares criticava a guerra de Centenos protagonizada por Costa e Rio no início da semana. “Mário Centeno é o alfaiate deste país. Diz que não é por usarem fatos que se tornam nos senhores. Mas o fato tem dois problemas. Um é que o tecido não aguenta as cativações: ano após anos ele encolhe, encolhe, encolhe. E outra é que as medidas estão sempre erradas”, ironizou para rematar. “O fato pode ser à medida de uma maioria absoluta do PS” mas não é “à medida do país”.

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Já Mariana Mortágua, cabeça-de-lista por Lisboa, trazia no discurso a defesa das medidas fiscais em que o BE acredita. Explicando que “quem ganha menos deve pagar menos impostos” e que “quem ganha mais deve pagar mais impostos”, a dirigente bloquista não teve pudores em apontar o dedo à direita e ao PS por terem criado as “injustiças” que o BE quer ver corrigidas.

A deputada aponta duas medidas do programa bloquista, como prioritárias para fazer frente a essas falhas. Ambas na área financeira: o controlo democrático da banca, porque “se o povo paga o povo tem de mandar”, e o “englobamento de todos os rendimentos no IRS”, de modo a que tudo o que for património seja tributado como rendimento. Duas propostas que catalogou como “simples” e que disse serem centrais para os próximos quatro anos.

É precisamente para esse horizonte que Mariana Mortágua estabelece o objetivo de combater os “empecilhos” da banca e da elite. Algo que, na sua ótica, só o BE consegue fazer, já que na última legislatura “a esquerda contou para o povo porque não houve maioria absoluta“. Também aqui houve pedido de reforço da maioria de esquerda.

Uma arruada sem contacto de rua e sem Catarina aos saltos

O mega-almoço do Bloco de Esquerda tem como tradição terminar com uma arruada nas imediações da FIL, no Parque das Nações. As 1.500 pessoas saem do pavilhão em fila, como formigas de um formigueiro, de bandeiras ao alto e dispostas a fazerem-se notar. Com uma banda a abrir caminho, seguem para o passeio junto ao rio enquanto cantam músicas de campanha. As poucas pessoas que estavam àquela hora no local paravam e deixavam a caravana passar.

Foi um momento quase só do Bloco de Esquerda, sem grandes imprevistos e quase sem contacto popular. Catarina Martins parou duas vezes apenas para cumprimentar pessoas que não fossem da comitiva bloquista. Uma das pessoas a quem esticou a mão para cumprimentar era um empregado de um dos vários restaurantes que compõem a linha do rio, não particularmente entusiasmado pela saudação.

O Bloco de Esquerda ia fazendo a festa consigo próprio e Catarina Martins não reagiu aos sucessivos pedidos para que saltasse. “Queriam, mas não vai acontecer”, respondeu Mariana Mortágua aos jornalistas que observavam a cena à espera do momento do salto. Ao fim de trinta minutos a arruada terminou sem que se desse pela saída da líder do BE, que a abandonou ainda antes de ter terminado.

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