“Se isto está assim em dois meses, nem imagino o que vem aí a seguir. Ou há uma mudança de atitude rapidamente ou só vai piorar.” O desabafo é de um deputado do PSD e ajuda a ilustrar o ambiente que se vai vivendo no grupo parlamentar social-democrata: ainda que não exista um movimento organizado de oposição interna, as trincheiras já estão a ganhar forma.

O episódio em torno da eleição ou não de Rui Paulo Sousa como vice-presidente da Assembleia da República foi apenas mais uma acha para a fogueira. Concertado com Luís Montenegro, a quatro horas da votação e sem que o grupo parlamentar do PSD tivesse deliberado sobre o assunto, Joaquim Miranda Sarmento enviou um email aos deputados para que votassem a favor do parlamentar do Chega.

O pretexto – respeitar a “normalidade democrática”– não convenceu o braço do partido na Assembleia e o mal-estar que a comunicação gerou teve uma consequência prática: seguramente um terço (mas presumivelmente mais) dos deputados sociais-democratas não obedeceram à indicação Miranda Sarmento.

“É inacreditável pôr aquilo por escrito”, queixa-se ao Observador um dos membros da direção da bancada parlamentar. “Que brincadeira é aquela? É de uma inabilidade total”, lamenta um alto dirigente social-democrata. “Não se pode mandar aquilo assim, a cru. Houve gente que não gostou, naturalmente”, concorda um deputado social-democrata. “É um monumental tiro no pé”, reforça outro elemento do grupo parlamentar social-democrata.

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